Capitalismo mata: mudança climática é já um facto

2 de Fevereiro de 2007

Já quase ninguém nega a evidência: o aquecimento global é umha realidade quantificável e com projecçons para o século em curso, que incluem umha margem de aumento dentre 1,8 e 4 graus e umha ascensom das águas de 58 centímetros devido ao desgelo polar. Fortes secas e vagas de calor vam alternar caoticamente produzindo todo o tipo de disfunçons ambientais, numerosas espécies animais e vegetais estám condenadas à extinçom, a desertizaçom avançará e a camada de ozono aumentará pola emissom de gases de efeito de estufa.

Nom falamos de ciência ficçom. A própria ONU publicou hoje mesmo o seu informe relativo ao chamado Painel Internacional para a Mudança Climática, elaborado por um organismo que formam mais de 2500 cientistas, que coincidem em atribuir o processo à actividade humana.

Se até nom há muito os magnatas do neoliberalismo e os seus governos se limitavam a negar a evidência, agora os media do sistema tentam estender a responsabilidade de maneira abstracta, "à espécie humana", sem maiores precisons, conduzindo ao niilismo de ligar a destruiçom do planeta com a própria natureza das sociedades humanas.

Porém, a realidade histórica é clara: foi a ocorrência do capitalismo na sua fase industrial que iniciou a devastaçom, e é hoje o capitalismo que impom as políticas energéticas, industriais, de consumo, de transporte, etc, à medida do enriquecimento linear de umha minoria sem olhar a meios nem atender a "escrúpulos" ambientalistas. Os dirigentes do capitalismo mundial estám dispostos a levar-nos ao colapso planetário no caminho do seu próprio afám de lucro. Portanto, só a destruiçom do modo de produçom capitalista poderá evitar o desastre, e essa destruiçom é urgente. Nom há muito tempo e cada dia que se passa ameaça mais gravemente a vida futura dos nossos filhos e as nossas filhas.

A Galiza, em plena mudança climática

O nosso país nom fica à margem das catastróficas mudanças. O mar subirá na nossa costa a um ritmo de 2,2 milímetros anuais, situando-se entre os valores mais altos da Europa, e as temperaturas, 3,6 graus nos próximos 50 ou 70 anos. De facto, desde a década de 70 a temperatura média galega vem aumentando a ritmo de 1 grau por década.

As secas começarám a afectar-nos de maneira significativa, e converteremo-nos num país cálido, transformando-se o nosso clima tradicional de maneira brusca aproximando-se do existente no sul da Península. Os incêndios continuarám e as chuvas tornarám cada vez mais escassas, mas ao mesmo tempo mais intensas e devastadoras, e a extinçom de espécies vai situar-nos também nos primeiros lugares da Europa nos próximos anos.

Nada disso impede que a burguesia galego-espanhola e as trasnacionais continuem a fazer da nossa naçom umha das maiores emissoras de dióxido de enxofre e de CO2, como sucede em centrais térmicas como a das Pontes e Meirama, nem que forças ditas "progressistas" como o PSOE ou o BNG defendam o aumento da "quota de emissom", assumindo a mais pura lógica do neoliberalismo predador e igualando-se com o PP também nesse aspecto.

Insistimos num aspecto essencial: nom falamos de prognósticos "políticos" da esquerda independentistas ou do movimento ambientalista. Trata-se de informes realizados polas próprias instituiçons internacionais do capitalismo, o que permite aventurar que a situaçom poda vir a ser ainda pior.

Processo irreversível?

Só a vitória do socialismo a nível internacional poderá suspender a sentença de morte assinada polos donos do mundo contra a nossa espécie e contra a vida, como até hoje a conhecemos, no planeta. E quando afirmamos isto, nom estamos a falar da reproduçom do capitalismo estatalizado que representárom os ensaios fracassados de socialismo ao longo do século XX. É preciso construirmos o socialismo, o comunismo, do século XXI, única esperança para a mudança de fundo que o capitalismo nunca empreenderá para a salvaçom do nosso planeta e da nossa espécie.

A destruiçom do cancro capitalista e a construçom da sociedade alternativa é também responsabilidade dos galegos e as galegas. Eis o compromisso que como militantes comunistas assumimos perante a Galiza e o mundo.

 

Voltar à página principal