Equador e Venezuela: cresce a vaga de mudanças!

1 de Dezembro de 2006

Publicamos o artigo publicado polo diário basco Gara, da autoria de Narciso Isa Conde, do escritor e articulista Narciso Isa Conde, que no passado já colaborou na publicaçom do nosso partido, Abrente. Nesta ocasiom reproduzimos, traduzida para a nossa língua, a sua análise das expectativas abertas para a América Latina e o mundo com a vitória do candidato anti-imperialista equatoriano, Rafael Correa, nas eleiçons do passado domingo, às portas das eleiçons que neste mesmo fim de semana decorrerám na Venezuela.

Equador e Venezuela: Cresce a vaga de mudanças!

Narciso Isa Conde

Se a vitória de Rafael Correa e a Aliança País parecia difícil em primeira instáncia foi porque em primeiro turno o voto anti-direita, anti-oligarqui, anti-Bush.. estava parcialmente dividido.

No segundo turno, impujo-se o saudável temor à conversom do Equador numha quinta ou empresa sob controlo privado e sob tutela absoluta dos falcons de Washington. A quinta de mister Noboa e Mister Bush, ou a maquila deles e os seus associados nessa perversa sociedade.

Impujo-se o interesse de mudança por cima de quem a chefiasse. E, decerto, Rafael Correa tinha formulado compromissos muito sérios face a transformaçons muito sérias: justa distribuiçom da renda petroleira, zero neoliberalismos, nom TLC, nom base militar estado-unidense em Manta, nom FMI, nom Banco Mundial, programa de desenvolvimento agropecuário e industrial, distáncia perante o Plano Colômbia, defesa dos emigrantes, resgate da soberania, amizade com Chávez e Cuba, discurso anticapitalista e defesa do projecto socialista do século XXI.

Podia dizer-se que estas som apens palavras e certamente ninguém deveria ficar alarmado por surgir a dúvida e a desconfiança num país onde Lucio Gutiérrez fijo o que fijo, atrasando as possibilidades de um projecto alternativo anelado por umha grande parte da sociedade.

De qualquer maneira, fôrom palavras muito melhor articuladas e muito mais comprometedoras, geradoras de umha consciência transformadora mais extensa e mais profunda do que as criadas em campanhas anteriores.

Palavras que, caso nom sejam cumpridas, pulverizam em pouco tempo qualquer liderança, sobretodo nas actuais condiçons do Equador.

Por isso nom tenho dúvida de que essa vitória foi tremendamente positiva, evidenciando, mais umha vez, a potência da vaga transformadora continental. Umha vaga em ascenso e expansom, cujos ritmos e obstáculos variam. Também as suas profundezas. Mas quer em “rodillos” às vezes, quer em tractores outras, quer em autocarros ou automóveis de alta velocidade, nom se detém. Avança, cresce, multiplica-se.

Um grande fôlego para a Venezuela bolivariana.

Um estímulo para as forças da mudança na Colômbia, reforçado polo compromisso expresso do presidente eleito Rafael Correa de nom aceitar o qualificativo de “terrorista” contra as FARC e nom favorecer o Plano Colômbia de Bush e Uribe, ao que todo indica dirigido contra toda a soberania da regiom amazónica.

No Equador existe um grande sentimento de amizade para com o povo colombiano, e um grande respeito e admiraçom para com a sua insurgência armada e restantes forças políticas e sociais da mudança.

Essa realidade e convicçons bem firmes explicam esse passo audaz de diferenciaçom a respeito dos promotores do estigma e o descrédito contra a heróica FARC.

Um contributo de incomensurável valor. Um gesto de vangarda que deve alastrar pola América toda, fortalecer-se na Venezuela, no Brasil, no Uruguai, em Cuba…; ser assumido por todas as forças progressistas e revolucionárias do continente e do mundo.

O persistente movimento revolucionário colombiano, assediado tenaz e agressivamente polo novo imperialismo, necessita mais oxigénio, maiores espaços, maior solidariedade. E a atitude de Rafael Correa e a Aliança País, aponta nessa boa direcçom. Imitá-la é questom de honra e justiça.

Se antes nom havia dúvidas sobre a iminente reeleiçom de Chávez, após o acontecido no Equador, fortalece-se a tendência nom apenas para ganhar, mas para fazê-lo esmagadoramente.

A nossa América, no fim de contas, é umha e o destino de um influi sobre os outros, mais quando a proximidade é tal.

O processo para a revoluçom na Venezuela fortaleceu as correntes pola mudança no Equador e a mudança no Equador impacta positivamente a campanha eleitoral bolivariana e todos os processos de acumulaçom de forças transformadoras na nossa América.

A Cuba ninguém podia pedir-lhe mais do que o imenso contributo da sua resistência digna e heróica. E decerto deu muito mais do que isso, como parte deste maravilhoso “eixo do mal”.

O Equador tem todas as condiçons para entrar num processo de acompanhamento da Venezuela, Cuba e a Bolívia, como parte da parte mais avançada dos governos montados sobre esta nova vaga transformadora regional.

O ALBA tende para crescer e o Bloco Regional do Poder Popular também. A Coordenadora Continental Bolivariana (CCB), que com tanta persistência defendeu a necessidade de expandir a vaga e articular as suas forças de vanguarda, tem agora mais razons e possibilidades para avançar nessa direcçom.

A vitória do passado domingo no Equador terá de ser reforçada pola deste domingo na Venezuela, chamada a roçar o caminho do tránsito para a sociedade pós-neoliberal, de profunda essência anti-imperialista e anti-capitalista; o tránsito pós-neoliberal para o socialismo do século XXI, para o novo socialismo que estamos no dever de recriar com pensamento e acçons.

Mas cumpre nom cair na auto-complacência. O império decadente, pentagonizado e ferido, tentará despregar sucessivas contraofensivas que terám de de ser derrotadas. Umha por umha, TODAS!

 

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