O nacionalismo espanhol de Izquierda Unida

6 de Fevereiro de 2007

Achamos de interesse reproduzir a crónica do comportamento de IU em relaçom ao conflito basco-espanhol no Foro de São Paulo decorrido no Salvador no passado mês de Janeiro, para conhecermos um bocado mais bem as chaves dessa esquerda reformista espanhola comprometida com o submetimento de naçons como a galega, a basca ou a catalá. Trata-se da traduçom galega de um artigo publicado hoje mesmo polo diário basco Gara.

O nacionalismo espanhol de Izquierda Unida

Joseba Álvarez e Iñaki Gil de San Vicente (militantes da esquerda abertzale)

É sabido que todo Estado que oprime outros povos tem, no mínimo, três prioridades internacionais: umha, negar a existência nacional dos povos que oprime, dizendoque som apenas umha “regiom” ou no máximo umha “autonomia” da naçom dominante, a única que existe; dous, negada a sua existência, sustentar que essa “autonomia” ou “regiom” nom tem o direito básico à autodeterminaçom nacional, porque os seus “direitos” já som respeitados polo Estado; e três, portanto, toda luita em prol dos seus seus direitos nacionais negados é “antidemocrática” e objecto de repressom estatal. Duas som as bases essenciais destas teses: a defesa extrema do nacionalismo do Estado opressor e a negaçom das liçons históricas, ou seja, fanatismo e cegueira que apenas beneficiam a classe dominante.

IU assumiu estas características e converteu-se em instrumento fiel da política exterior dos governos espanhóis. A esquerda independentista basca vem sofrendo desde há muitos anos as maquinaçons, o jogo sujo, as intrigas de corredor e as mentiras de IU em eventos internacionais. Mas foi no recente Foro de São Paulo, decorrido em Sam Salvador quando levou ao extremo a sua obcecaçom autoritária. A organizaçom Izquierda Castellana, dando um exemplo de coerência democrática e internacionalista, apresentou umha resoluçom que incluía estas palavras: “Soluçom dialogada do conflito basco, fazenos um chamado a todos os sectores envolivdos nesse conflito para que, desde a aceitaçom das vias democráticas e o respeito aos direitos humanos, sejam dados passos reais e sinceros em todas as frentes que permitam desenvolver um autêntico processo de diálogo que conduza para um objectivo de paz em democracia. Este apelo fai se tanto às diversas instituiçons do Estado espanhol, quanto a todas e cada umha das organizaçons da esquerda patriótica basca”.

Como se aprecia, nom aparece qualquer mençom ao direito de autodeterminaçom, nem à independência do Povo Basco, nem muito menos a temas como os da violência de qualquer tipo, a tortura ou as vítimas. Só se fala de “soluçom dialogada, vias democráticas, respeito aos direitos humanos, sinceridade mútua, paz em democracia, etc…”. Som requisitos elementares e irrenunciáveis, prévios a outra consideraçom qualquer. No entanto, a inflexível negativa de IU impediu que o Foro de São Paulo a aprovasse e difundisse polo mundo inteiro. A quem é que beneficia este acto? Decerto que nom ao Povo Basco, que mui maioritariamente é a favor de umha soluçom negociada que atinja a paz em democracia e todos os direitos para todas as pessoas. Tampouco a mais de metade da populaçom do Estado, que concorda em que seja procurada umha soluçom negociada. Todas as sondagens e inquéritos de opiniom assim o confirmam umha vez e outra vez. IU apenas beneficia aqueles que tencionam impedir umha soluçom democrática ao conflito político em Euskal Herria.

 

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