Armada Espanhola espolia património histórico da Galiza

23 de Maio de 2007

Ao que todo indica, a Armada Espanhola terá espoliado património nacional galego submerso na praia de Sardinheiro, em Fisterra. Um galeom do século XVI ali afundado parece ter sido objecto de roubos de grande valor, incluindo um canhom e oito lastros de chumbo, segundo as primeiras pesquisas de técnicos da Conselharia da Cultura da Junta da Galiza, que já anunciou umha possível denúncia contra o Exército do Mar espanhol.

Contodo, as pesquisas vam continuar nos próximos dias, já que podem ter sido roubados mais objectos de águas galegas, o que suporia umha infracçom "grave" punida com entre 60.000 e 15.000 euros de multa, ou até por via penal, em funçom da avaliaçom jurídica do que seria um caso de "apropriaçom indevida".

Fôrom vários trabalhadores do mar que dérom a voz de alarme pola presença de militares espanhóis, em barcos da Armada, a mergulharem na área em que o barco do século XVI permanece afundado, no passado dia 15 de Maio. Outros vizinhos e vizinhas confirmárom que havia um camiom, também do Exército espanhol, à espera para o transporte dos objectos espoliados.

A Direcçom Geral do Património, alertada pola vizinhança, iniciou trámites de investigaçom do acontecido. Porém, é a Guarda Civil, corpo também militar e também espanhol, a encarregada da investigaçom policial, o que fai pouco provável a colaboraçom num hipotético processo penal que seria inédito até hoje, caso a Junta acabe por ir avante com a denúncia.

Há que lembrar que os museus espanhóis, nomeadamente o "Arquivo Histórico Nacional" de Espanha, em Madrid, mantenhem no seu poder numerosa e valiosa documentaçom antiga galega, com destaque para a medieval, junto a outros objectos do património nacional da Galiza que, até hoje, nem serquer foi reclamado polas instituiçons autonómicas.

Investigadores, investigadoras e público galego em geral vê-se obrigado a viajar à capital espanhola e pedir licença a organismos alheios à Galiza para aceder, estudar ou admirar um património histórico que pertence por direito próprio ao nosso povo. Mais umha face, pouco conhecida, das conseqüências da nossa dependência.

 

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