27-M: PSOE, BNG e IU estendem a fórmula da Junta aos concelhos

28 de Maio de 2007

Se bem a jornada eleitoral de ontem precisa de um estudo de maior pormenor, há algumhas conclusons que podem já ser tiradas dos resultados das eleiçons municipais que decorrêrom na Comunidade Autónoma da Galiza. Para já, que o PP e BNG mantenhem a tendência à baixa, enquanto o PSOE e IU sobem.

Das candidaturas da esquerda soberanista, a da FPG atingiu em Vigo 0,36% (549 votos), por cima de Vigo de Esquerda (0,21% e 313 votos), enquanto Ponte Areas de Esquerda atingiu 1,26% (159 votos) no concelho do Condado. Em Cangas, umha coligaçom da FPG com Izquierda Unida conseguiu um destacável resultado, com 3 vereadores e conseguindo condicionar a formaçom de um novo governo.

A abstençom confirmou a sua condiçom de "primeira força", a muita distáncia da segunda. 977.322 galegos e galegas optárom por nom irem votar nas eleiçons de ontem, o que supom 37,03%, um significativo aumento em relaçom aos 33,76% de 2003.

As eleiçons confirmárom a progressiva perda de influência do PP nas grandes cidades e nas principais vilas, apesar de a perda quantitativa nom ser excessiva (39.000 votos e 1,6 pontos em relaçom às eleiçons de 2003) e incluso manter-se como força mais votada. Porém, o facto de perder todas as grandes cidades e capitais provinciais, ainda crescendo em algumhas delas, junto às deputaçons, fai com que a perda qualitativa de peso da direita espanhola sim se torne significativa, o que é sempre umha boa notícia para qualquer democrata.

Também o crescimento do PSOE é mais qualitativo do que quantitativo. Aumentou dous pontos percentuais, passando de 453.157 votos em 2003 para 478.365 ontem; quer dizer, ganhou 25.208 votos. Mas acede ao governo das oito principais cidades da Galiza e a algumhas das vilas mais importantes, sempre coligado com o BNG (Lugo, Ponte Vedra, Ourense, Vigo, Compostela e a Corunha) e/ou IU (Ferrol e Vila Garcia).

O BNG continua a perda de votos continuada, de 11.000 votos a respeito de 2003, ficando no entanto numha percentagem similar, de 19,15% (315.449) face aos 19,41% de 2003 (325.331 votos). A percentagem actual inclusive melhora a das eleiçons autonómicas de 2005 (quando ficara em 18,6%) apesar das perdas em cidades como Ponte Vedra e sobretodo Ferrol, ou em vilas importantes como as Pontes e Fene. De facto, aumenta o seu número de cargos eleitos e de presidências de Cámaras, ainda tendo cedido votos a umha Izquierda Unida que sobe quase 3.000 votos, passando de 19.643 votos há quatro anos para 22.592 ontem, acedendo ao governo de Ferrol, Via Garcia e Cangas, e convertendo-se no único referente autodefinido como de esquerda (ainda sendo reformista), perante as visíveis carências da esquerda anticapitalista e soberanista no campo da luita institucional.

Chegamos assim à principal conclusom no que di respeito ao trabalho político do soberanismo de esquerda na Galiza. O bom trabalho de Ponte Areas de Esquerda, que conseguiu, contra vento e maré, um digno resultado, junto às incapacidades manifestas da concorrência entre Vigo de Esquerda e a FPG, demonstram que a ausência de um referente unitário nos processos eleitorais para o voto da esquerda e o soberanismo impede preencher o espaço abandonado por um BNG cada vez mais direitizado e autonomista.

Umha leitura juizosa dos dados do processo eleitoral de ontem deveria fazer reflectir o conjunto de forças situadas em parámetros anticapitalistas e soberanistas sobre o papel histórico que nos toca cumprir e o que realmente estamos cumprindo pola incapacidade de superarmos a fragmentaçom e o testemunhalismo na frente institucional. Ou isso, ou darmos por boa a fórmula neoliberal e autonomista do bipartido da Junta -com ou sem IU, que nada de novo trará- como "alternativa" ao neofranquismo do Partido Popular.

 

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