NÓS-UP avalia fracasso da reforma estatutária

19 de Janeiro de 2007

Reproduzimos na íntegra a avaliaçom política difundida por NÓS-Unidade Popular em relaçom ao estrepitoso fracaso das três forças parlamentares da Autonomia galega, incapazes finalmente de consensualizar um texto comum.

Em opiniom de NÓS-UP, apesar das coincidências de fundo, PP, PSOE e BNG situárom primeiro os interesses partidistas que o que afirmavam ser "imprescindível reforma". Eis o comunicado da formaçom independentista e socialista galega.

Depois de meses de reunions a várias bandas, comissons parlamentares, declaraçons e polémicas tam pomposas como carentes de conteúdos alternativos reais, as forças políticas representadas no Parlamento autonómico galego tivérom que vir a reconhecer, nesta mesma semana, o seu fracasso na tentativa de acordarem um novo Estatuto de Autonomia. Um facto que nom por previsível deixa de ter a sua importáncia, merecendo as seguintes consideraçons por parte de NÓS-Unidade Popular:

NÓS-Unidade Popular perante a fracassada farsa da reforma estatutária

1. Nestes longos meses, a maioria do nosso povo assistiu ao paroxismo da política-espectáculo, aos jogos malabares dos três principais actores políticos da autonomia para acordarem um novo texto que, dando continuidade à dependência da Galiza, aparentasse representar um avanço na posiçom que o nosso país ocupa no cenário de poder institucional espanhol. É evidente que os particularismos e interesses imediatos de cada força impedírom um acordo de consenso, questionando a suposta “importáncia” de um estatuto continuísta para os interesses da Galiza.

2. Assim, com o passar dos meses, vimos como o BNG foi esquecendo a sua proposta quase-soberanista de Dezembro de 2005, até ficar reduzida ao nada. Conformando-se com algumhas novas competências, a cessom de mais dinheiro do Estado e umha referência inócua ao carácter nacional da Galiza no Preámbulo do novo texto, o BNG procurou o apoio do espanholismo mais “moderado” do PSOE, mas nem assim conseguiu que o PP facilitasse o que Tourinho e Quintana apresentariam como vitória com umhas eleiçons municipais às portas.

3. A vaza da direita espanhola, representada por Feijó, após ter conseguido um inaudito entreguismo do BNG e todas as atençons do PSOE de Tourinho, continua a ser armar-se em defensor de umhas essências hispanas que, na verdade, nengumha das três forças parlamentares pom em risco, mas que entra na lógica da aposta estratégica do PP a nível estatal.

De facto, o puro jogo pré-eleitoral e o pior partidarismo, postos em cena de costas à maioria social, substituírom nestes meses o que deveria ter sido um debate amplo, aberto e sem restriçons sobre os direitos que assistem ao nosso povo para decidir sobre o seu futuro em relaçom aos povos vizinhos e ao seu estatuto jurídico-político, e sobretodo em relaçom à imprescindível posta em prática desses direitos.

4. Apesar do anterior, os sectores sociais galegos ainda comprometidos com posiçons soberanistas sabem que, durante os últimos dous anos, NÓS-Unidade Popular e a esquerda independentista no seu conjunto apresentou análises, propostas e iniciativas políticas construtivas frente ao limitado e antidemocrático processo de reformas promovido polas forças institucionais. Denunciamos também a nossa exclusom da Comissom Parlamentar, ao mesmo tempo que apoiamos o critério exposto polo sindicalismo nacional e de classe nesse foro, coincidindo na reivindicaçom do reconhecimento do direito de autodeterminaçom como chave para qualquer verdadeiro avanço democrático e de futuro para a Galiza.

Afirmamos, em definitivo, que a farsa da reforma em curso tinha pouco a ver com os verdadeiros interesses da maioria social, estando verdadeiramente ao serviço da estabilidade institucional do modelo imposto polo Estado espanhol em 1978 e nom dos nossos direitos nacionais nem dos interesses de classe da maioria social galega.

5. Se para algo servírom estes meses de ficçom institucional, foi para que o BNG reafirmasse nom só a sua progressiva direitizaçom, mas também a sua imparável deriva autonomista e contrária à soberania nacional galega. Também para que, na mesma medida, se tenha reafirmado a necessidade objectiva de que os diversos sectores soberanistas e de esquerda demos passos na articulaçom de umha força verdadeiramente significativa e com projecçom social que afronte as prementes necessidades do povo trabalhador galego com base no exercício dos nossos direitos nacionais e de classe.

6. Como conclusom a este gorado processo de reforma estatutária, NÓS-Unidade Popular fai um apelo à reflexom de todos os sectores verdeiramente comprometidos com o futuro da Galiza e do seu povo trabalhador, para avançarmos na superaçom de toda ilusom reformista e autonomista; para unirmos forças na luita por umha Galiza socialista, nacionalmente emancipada e livre da opressom patriarcal.

Em tam ineludível tarefa, o nosso povo poderá contar sempre com as modestas forças e o compromisso inabalável de NÓS-Unidade Popular.

Direcçom Nacional de NÓS-Unidade Popular

Galiza, 19 de Janeiro de 2007

 

 

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