Tourinho e Quintana:dueto em defesa do novo Estatuto e da unidade de Espanha

10 de Outubro de 2006

O presidente e o vice-presidente da Junta figérom causa comum da renúncia a "romper Espanha". O primeiro perante a cúpula empresarial espanhola e pró-espanhola estabelecida na Galiza e o segundo durante a sua visita institucional ao Uruguai, coincidírom em dar garantias de que o novo Estatuto manterá a posiçom dependente da Galiza em relaçom ao Estado espanhol.

Tourinho di que "todos os galegos" nos sentimos tam espanhóis como galegos...

O presidente da Junta discursou diante do chamado Fórum Nova Economia, formado pola mais "selecta" burguesia imperante na Galiza, pedindo que "nom nos assuste" que o futuro Estatuto de Autonomia poda incluir umha referência nominal ao "carácter nacional" da Galiza. Enquadrando em todo o momento o seu discurso na "pugna" inter-autonómica em matéria de transferências do Estado às administraçons periféricas, afirmou que "a Galiza se nega a ficar relegada e muda" no processo de reformas estatutárias em curso.

Aí chegárom as "ambiçons" autonomistas de Tourinho, que a seguir passou a reivindicar os escritores que escrevem e publicam em espanhol na Galiza, e chegou a afirmar que "todos os cidadaos da Galiza se sentem tanto galegos como espanhóis", excluindo assim da condiçom de galegos e galegas os milhares de compatriotas que nos afirmamos explicitamente e sem ambigüidades contra a condiçom imposta de "cidadaos espanhóis" e reclamamos a ruptura política, jurídica e institucional com Espanha.

Entre o auditório que escuitava o presidente da Junta, achavam-se personagens como Isidoro Álvarez, presidente de El Corte Ingles; Carlos Pérez de Bricio, presidente de CEPSA; Pedro López Jiménez e Honorato López Isla, presidente e conselheiro delgado de Unión Fenosa, respectivamente; Julio Fernández Galhoso, presidente de Caixanova; José Luís Mendes, director geral de Caixa Galicia; José Luís Calvo, chefe da conhecida empresa de conservas que leva o seu apelido; Manuel Jove, dono de Fadesa; Fernández Tapias, conhecido empresário naval; e representantes de Coren, Eroski, Ferrovial, Iberia, Spanair, Dragados, Banco Echeverría, etc. Em definitivo, a nata do grande capital industrial, energético, financeiro e especulativo que ordena e manda nesta Galiza submetida aos desígnios do grande capital espanhol e galego pró-espanhol.

...e Quintana renega da soberania nacional

Se Tourinho reivindicou explicitamente a sua espanholidade, o porta-voz do BNG e vice-presidente do Governo autónomo com sede em Compostela nom ficou atrás. Num novo exemplo da sua fidelidade constitucional a Espanha ("à prova de bomba", como dixo dias atrás o comissário-chefe da Polícia espanhola em Ponte Vedra), Quintana declarou perante a colectividade emigrante em Montevideu que com a reforma estatutária "nom se trata de romper nada, nom podemos adscrever-nos ao discurso do medo”, acrescentando que “nom há que ter medo do futuro porque nada vai romper, Espanha nom vai romper. Queremos é que a Galiza tenha mais peso e para isso é o novo Estatuto”.

Dificilmente poderia o BNG difundir umha mensagem mais claramente regionalista, muito atrasada inclusive em relaçom a etapas anteriores da história do nosso movimento nacionalista, assumindo de lés a lés a doutrina unitária espanhola, antitética da necessária pedagogia social em defesa da viabilidade da Galiza como projecto nacional diferenciado. A suposta vontade de "transformar Espanha" assumindo-se como parte dela, posiçom estratégica do BNG, bate frontalmente com o direito da Galiza à existência sem tutelas de nengumha realidade institucional pretensamente "superior" e "inamovível".

Nom há, no entanto, nada de novo em vermos Anxo Quintanta armar-se em "mais papista que o papa", aferrado a posiçons conservadoras e de umha inocultável hispanodependência.

 

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