A resposta brutal

11 de Abril de 2007

A liberdade condicional cedida pola justiça estado-unidense, por pressons do governo Bush, ao terrorista internacional Posada Carriles, na passada sexta-feira, é contestada polo líder revolucionário cubano, Fidel Castro, neste artigo publicado na imprensa da ilha. A seguir, apresentamos-vos a traduçom para a nossa língua, contribuindo assim para o conhecimento desse caso e das agressons historicamente dirigidas pola Casa Branca contra o heróico povo cubano.

A resposta brutal


Fidel Castro Ruz

O mais genuíno representante de um sistema de terror que foi imposto ao mundo pola superioridade tecnológica, económica e política da potência mais poderosa que o nosso planeta conheceu, é sem dúvida George W. Bush. Partilhamos, por isso, a tragédia do próprio povo norte-americano e os seus valores éticos. Só da Casa Branca podiam proceder as instruçons para a resoluçom ditada por kathleen Cardone, juíza da Corte Federal de El Paso, Texas, na passada sexta-feira, a conceder a liberdade sob fiança a Luís Posada Carriles.

Foi o próprio presidente Bush que eludiu em todo o momento o carácter criminoso e terrorista do argüido. Foi protegido, imputando-lhe umha simples violaçom de trámites migratórios. A resposta é brutal. O governo dos Estados Unidos e as suas instituiçons mais representativas resolvêrom com antecedência a liberdade do monstro.

Os antecedentes som bem conhecidos e venhem de muito atrás. Os que o treinárom e lhe ordenárom destruir um aviom cubano de passageiros em pleno voo, com 73 atletas, estudantes e outros viageiros nacionais e estrangeiros a bordo, além da sua abnegada tripulaçom; os que, estando preso o terrorista na Venezuela, comprárom a sua liberdade para subministrar e praticamente dirigir umha guerra suja contra o povo da Nicarágua, que significou a perda de milhares de vidas e a ruína do país por décadas; os que lhe dérom faculdades para contrabandear com drogas e armas a fim de evitar as leis do Congresso; os que com ele criárom a terrível Operaçom Cóndor e internacionalizárom o terror; os que levárom a tortura, a morte e muitas vezes a desapariçom física de centenas de milhares de latino-americanos, era impossível que agissem de outra forma.

Nom por esperada, a decisom de Bush é menos humilhante para o nosso povo, porque foi Cuba que, partindo das revelaçons de "Por Esto!", órgao de imprensa do Estado mexicano de Quintana Roo, completadas depois polos nossos próprios meios, soubo com toda a precisom que Posada Carriles entrou a partir de Centroamérica, via Cancum, em direcçom à Ilha Mulheres, de onde, a bordo do Santrina, após ter sido inspeccionado o aviom polas autoridades federais do México, se dirigiu junto a outros terroristas directamente a Miami.

Denunciado e emprazado publicamente o governo desse país com dados exactos sobre o tema desde 11 de Abril de 2005, demorou mais de um mês a arrestar o terrorista e demorou um ano e dous meses a reconhecer que Luís Posada Carriles entrou ilegalmente polas costas da Florida a bordo do Santrina, um suposto barco-escola matriculado nos Estados Unidos.

Das suas incontáveis vítimas, das suas bombas contra instalaçons turísticas em anos recentes, das suas dezenas de planos financiados polo governo dos Estados Unidos para me eliminar fisicamente nom se diu umha só palavra.

Nom era suficiente para Bush ter ultrajado o nome de cuba, instalando no território ilegalmente ocupado de Guantánamo um horrível centro de tortura similar ao de Abu Ghraib, que quando foi conhecido causou horror no mundo. A cruel acçom dos seus antecessores nom lhe parecia suficiente. Nom lhe chegavam os 100 mil milhons de dólares que obrigárom a gastar a um país pobre e subdesenvolvido como Cuba. Acusarem Posada Carriles era acusarem-se eles próprios.

Ao longo de quase meio século, todo era válido contra a nossa pequena ilha a 90 milhas das suas costas, que desejava ser independente. Na Florida foi instalada a maior estaçom de inteligência e subversom que tinha existido no planeta.

Nom bastava a invasom mercenária de Girom, que custou ao nosso povo 176 mortos e mais de 300 feridos quando os poucos especialistas de Medicina que nos deixárom nom tinham experiência em ferimentos de guerra.

Antes, tinha rebentado no cai do porto de Havana o barco francês La Coubre, que transportava armas e granadas de fabrico belga para Cuba, produzindo com as suas duas explosons, bem sincronizaddas, a morte a mais de 100 trabalhadores e ferimentos a outros muitos em plenos labores de salvamento.

Nom bastava a Crise de Outubro de 1962, que levou o mundo à beira limite de umha guerra termo-nuclear total, quando já existiam bombas 50 vezes mais poderosas que as que explodírom sobre Hiroshima e Nagasaki.

Nom bastava a introduçom no nosso país de vírus, bactérias e fungos contra plantaçons e rebanhos, e inclusive, embora pareça incrível, contra seres humanos. De laboratórios norte-americanos saírom alguns destes patógenos para serem transladados a Cuba por terroristas bem conhecidos, ao serviço do governo dos Estados Unidos.

A isto todo, acrescenta-se a enorme injustiça de manter em prisom cinco heróicos patriotas que, por fornecerem informaçons sobre as actividades terroristas, fôrom condenados de forma fraudulenta a sançons que atingem até duas prisons perpétuas, e suportam estoicamente, cada um deles em cárceres diferentes, cruéis maus tratos.

Mais de umha vez, o povo cubano tem desafiado sem hesitar o perigo de morrer. Demonstrou que, com inteligência, recorrendo a tácticas e estratégias adequadas, nomeadamente estreitando a unidade em torno da sua vanguarda política e social, nom haverá força no mundo capaz de vencê-lo.

Acho que o próximo Primeiro de Maio seria o dia certo para o nosso povo, com um mínimo de gasto em combustível e meios de transporte, exteriorize os seus sentimentos aos trabalhadores e os pobres do mundo.

 

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