Sucedem-se novos acidentes laborais de gravidade

2 de Fevereiro de 2007

Advertíamo-lo há poucos dias: 2006 foi um ano nefasto para a sinistralidade laboral, e nada indica que as tendências vaiam mudar. Infelizmente, a realidade confirma os prognósticos, e temos que contar umha nova morte, acontecida na planta de tratamento de lixo de Nostiám (Corunha), e um ferido grave que perdeu umha mao no posto de trabalho, no Porrinho.

No primeiro caso, um operário de 53 anos faleceu esmagado por umha máquina de doze toneladas de peso, quando ontem substituía as rodas da mesma, na planta de tratamento de resíduos de Nostiám. Jesus Garcia Vilamide era empregado da empresa subcontratada Neumáticos Rodabén, sediada em Carvalho e encarregada da manutençom da maquinaria da referida planta.

Há que lembrar as condiçons irregulares em que a empresa foi construída e posta a funcionar, o que dificulta a cobertura das seguradoras, que costumam rejeitar fazer frente a responsabilidades em firmas nom legalizadas. Por seu turno, a Cámara Municipal (PSOE) afirma que está todo certo e que corresponde à seguradora atender às coberturas derivadas de acontecimentos como o de ontem. No meio, fica a família do trabalhador morto, a quem ninguém explica como é possível que continuem a suceder-se episódios mortais como esse e ninguém queira assumir responsabilidades.

No caso de Nostiám, os trabalhadores e trabalhadoras mantenhem há tempo a reivindicaçom de medidas sanitárias e de segurança para o desempenho do seu labor profissional.

Entretanto, um jovem obreiro perdeu a mao também ontem num outro acidente laboral, desta vez acontecido numha canteira do concelho do Porrinho. José Benito R. P. trabalhava numha fita transportadora de pedras, ficando-lhe a mao presa das engrenagens, sofrendo desgarramentos que concluírom com a perda da mao.

O operário ficou grave. Quando redigimos estas linhas, estava-se à espera de saber se era ainda possível reimplantar-lhe a mao perdida. Tampouco conhecemos mais pormenores sobre as responsabilidades por um novo acidente de gravidade que, provavelmente, ficará no esquecimento, vista a passividade das instituiçons públicas diante de um mal que afecta sempre aos e às mesmas: a classe trabalhadora laboralmente mais desprotegida.

 

Voltar à página principal