Justiça espanhola assume receitas da extrema-direita para combater soberanismo basco

26 de Janeiro de 2007

A decisom do tribunal espanhol especial para casos políticos, a Audiência Nacional, de manter a prisom para o preso político basco Iñaki de Juana Chaos, reafirma a linha dura marcada poucos dias antes com as condenas a 24 jovens independentistas por parte do Tribunal Supremo, e assumida polas altas instáncias da magistratura, maioritariamente ligadas ao Partido Popular, como fórmula para deter o avanço das posiçon soberanistas no País Basco.

A intensa repressom nom consegue calar as ánsias de liberdade do povo basco

O pedido da fiscalia de que fosse concedida licença para o cumprimento da condena em regime domiciliar, atendendo ao grave risco de morte que o preso enfrente após mais de 80 dias de greve de fame, foi rejeitado pola maioria do pleno da Audiência Nacional. A decisom do tribunal especial madrileno só admite a leitura de que um sector importante dos poderes fácticos do Estado aposta no prolongamento do confronto violento para tentar afogar o independentismo basco.

Poderes político e judicial, com a cobertura mediática, alimentam a vingança como receita

Assim, de Juana continuará a sua agónica luita contra a arbitrária condena a doze anos por ter escrito dous artigos de imprensa publicados no diário Gara, ao ser-lhe aplicada umha nova doutrina inventada ad hoc para evitar que os presos e presas bascas, quando acabam de cumprir as suas condenas, podam recuperar a liberdade.

O carácter totalmente antidemocrático da que já ficou conhecida por "doutrina Parrot" nom impede que o PP, o PSOE, os órgaos judiciários e os mass media sistémicos, com diversos matizes, alimentem essa via. Especialmente chamativo é comprovar como o PSOE fica preso dos acordos assinados no passado com a extrema-direita aznarista para o combate ao independentismo basco. Uns acordos cujos rescaldos impedem agora a Zapatero marcar umha linha parcialmente diferente à que Rajoi e os juízes pró-PP, junto a meios como El Mundo o a COPE, e entidades como a ultra AVT, conseguem impor apesar de estarem na oposiçom e nom no governo.

Os exaltados da AVT , com o apoio entusiasta do PP e a passividade cúmplice do PSOE, pretendem representar a voz de todas as vítimas do conflito basco-espanhol

As duas balanças da (in)justiça

A posiçom inflexível dos juízes espanhóis contra Iñaki de Juana, que há dous anos devia estar livre após 18 de prisom efectiva, contrasta com o facto de todos os envolvidos em graves crimes de todo o tipo, em relaçom com a actividade dos GAL, estarem já livres. Referimo-nos a altos cargos do Ministério do Interior espanhol nos anos 80, como José Luís Vera, ou generais como Rodríguez Galindo, entre outros, condenados por torturas, assassinatos e roubos maciços aos cofres do Estado, e que nom passárom mais de uns poucos meses no cárcere, cumprindo menos de 10% das condenas impostas.

Manipulaçom mediática -e política- a nu

Entretanto, a televisom equatoriana desvendou a manipulaçom mediática espanhola em torno das mobilizaçons pola morte de dous trabalhadores imigrantes no último ataque bombista da ETA em Madrid.

Enquanto os aparelhos do Estado manipulavam as massas nas ruas para legitimar as posiçons oficiais, o pai de um dos jovens falecidos culpabilizava directamente o Governo espanhol pola negligência que impediu o salvamento dos dous jovens, umha vez que existírom reiterados avisos da organizaçom armada basca e familiares de ao menos umha das vítimas advertírom com tempo de que estava a dormir no interior do veículo.

O pai de Diego Estacio desmarcou-se da linha oficial com que insistentemente nos martelárom os canais de televisom, rádios e jornais oficiais. Aposta num acordo negociado como melhor soluçom ao conflito basco, e fai-no de maneira razoada, apontando directamente para a responsabilidade do Estado espanhol. Tememos que os canais "democráticos" nom vam difundir essas declaraçons tam pouco convenientes ao discurso teoricamente unánime das vítimas. Porém, é bom sabermos que nem todas aderem à linha ultra representada pola AVT, Foro de Érmua e demais comparsas do PP. Eis o recomendável vídeo com as declaraçons do trabalhador equatoriano de 4,34 m:

 

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