PP, PSOE e BNG descartam a definiçom da Galiza como naçom no articulado do novo Estatuto

15 de Janeiro de 2006

O circo institucional à volta de umha reforma estatutária que garanta outros 25 anos de submetimento da Galiza à soberania espanhola continua. Se o BNG tinha apresentado inicialmente (a finais de 2005) umha ambiciosa proposta como autojustificaçom perante os amplos sectores populares que ainda acreditam no seu suposto carácter soberanista, no ponto actual do processo, o próprio Quintana descarta aquele texto, de que já ninguém fala, e os sucessivos sucedáneos do mesmo.

Fagamos memória

Foi um 17 de Dezembro de 2005 quando o BNG apresentou um documento que era elaborado a partir do anterior do Foro Novo Estatuto, promovido pola mesma força política, com propostas que inclusive a esquerda independentista valorizou como positivas. Assim, NÓS-UP, mesmo indicando as "limitaçons congénitas" ligadas à afirmaçom de umha alegada "assunçom voluntária" da adesom a Espanha por parte do povo galego, maquilhando o ordenamento jurídico vigorante, chegou a "congratular-se" das medidas "acertadas" que o texto continha. De facto, NÓS-Unidade Popular afirmou na altura que "este documento de máximos do autonomismo poderia ser assumido parcialmente como ponto de partida de uns mínimos nacionais da esquerda independentista."

No entanto, a própria NÓS-UP alertava sobre a natureza da proposta inicial do BNG e as escassas perspectivas que podiam conceder-se-lhe. Assim, a formaçom independentista e socialista afirmava na altura que "sabemos que esta coincidência se acha naquela parte deste articulado a que precisamente o BNG tem pensado renunciar, sacrificando-a, quando menos na sua imensa maioria, à hora de estabelecer umha negociaçom com o PSOE e o PP."

"A esquerda independentista -afirmava NÓS-UP a inícios de 2006- sabe que no corpo social dessa nebulosa nacionalista há umha tendência doentia a positivizar no possível um BNG que se entende como a única opçom realista." Daí que, ao mesmo tempo que reconhecia os valores positivos do texto, anunciasse que iria acabar como finalmente acabou: no caixote do lixo.

Com novo ou com velho estatuto, o povo galego nom decide

Hoje, como dizíamos, já ninguém no BNG fala desse texto e a dirigência afirma estar disposta a assumir um novo estatuto continuísta que, na hipótese mais ambiciosa, apenas acrescentará algumhas novas competências cedidas polo Estado e incluirá no preámbulo qualquer fórmula retórica e vazia quanto ao sentimento nacional, mais em linha com o aprovado na Andaluzia do que na Catalunha.

Neste sentido, o critério de entidades como a CIG, que reclamou perante a Comissom Parlamentar o reconhecimento efectivo dos direitos nacionais, e de outras muitas entidades sociais, como as Bases Democráticas Galegas ou a própria esquerda independentista, que fôrom excluídas das consultas da referida Comissom, fica totalmente descartado, como era de esperar.

Os espanholismos duro e brando (PP e PSOE, respectivamente) e o autonomismo cada vez mais pró-espanhol do BNG avançam assim de maos dadas no caminho de imporem ao nosso povo umha paródia de referendo sem mais opçom que escolher entre autonomia e mais autonomia, sem possibilidade de optarmos como povo, como naçom, por um futuro de liberdade para a Galiza.

Nesta altura, o nefasto processo de reformas, realizado de costas à sociedade galega, só pode trazer de positivo que novos sectores populares deixem de atribuir ao BNG qualquer virtualidade transformadora e soberanista. É preciso vermos a realidade, assumirmo-la com toda a sua dureza, e alargarmos espaços de trabalho verdadeiramente soberanista e pola ruptura democrática em favor da maioria social galega.

O BNG há tempo que optou por situar-se do lado do institucionalismo espanhol, contra a nossa soberania nacional, e aplicando, além do mais, políticas perfeitamente homologáveis aos outros partidos em conteúdos sociais, as que conhecemos polo nome de neoliberalismo, nas parcelas de poder institucional a que tem acedido.

 

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