Entrevista com um representante da esquerda independentista montenegrina

31 de Maio de 2007

GARA nos Balcanes

Reproduzimos a entrevista publicada ontem nas páginas do diário basco Gara, com o professor montenegrino Milan M. Popovic, representante da esquerda que apostou na independência do país e que, um ano depois de conquistada, fai balanço do período e das perspectivas para o Montenegro independente.

 

Entrevista com Milan M. POPOVIC

Professor de Direito e Ciências Políticas na Unviersidade de Montenegro

Iñaki SOTO

O nosso encontro com Popovic é na Faculdade de Direito da Universidade de Montenegro, em Podgorica. Como ele próprio comenta, trata-se de umha universidade pequena mas, como lembra com um sorriso, «de qualquer maneira, como di aquela famosa frase, small is beautiful! Eis a nossa ideia, nom acha?» pergunta, cúmplice. Esse comentário exprime umha parte importante do seu pensamento.

Se, há poucos dias, em relaçom ao congresso do partido de Djukanovic (DPS) utilizávamos a metáfora dos tubarons para explicarmos as sensaçons que a classe dirigente montenegrina transmitia, o professor Milan M. Popovic representa os peixes de cores do Aquário político de Cma Gora. Como na maioria dos aquariuns, os tubarons som a máxima atracçom. No entanto, após umha breve, mas intensa, estadia em Montenegro, achamos que os peixes de cores, como o próprio Popovic ou o escritor Andrej Nikolaidis, som importantes para nom deixar mprrer o fundo marinho, aumentar a biodiversidade e, lentamente, gerar espaços maiores em que os peixes grandes e pequenos podam conviver sem perigo.

PERGUNTA: Primeira questom obrigatória: como avalia este primeiro ano de independência? Continua a julgar que foi a melhor opçom, a decisom certa?

RESPOSTA: Antes do referendo, eu já predizia que, inclusive atingindo o nosso objectivo, iria abrir-se umha fase de desilusom, de algumha frustraçom. Em todo o caso, nada de especial ou dramático aconteceu neste ano. Talvez algumhas mudanças tenham sido mais rápidas do esperado, como o reconhecimento internacional da ONU, da UE... as restantes questons, como algumhas privatizaçons irregulares ou sujas que tenhem relaçom com Djukanovic e o pessoal dele, eram conhecidas com antecedência. O mais importante é que agora podemos criticar essas situaçons abertamente, fam parte do debate público. Antes do referendo, qualquer crítica contra Djukanovic era utilizada polos opsitores contra a opçom soberanista no seu conjunto. Antes do referendo, também criticávamos tendências monopolistas de Djukanovic, mas as nossas críticas eram mais medidas, mais matizadas, nom por um cálculo político, mas por umha situaçom real que tínhamos entre os dous blocos, polo confronto entre comunidades especialmente promovido por certos políticos. Agora, esse confronto relaxou de certa forma, e podemos criticar mais aberta e profundamente aquelas práticas que consideramos totalmente negativas para o desenvolvimento do País, como som o abuso de poder, as práticas monopolísticas...

"Antes do referendo, eu já predizia que, inclusive atingindo o nosso objectivo, iria abrir-se umha fase de desilusom, de algumha frustraçom."

P: Djukanovic é, sem dúvida, umha figura controversa. O seu nome tem aparecido envolvido em negócios sujos, os seus solavancos tenhem sido determinantes no futuro de Montenegro e cabe destacar a sua capacidade de sobrevivência em todo o tipo de situaçons políticas. O que acha da figura dele?

É umha figura controversa e complexa. Há que admitir que se trata de um político de um perfil alto, um sobrevivente político nato que tem sabido desenracasr nas situaçons mais difíceis: com Milosevic, contra Milosevic, depois de Milosevic... O seu contributo para a independência de Montenegro tem sido determinante. Isso é aceite por todo o mundo, inclusive os seus críticos, como eu próprio.

Apesar do anterior, nom pode esquecer-se que estivo aliado a Milosevic durante muito tempo. Acho que é importante ser lembrado. Em terceiro lugar, há que sublinhar que continua vivo politicamente, inclusivamente após ter renunciado ao cargo de primeiro-ministro. Continua a ser o presidente do partido dirigente em Montenegro, um partido que se tem mantido 17 anos no poder e creio que Djukanovic pode voltar a deter algum cargo público caso o julgue necessário.

"Djukanovic continua a ser o centro de um poder extra-parlamentar e que abrange todas as esferas da sociedade montenegrina. É mister denunciar isto claramente"

Além do mais, Djukanovic continua a ser o centro de um poder extra-parlamentar e que abrange todas as esferas da sociedade montenegrina. É mister denunciar isto claramente, sem ambages. É obrigaçom das pessoas decentes dizê-lo e criticá-lo. 

P: Como definiria a personalidade dele?

