Entrevista com Abraám Alonso Pinheiro, candidato de Ponte Areas de Esquerda

25 de Maio de 2007

Achamos de interesse, neste último dia da campanha das eleiçons municipais, reproduzir a entrevista publicada no blogue de umhas das poucas candidaturas da esquerda soberanista que foi possível apresentar ao processo eleitoral que culmina no próximo domingo. No caso da lista encabeçada por Abraám, foi possível integrar num projecto municipal sectores diversos do provo trabalhador de Ponte Areas, incluída a populaçom imigrante.

Acrescentamos abaixo o vídeo eleitoral de Ponte Areas de Esquerda.

Porque se apresenta Ponte Areas de Esquerda às eleiçons municipais?

Porque é necessário, chegou o momento de que a esquerda independentista comece a contar com representaçom nas instituiçons, neste caso nas de ámbito municipal. Com a nossa presença nos Concelhos devemos consolidar a presença social que levamos anos construindo, demonstrando que o noso movimento tem capacidade pode contribuir para modificar a desfeita urbanística e ambiental, democratizar a instituiçom e aplicar umha política realmente de esquerda soberanista que questione as receitas neoliberais e faga do poder local um bastiom da construçom nacional da Galiza.

No caso concreto de Ponte Areas, onde salvo um efémero e ineficaz governo PSOE-BNG, sempre governou a direita mais autoritária, unicamente a nossa entrada no Concelho garantirá um governo de esquerda que aplique um programa verdadeiramente de esquerda. A curta experiência do bipartido local e também a experiência da actual Junta da Galiza manifesta o frustrante continuísmo do PSOE-BNG em relaçom à etapa do PP. Sem a presença de Ponte Areas de Esquerda no Concelho, é impossível introduzir mudanças reais.

Desde o primeiro momento, seremos intransigentes na hora de defender os interesses da classe trabalhadora e nom vamos dar trégua à corrupçom e desgoverno generalizado que caracteriza a política institucional.

Como é a candidatura de Ponte Areas de Esquerda?

Somos umha candidatura qualitativamente diferente ao resto. É configurada unicamente por trabalhadoras e trabalhadores, por gente jovem, por activistas e luitadoras de alguns dos movimentos sociais mais dinámicos do Condado: gente que participou na plataforma contra a retirada da simbologia fascista, mulheres da AMC, militantes da cultura galega, do local social Baiuca Vermelha, etc.

Contamos com a única lista paritária, e somos alheios à política espectáculo da banalidade e a corrupçom. A única razom que nos move a apresentar-nos é defendermos os interesses da maioria social. À diferença do resto, a nossa integridade está garantida, nom temos nengumha relaçom, nengum vínculo de dependência com as máfias da construçom, com imobiliárias, grupos empresariais.

Mas nom só. Também recolhemos a nova Ponte Areas, a gente imigrante, @s nov@s pontearean@s que vinhérom trabalhar e viver connosco, tal como figérom centenas de vizinh@s que emigrárom à Latino-America e à Europa. Por este motivo, a imigraçom tem umha forte presença na nossa candidatura e no projecto da esquerda independentista. O País está assistindo a profundas mudanças na sua morfologia sócio-laboral, e um dos reptos e lograrmos incorporar à construçom nacional da Galiza @s trabalhadoars/es que procedem de outras latitudes geográficas.

BNG-PSOE nom aplicam políticas de esquerda?

Nestes quatro anos pudemos comprovar que o grau de coincidência entre as quatro forças institucionais, entre a UCPA, -umha cisom pola direita do PP-, e o BNG-PSOE é mui elevado. As diferenças entre estes quatro partidos som imensamente menores do que aparentam pois carecem de vontade real para frearem a especulaçom urbanística, para solucionarem os problemas reais. Existe um consenso na hora de aplicarem políticas neoliberais que privatizam serviços e só beneficiam as grandes empresas.

É necessário pressionarmos as instituiçons mediante a mobilizaçom social, mas também logrando representaçom municipal que obrigue a aplicar um programa que democratize o Concelho, gere emprego, atenda às demandas da juventude e da imigraçom, solvente o caos e a especulaçom urbanística, nom discrimine as paróquias e faga da vila de Ponte Areas um sítio mais confortável e humano.

Só Ponte Areas de Esquerda tem a coragem suficiente para denunciar a desfeita urbanística e ambiental que padece Ponte Areas polos mais de trinta anos de governos de extrema-direita, representados por Nava Castro.

Seremos inflexíveis com a corrupçom e com os lobbies de poder que governam na sombra.

Umha das primeiras medidas que adoptaremos se lograrmos ser o elemento chave do novo Concelho emanado das eleiçons de 27 de Maio é rebaixar os escandalosos salários dos políticos. A política está para servir ao povo nom para se lucrar dele.

Nestes meses de permanente actividade, com denúncias e propostas construtivas tendes tomado o pulso da gente?

O apoios que estamos a receber constatam que somos a candidatura revelaçom destas eleiçons. Porém, nom é fácil competir com a maquinaria eleitoral das forças sistémicas e com a ocultaçom a que nos submetem os meios de comunicaçom.

Nom devemos esquecer que, no caso de Ponte Areas, o autonomismo nom atingiu representaçom até a quinta tentativa, em 1995. Para a esquerda independentista, termos apresentado candidatura em si mesmo é um sucesso, pois este objectivo seria impensável nas anteriores eleiçons municipais. O avanço do projecto da esquerda independentista num concelho como Ponte Areas, em plena transformaçom, um autêntico laboratório social da Galiza que está fermentando, necessita dumha representaçom institucional para consolidar o trabalho social. Deve existir umha dialéctica entre o ámbito político e o social. Sem a combinaçom de ambos, nom é possível construirmos um projecto revolucionário na Galiza cujo horizonte estratégico seja a Independência, o Socialismo e a superaçom do patriarcado. Para podermos atingir representaçom temos que superar os 600 votos, um objectivo nada fácil de atingir.

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