Caverna espanhola ataca línguas "cooficiais" e louva o cristianismo da Falange

12 de Maio de 2007

Na última semana, dous significativos exemplos mostrárom-nos a natureza do espanholismo mais autêntico através de porta-vozes qualificados de duas organizaçons bem significativas: a Igreja Católica e a Real Academia Espanhola.

Gregorio Salvador foi apoiado nas suas palavras polo nom menos chauvinista Pérez Reverte

O arcebispo católico de Pamplona e bispo de Tudela, Monsenhor Fernando Sebastián Aguilar, saltou à arena eleitoral para recomendar o voto nos partidos políticos "que querem ser fiéis à doutrina social da Igreja na sua totalidade". Quais som esses partidos? O próprio dirigente vaticanista responde à pergunta: "como por exemplo Comunión Tradicionalista Católica, Alternativa Española, Tercio Católico de Acción Política ou Falange Española y de las JONS".

Monsenhor Fernando Sebastián tem saudades de Franco, por isso pede o voto para organizaçons fascistas do ramo nacional-católico

Monsenhor lamenta a pouca influência política dessas forças da extrema-direita fascista, "pouco tidas em consideraçom, que tenhem um valor testemunhal que pode justificar o voto". De facto, o dirigente da Conferência Episcopal Espanhola mantém a esperança de que, apesar de que "nom tenhem muitas possibilidades de influir de maneira efectiva na vida política, sim poderiam chegar a entrar em alianças importantes se conseguissem o apoio suficiente dos cidadaos católicos".

De maneira "comedida", o arcebispo di que esse apoio "nom pode ser considerado como obrigatório", claro, mas sim considera essas formaçons fascistas e nacional-católicas como "dignas de consideraçom e de apoio".

Eis o feitio autêntico do aparelho de poder religioso que os sucessivos governos espanhóis "democráticos", incluído o anterior, financiam com dinheiro público, apesar do carácter supostamente "a-confissional" da Constituiçom monárquica de 1978.

Académico reivindica a língua companheira do império

Até o nível de reaccionarismo do dirigente vaticanista conseguiu empoleirar-se o vice-director da Real Academia Espanhola (RAE), Gregorio Salvador, máxima autoridade institucional em matéria lingüística para o reino de Espanha. Neste caso, o lingüista e académico afirmou com absoluta impavidez a sua preocupaçom com a "perda de falantes" do espanhol "nalgumhas comunidades autónomas", devida, polos vistos, à "imposiçom" das "línguas cooficiais".

Contribuindo, como nele é habitual, ao espalhamento de preconceitos chauvinistas variegados, Gregorio Salvador dixo que "nom todas as línguas som iguais", opinando que o número de falantes determina a entidade ou valor intrínseco de cada umha, o que converteria a "discriminaçom" contra o espanhol "nalgumhas autonomias" em facto "mais grave" do que a tam efectiva como brutal imposiçom do espanhol durante quatro décadas de ditadura franquista. A situaçom seria, sob a interpretaçom deste indivíduo, muito mais grave na actualidade para o espanhol face a idiomas falados "por um milhom e meio ou três milhons de pessoas", que estariam a ser impostos à única língua oficial do Estado...

Tendo em conta a alta consideraçom institucional atribuída polo Estado espanhol à sua Real Academia, as declaraçons do número dous dessa entidade compromete, em nossa humilde opiniom, gravemente o próprio governo e restantes instituiçons espanholas, além da própria RAE, significada polo seu carácter reaccionário e espanholista.

Porém, tanto no caso do padre facha, como no caso do lingüísta chauvinista, as altas instáncias do Estado tenhem mantido um "prudente" silêncio que nos vemos na obrigaçom de interpretar como ilustrativo do bem conhecido ditado popular: "quem cala, consente".

 

Voltar à página principal