NÓS-Unidade Popular apresenta análise dos resultados das eleiçons espanholas de 9 de Março

12 de Março de 2008  

Dous dias depois da jornada eleitoral no conjunto do Estado para a renovaçom do Congresso e o Senado espanhóis, umhas jornadas marcadas para a Galiza pola primeira vez pola ausência de candidaturas soberanistas, NÓS-Unidade Popular, umhas das formaçons que ficou à margem pedindo a abstençom, apresenta a sua análise dos resultados. Achamos de interesse reproduzir na íntegra o comunicado.

Valorizaçom dos resultados eleitorais de 9 de Março

Todo continua praticamente na mesma. Assim podemos definir os resultados eleitorais de 9 de Março na Comunidade Autónoma da Galiza, onde a polarizaçom bipartidarista é umha realidade consolidada, mas continua a ser imperfeita.

Embora globalmente perdam perto de 100 mil votos, as forças espanholistas continuam a ser esmagadoramente hegemónicas. O PP sofre umha perda de 90 mil votos e o PSOE tam só recolhe 3.500 mais.

Os apoios eleitorais do regionalismo nom sofrem variaçons. O BNG, frente às optimistas declaraçons de Quintana, tam só logra frear a tendência baseada na sua paulatina perda de votos iniciada com a mudança de século. Nesta ocasiom, congela o apoio de 2004, atingindo só 360 votos mais, mantendo os dous deputados.

IU perde umha quarta parte dos votos atingidos em 2004, frustrando a tendência alcista das municipais de Maio passado.

Quiçá um dos aspectos mais destacáveis seja a queda da abstençom, que passa do 29.03% a 24.59%, ligeiramente inferior à média estatal, no que sem lugar a dúvidas é um novo fenómeno que altera umha das características específicas dos processos eleitorais galegos.

Isto confirma que umha boa parte deste abstencionismo é ideológico, deriva desses plurais e heterogéneos sectores sociais que enquadrados em parámetros de esquerda e progressistas optam conscientemente por nom participar no circo eleitoral.

A ausência de candidaturas de esquerda independentista pola primeira vez na história da democracia espanhola contribuiu para que boa parte de um sector social –minoritário mas com grande dinamismo social– opte por nom depositar na urna o seu voto, fugindo da (i)lógica do “mal menor” tam arreigada entre amplos sectores da esquerda social.

Porém, tampouco devemos desconsiderar que o apelo à abstençom que a maioria das forças independentistas galegas fijo nom tivo repercussom pública ao nom participarmos activamente na campanha.

O PP, fora do governo autonómico, sofre umha suave hemorragia eleitoral, mas as duas forças que gerem Sam Caetano som incapazes de capitalizar eleitoralmente o controlo dos recursos do poder. Há um intercámbio eleitoral entre PP e PSOE, PSOE e BNG, e mesmo entre PP e BNG. O regionalismo incrementa o voto rural, baixando nas cidades e núcleos urbanos, e confirmando as mudanças internas no que era a sua tradicional base social. Menos voto operário e juvenil e mais voto cativo das redes clientelares tecidas a partir das Conselharias de Serviços Sociais, Meio Rural e, em menor medida, de Indústria.

A escala estatal, nem o PP nem o PSOE logram os seus objectivos. Rajoi, embora melhore os resultados de 2004 com 400 mil votos mais, traduzidos no incremento de 5 deputados, nom consegue ser a força política mais votada e afastar o PSOE da Moncloa.

O PSOE também melhora os resultados de há quatro anos com 40 mil votos mais, mas sem atingir a tam sonhada maioria absoluta do felipismo.

Sem lugar a dúvidas, umha das conseqüências mais destacadas foi a concentraçom do voto sociolgicamente progressista, tal como já conseguira em 2004, mas nesta ocasiom com um resultado político superior, ao fagocitar as duas forças políticas que na primeira metade da legislatura lhe emprestárom a maioria parlamentar de que carecia.

O devacle de ERC, que passa de 8 a 3, deputados perdendo 355 mil votos, de IU que fica também sem grupo próprio, passando a contar com só 2 representantes após a fuga de 320 mil votos para o PSOE, e da CHA que perde 60% dos votos perdendo o seu deputado, é fruto da política colaboracionista e da perda de perfil próprio IU. Este fenómeno também explica a queda do regionalismo canário.

Esta situaçom confirma que no conjunto do Estado espanhol o bipartidarismo se vai afiançado tal como o sistema leva três décadas tentando impor.

No País Basco, a forte queda eleitoral do PNB perdendo 117 mil votos, de EA com 30 mil menos ficando sem representaçom, a fuga de 52 mil em IU, assim como a suave queda do PP com 9 mil menos, mas também de Aralar que fica sem umha quarta parte, contrasta com o incremento eleitoral do PSOE, que sobe 86 mil nas Bascongadas, beneficiando-se dessa concentraçom de votos à custa das forças reformistas.

A ilegalizada e reprimida esquerda abertzale consegue novamente confirmar a solidez e fidelidade da sua disciplinada base social. O incremento em dez pontos da abstençom nas CAB e de 3 em Nafarroa traduzem-se em 185 mil votos abstencionistas seguindo o apelo realizado polas diversas organizaçons da esquerda independentista e socialista basca.

NÓS-Unidade Popular congratula-se de que na CAG mais de 568 mil galegas e galegos optássemos novamente por nom participar neste processo eleitoral, superando as enormes pressons sobre a necessidade de optar polo mal menor para evitar que o PP ganhasse as eleiçons. Tal como já manifestamos no início da campanha eleitoral, ganhasse quem ganhasse as eleiçons nom iam provocar mudanças substanciais na vida do povo trabalhador e no futuro da Naçom galega. PSOE e PP representam interesses semelhantes, som projectos similares. Para evitarmos mais retrocessos nas condiçons de vida, na perda de direitos e liberdades, para garantir o exercício do direito de autodeterminaçom que permita superarmos a condena à morte do nosso projecto nacional, só há umha via possível e plausível: a luita unitária e organizada. Eis o caminho. Depositar expectativas e confiança na soluçom destes problemas na aritmética parlamentar é simples superstiçom, é puro fetichismo.

Porém, NÓS-UP considera urgente e necessário que o conjunto do soberanismo de esquerda deste país busque as fórmulas mais acaídas para lograr que nas eleiçons autonómicas de 2009 os cada vez mais amplos sectores sociais que nom nos sentimos representados polo regionalismo nem polas variantes do reformismo espanholista, e que consideramos que nom se deve infravalorizar a importáncia da representaçom política, apresentemos candidaturas unitárias sem nengum tipo de exclusons com base num programa de mínimos aberto.

Direcçom Nacional de NÓS-Unidade Popular

Galiza, 11 de Março de 2008

 

 

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