Denunciam responsabilidades do governo PSOE-BNG na catástrofe ecológica

17 de Agosto de 2006

 

Após umha semana de intermináveis debates e reunions nas que ADEGA tentou evitar a constituiçom dumha entidade plural e heterogénea na defesa do monte galego, onte foi constituida em Compostela a "Plataforma contra os incêndios florestais". Durante quatro sessons a organizaçom "ecologista" do BNG boicotou, empregando diversos mecanismos, a decisom de constituir umha plataforma aglutinante e unitária de todo o movimento popular. A dependência dessas siglas dos subsídios e ajudas institucionais, e portanto como meros apêndices do poder autonómico, provocou que desde o primeiro momento tentassem questionar a existência de qualquer responsabilidade política do bipartito na crise nacional provocada pola vaga incendiária que arrasou mais de 80 mil hectáreas de monte na Comunidade Autónoma em tam só umha semana.

Para ADEGA e "chiringuitos" semelhantes Fraga Iribarne segue ocupando a presidência da Junta e portanto todas as denúncais e exigências só podem recair no PP. Os estómagos agradecidos figérom o possível por evitar a constituiçom dumha plataforma social que sem maniqueismos e manipulaçons empregasse a verdade para analisar e denunciar os acontecimentos em curso.

Após convocar a manifestaçom da resucitada Nunca Mais estas entidades mudárom de táctica optando por nom acudir às reunions nas que com muito esforço se estava consensuando o manifesto.

Finalmente onte AMI, BRIGA, CEIVAR, Esquerda Unida, MNG, Mulheres Transgredindo e NÓS-UP de Compostela acordárom pór em andamento umha plataforma de caracter local que participará conjuntamente na manifestaçom nacional do vindouro domingo 20 de Agosto sob a legenda "Defendamos os nossos montes. Esta barbárie também tem responsáveis políticos" e que aspira a aglutinar a todos os sectores sociais e pessoas que nom estamos dispostas a fazer desta mobilizaçom umha manifestaçom de inquebrantável adesom ao regime.

A continuaçom reproduzimos integramente o manifesto da "Plataforma contra os incêndios florestais".

DEFENDAMOS OS NOSSOS MONTES

ESTA BARBÁRIE TAMBÉM TEM RESPONSÁVEIS POLÍTICOS


Três anos depois do atentado ambiental do Prestige, voltamos a sofrer um ataque de tremendas proporçons contra o País. Ataque que agride directamente a sua populaçom, o ecossistema, o habitat, a cultura e o futuro dos e das galegas. Três anos depois da maré negra, umha mistura explosiva de interesses políticos, económicos predadores, e incompetência política, unida aos problemas estruturais do monte galego causados por umha prolongada e ineficaz ordenaçom do território, umha errada política de reflorestaçom e umha gestom do agro galego negativa, sacrificam o porvir de toda a populaçom.


Da Plataforma contra os incêndios florestais queremos denunciar:


1- Que a intencionalidade dos lumes nom se deve unicamente a psicopatas, vándalos ou despistados. Há um plano perfeitamente orquestrado para liquidar a populaçom e qualquer futuro dos nossos montes e do nosso agro.


2- Esta situaçom nom é casual. A política florestal desenvolvida desde os anos quarenta, baseada no monocultivo do eucalipto e do pinheiro, empobrece e limita a potencialidade do monte galego e cria o sustento perfeito para o terrorismo florestal.


3- Que a vaga de lumes, nas últimas décadas, coincide com o abandono do rural e dos usos tradicionais do complexo agro-gadeiro-florestal, impulsionada polo Estado espanhol com o beneplácito da Uniom Europeia, e portanto com o avanço das massas florestais homogéneas e pirófitas.


4- Que as zonas agredidas nestes últimos tempos som as mais cobiçadas por grandes e medianos especuladores, que preparam o assalto aos PGOM de múltiplas comarcas ocidentais galegas e sonham com um porvir de turistificaçom e urbanizaçom especulativa.


5- Que a Lei de montes que restringe a urbanizaçom nem se aplicou ainda, nem evita a urbanizaçom do solo rústico incendiado.


6- Que o PP, como principal apoio político desta estratégia económica e deste desenho florestal, pratica a hipocrisia pura e dura ao lavar as maos e esquecer a sua responsabilidade política ontem e hoje. Que o governo bipartido do PSOE-BNG pratica a verborreia fácil, ao insistir na linguagem da ‘guerra’ e da soluçom policial: o seu medo crónico nom lhe permite assinalar as forças responsáveis por esta desfeita, nem confessar que a sua ‘prevençom’ de um ano foi pura fraude, rendido ao poder dos de sempre. A Junta é responsável política directa pola actual catástrofe ambiental, por perpetuar as políticas florestais e a indústria do lume do fraguismo, por carecer de meios e recursos suficientes para o combater.


EXIGIMOS:


- Que do Governo galego se assinale os verdadeiros culpáveis desta desfeita e nom fique todo numha farsa com que enganar a populaçom e manter assim intactos os interesses e o poder dos de sempre.

- Explicaçom exaustiva à populaçom das investigaçons e detençons que se estám a produzir. (Nom podemos esquecer que há quatro pessoas assassinadas por estes terroristas do lume).

- A identificaçom (com nome e apelidos) dos orquestradores últimos deste ataque directo contra o País e a sua populaçom.

- Legislaçom clara sobre as superfícies queimadas onde se contemple expressamente:

· Impossibilidade de requalificar os terrenos incendiados.

· Proibiçom absoluta de repovoaçom com espécies foráneas.

· Proibiçom de instalar parques eólicos nos montes arrasados polo lume.

- Dispor dos mecanismos de controlo necessários para que ninguém saia beneficiado desta catástrofe florestal.

- Criaçom desde já de um grupo de trabalho em que estejam implicadas tanto o pessoal técnico correspondente, as comunidades de montes, as organizaçons ecologistas, assim como a populaçom que vive nas zonas afectadas para desenhar o plano de reflorestaçom dos nossos montes, pois este é o momento para fazer as cousas bem e nom há possíveis escusas.


Chamamos às e aos galegos/as conscientes da barbárie que nos assola:


- A envolver-se num movimento assemblear amplo e abrangente de denúncia dos culpáveis, de pressom e exigência de responsabilidades às autoridades autonómicas, e de oposiçom aos planos urbanizadores e eucaliptizadores avalizados por um poderoso conglomerado empresarial.


- A reivindicar a recuperaçom do nosso rural e da diversidade de usos dos nossos montes como garantia para evitarmos no futuro os incêndios. Uns montes que produzam biomassa e madeira de espécies diversas, e que sirvam de apoio à produçom agrária num rural habitado.


GALIZA EM PÉ CONTRA O LUCRO DO LUME!


Compostela, 20 de Agosto de 2006


Plataforma contra os incêndios florestais

 

 

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