Cidade da Cultura perfila-se como macro-negócio gerido por bancos e multinacionais

28 de Dezembro de 2006

Cada vez vai ficando mais perfilado o projecto final da Cidade da Cultura, lançado polo PP em 1999 no Monte Gaiás de Compostela e continuado polo bipartido do PSOE e o BNG após a mudança de Governo.

O último que soubemos é que o grande espaço hoje em obras, acolherá grandes centros comerciais, isso sim, "de produtos culturais" (sic). Também que a conselheira da Cultura, Ánxela Bugalho, prevê que esteja parcialmente em andamento em 2009 (dous edifícios), se bem que as obras vaiam continuar até 2012, quando se pretende que os quatro prédios fiquem inaugurados.

Enquanto o departamento responsável polo projecto, em maos do BNG, continua a falar de "foco cultural", de "promoçom internacional" e "vertebraçom do sistema cultural galego", os dados objectivos fornecidos pola própria Junta da Galiza falam de privatizaçom, negócio e elitismo, todo adubado com um dispêndio sem precedentes, de 25% dos orçamentos anuais da Conselharia da Cultura e mais de 380 milhons de euros previstos a dia de hoje.

Gestom em maos dos bancos e as multinacionais

Foi o próprio presidente da Junta, Emilio Peres Tourinho, que avançou a inícios de Dezembro a criaçom da "Fundaçom Galega para Sociedade do Conhecimento", integrada por entidades financeiras como o Banco Pastor, Caixa Galicia ou Caixa Nova, bem como multinacionais de diversos sectores económicos, tais como Inditex, Pescanova, Fadesa e Finsa, entre outras. A funçom desse organismo será gerir directamente todo o relacionado com a Cidade da Cultura.

O sistema de gestom mediante fundaçons privadas é mais um exemplo do continuísmo da actual Junta, acorde com outras áreas de governo, como a sanidade, e que segue a esteira marcada polo PP com a sua Lei de Fundaçons.

Umha fundaçom, neste caso, que reconhece explicitamente como objectivos trabalhar pola "melhoria da concorrência das empresas galegas", e que estenderá as suas actividades convertendo-se no agente encarregado da privatizaçom da política cultural da instituiçom autonómica.

Unanimidade nos partidos de ordem

Se o PSOE e, sobretodo, o BNG tivérom nos últimos anos posiçons parcialmente críticas com o dispêndio do megalómano projecto de Manuel Fraga, na actualidade os três partidos presentes na Cámara autonómica apoiam os planos do actual Governo da Junta. O neoliberalismo desembarca na política cultural, e por acaso nom precisamente da mao da direita espanhola, embora sim, como é lógico, com todas as suas bençons.

No campo político extra-parlamentar, apenas NÓS-Unidade Popular tem destacado nos últimos sete anos pola constante oposiçom ao projecto do PP, PSOE e BNG.

 

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