Contundente reconhecimento oficial do avanço da desgaleguizaçom

11 de Abril de 2007

O Conselho Escolar da Galiza, organismo consultivo dependente da Conselharia da Educaçom, acabou de reconhecer num relatório feito público na passada segunda-feira a efectiva funçom espanholizadora do ensino no território galego sob administraçom da Comunidade Autónoma da Galiza. O documento abrange na sua análise os anos lectivos de 2002-2003, 2003-2004 e 2004-2005, e conclui que a lei bilingüista nem sequer é cumprida nas matérias em que o uso do galego é obrigatório.

Os flagrantes incumprimentos de umha legislaçom lingüística em si mesma deficiente tem sido denunciada polos sectores mais preocupados polos direitos lingüísticos do nosso povo, e constituem um dos pontos de claro continuísmo entre os governos do PP e o actualmente formado polo PSOE e o BNG à frente da Junta da Galiza.

Dados contundentes: a imposiçom do espanhol é mais efectiva do que nunca

Assim, no início do primeiro ciclo do Ensino Primário, um em cada três alunos e alunas nom atinge um nível de competência em galego que poda ser considerado "suficiente". Dos restantes 2/3, 43% fica num "suficiente" escasso, enquanto 23,9% pode ser considerado num nível "bom ou muito bom" de competência na nossa língua nacional.

Entre Ensino Infantil e Primário, 66,9% do alunado é espanholfalante, percentagem que no caso do professorado é de 53%. No fim do primeiro ciclo de Primário, o relatório do CEG fala de 16,2 pontos acima de aquela percentagem, mas 16,8% nom atinge a competência suficiente para encetar o segundo ciclo do Primário.

Estes dados contradim a suposta boa formaçom em galego da juventude educada na etapa autonómica, e estende a falta de formaçom ao próprio professorado, apesar dos milhons e milhons de euros investidos em cursos de formaçom cuja escassa utilidade fica agora ao léu.

Assim, 1/4 do professorado em exercício nos anos de ensino obrigatório reconhece nom ter competência suficiente em galego para leccionar. A carência de materiais didácticos, a falta de umha planificaçom que combata os preconceitos ainda vivos na comunidade escolar e a "fraqueza" no funcionamento das equipas de normalizaçom dos centros de ensino som outras evidências do estudo realizado polo Conselho Escolar da Galiza.

O desastroso panorama gizado polo relatório estende-se à evidência de que som precisamente os alunos e alunas o sector mais espanholizado da comunidade educativa na Galiza autonómica, e nom apenas no Ensino Primário, mas também no Secundário. O professorado, também maioritariamente espanholfalante, admite, inclusive no caso da minoria galegofalante, que a sua formaçom lingüística é deficitária, culpabilizando directamente a Administraçom autonómica pola situaçom.

Quintana e o BNG: defensores do galego?

Diante de semelhante panorama, o porta-voz do BNG nom demorou a aproveitar os minutos de presença mediática para se armar em defensor da causa galega. Com inaudita desvergonha, denunciou a política do PP, por nom levar à prática os consensos assinados polas três forças parlamentares, e culpabilizou em exclusiva e sem qualquer "sombra" de autocrítica os governos do PP pola nefasta situaçom actual.

Haverá que lembrar ao senhor Quintana e ao seu grupo político a co-responsabilidade que lhe corresponde por ter assinado uns pactos (nomeadamente o Plano Geral de Normalizaçom da Língua Galega) de perfil "bilingüista harmónico" e incumpridos nom só durante o fraguismo, mas também nos dous anos de legislatura actual. De facto, o continuísmo em política lingüística ficou patente com o recente acordo para a aprovaçom de um novo "Decreto para a promoçom do galego no ensino" que mantém o rumo num impossível "bilingüismo equilibrado" concretizado nas últimas décadas na liquidaçom da maioria social galegofalante no nosso país.

NÓS-Unidade Popular volta a denunciar política lingüística do bipartido

NÓS-UP voltou a representar a verdadeira oposiçom política ao bilingüismo oficial, emitindo um duro comunicado em que analisa o significado do diagnóstico do Conselho Escolar da Galiza e evita limitar ao PP as responsabilidades. A formaçom independentista e socialista estende ao PSOE e ao BNG o protagonismo na política de extermínio da nossa comunidade lingüística, que de maneira eloqüente define como "soluçom final do espanholismo".

Pola gravidade do tema, achamos de interesse reproduzir o comunidado de NÓS-Unidade Popular, que foi disponibilizado no seu web, na íntegra:

Comunidado de NÓS-UP perante os novos dados sobre língua e ensino: a espanholizaçom avança enquanto o PP, o PSOE e o BNG traficam com os nossos direitos lingüísticos

A esquerda independentista leva anos a denunciar a "soluçom final" que o Estado espanhol está a aplicar de maneira efectiva à nossa comunidade lingüística. Agora que o próprio Conselho Escolar da Galiza reconhece o evidente papel espanholizador do ensino perpetrado na Comunidade Autónoma da Galiza nos últimos 25 anos, NÓS-Unidade Popular insiste numha séria denúncia que apela à nossa consciência nacional: O galego-português falado a norte do rio Minho corre sério risco de desapariçom em poucas décadas e as três forças políticas parlamentares limitam-se a traficar com os nossos direitos lingüísticos e olhar para outro lado.

O relatório feito público polo Conselho Escolar da Galiza confirma que o sistema educativo que padecem os nossos filhos e as nossas filhas é umha perfeita maquinaria espanholizadora, que já conseguiu, entre outras cousas, os seguintes objectivos históricos do espanholismo:

1. Fazer do alunado galegofalante umha minoria absoluta em todos os níveis educativos.

2. Reforçar o espanhol como principal língua veicular também no professorado, apesar dos milhons de euros investidos em inservíveis cursos de formaçom durante as últimas décadas.

3. Impedir que as equipas de normalizaçom funcionem como tais na maior parte dos centros de ensino da Galiza, limitando-as a umha funçom inofensiva como agentes dinamizadores da galeguizaçom dos mesmos.

4. Desactivar a imprescindível autoorganizaçom nos sectores que componhem a comunidade educativa em defesa do direito à língua das estudantes e os estudantes galegos.

O reconhecimento por parte de um organismo oficial como o Conselho Escolar da Galiza do fracasso absoluto do autonomismo em matéria de galeguizaçom é um facto objectivo incontestável, que obriga os sectores sociais defensores da nossa língua e da nossa identidade a dar um passo em frente na defesa activa dos nossos direitos lingüísticos e nacionais. Para tal, é imprescindível rejeitarmos o autonomismo e exercermos a soberania nacional e lingüística.

Como parte desse movimento social que ainda acredita no futuro da Galiza e da nossa língua, NÓS-Unidade Popular quer declarar solenemente duas cousas:

1. O Partido Popular e os seus nefastos 16 anos de fraguismo é responsável desta situaçom, mas nom é o único responsável da mesma. Também o PSOE e o BNG som co-responsáveis, pois em quase dous anos à frente da Junta estám a dar continuidade ao "bilingüismo harmónico" do PP, através de falsos consensos que impedem o avanço do reconhecimento dos nossos direitos lingüísticos.

2. A esquerda independentista continuará a fazer da defesa da língua um dos ingredientes essenciais para a construçom nacional da Galiza, e apela nesse sentido ao incremento do trabalho e a luita social e política em defesa do nosso idioma.


Direcçom Nacional de NÓS-Unidade Popular

Galiza, 10 de Abril de 2007

 

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