Acho que é verdade que tem umha inteligência técnica muito desenvolvida, mas umha atrofia total no que di respeito a umha inteligência social e espiritual, a umha inteligência política de longo percurso. Pode ser definido, portanto, como um bom sobrevivente, mas nom creio que seja um bom político nesse sentido mais profundo da palavra. Acho que, por isso, está a desperdiçar umha oportunidade para fechar umha fase e converter Montenegro num Estado verdadeiramente democrático.

P: O que acha da atitude internacional com Montenegro?

Tenho sido sempre muito crítico com a postura da denominada comunidade internacional a respeito de Djukanovic e de Montenegro. Especialmente, queria comentar a posiçom de Javier Solana, que sempre utilizou essas deficiências na postura de Djukanovic para pressionar o meu país. Há que dizer claramente que estavam a utilizar essas deficiências nom para apoiar o povo montenegrino e o seu desenvolvimento, mas para condicionar Montenegro e a possiblidade da independência.

"Aqueles que temos sido críticos com Djukanovic, a partir da posiçom que tenho defendido, a partir de Montenegro, nunca aceitamos esse duplo jogo político sujo da comunidade internacional e especialmente de Javier Solana."

Quero dizer com isso que aqueles que temos sido críticos com Djukanovic, a partir da posiçom que tenho defendido, a partir de Montenegro, nunca aceitamos esse duplo jogo político sujo da comunidade internacional e especialmente de Solana. A nossa visom é diferente da que tinha a comunidade internacional.

Gostava de contar umha pequena história. Uns poucos dias depois do referendo, numha comparência pública em Bruxelas, junto a Djukanovic, Slana, o mesmo que até há umhas poucas semans tinha usado e abusado de todo o poder para bloquear o processo independentista, dizia, referindo-se ao próprio Djukanovic: «Admiro este homem jovem, como conseguiu fazer todo isto com esse precioso país». Era o próprio Solana que dizia isto!

P: Nalguns textos, você considera que o caso montenegrino expom as contradiçons da Uniom. Sustenta que, nesse senso, o processo pola independência de Montenegro supunha um desafio, umha ameaça para essa visom da UE como umha potência quase omnipotente.

Acho que estás a falar de umha metáfora em que referia como Montenegro, a partir da sua pequenice e das suas fraquezas, incomparáveis com a força e o poder da UE, que é um agente político internacional gigante, despe as fraquezas desse poder. Nesta metáfora, eu expunha que Montenegro é, de certa forma, o espelho em que, ao olhar-se, a Uniom Europeia pode claramente ver a sua cara «feia».

"Montenegro é, de certa forma, o espelho em que, ao olhar-se, a Uniom Europeia pode claramente ver a sua cara «feia»"

Perante a grande complexidade, a ambigüidade e as contradiçons dentro da UE, diferentes à visom utópica, retórica e auto-suficiente que Solana reivindica, o processo pola independência de Montenegro tem conseguido demonstrar os limites da realpolitik euruopeia e as fraquezas dessa entidade. Nom só da UE; mas também a de outros agentes como a administraçom Bush, guiada polo seu populismo de direita.

Nesse senso, dizia que o processo montenegrino era e é umha espécie de espelho, um caso relevante inclusive para a política internacional. Às vezes, entidades e factos mui pequenos, se acontecerem no momento e no local certos, podem reflectir, mais claramente, essas fraquezas da política internacional. Por isso falava sobre como Montenegro tem exercido de espelho, embora seja um espelho muito pequeno. Acho que o tempo véu a dar-me a razom neste ponto.

De outra parte, há que vincar que acho sinceramente que há 15 anos a UE podia ter sido umha alternativa real e acreditável no eixo neoliberal e de direita anglo-saxom, o eixo atlántico. A maioria dos governos da UE eram formados por forças social-democratas ou de esquerda. Hoje em dia, em geral, a maioria deles som de direita. Tem havido umha clara involuçom. Especialmente após o 11M, esse giro tem sido mais evidente, como também foi antes, a seguir à II Guerra Mundial.

É triste ver como agora o governo de Montenegro está envolvido nessa dinámica. Estamos a assistir a acordos entre o nosso governo e os EUA; para contornar convençons sobre direitos humanos. E a UE, através do próprio Solana, já tem expressado que, apesar de esses acordos nom se submeterem aos padrons europeus, quer aos teóricos, quer aos retóricos, a UE nom vai pôr qualquer impedimento a Montenegro. Eis outra prova, mais umha vez no caso de um país pequeno como o nosso, de que essa convergência entre a UE e os EUA é real.

P: No seu discurso, convergem dous mundo que, para muitos académicos e outras muitas pessoas, representam um género de oxymorón, umha contradiçom por definiçom. Mais ainda quando referido aos Balcáns. Você defende abertamente um ponto de vista de esquerda, com referências a autores como Chomsky ou Wallerstein, e umha posiçom independentista clara. Gostava de que me explicasse esse discurso especialmente da perspectiva da ex-Jugoslávia, dos Balcáns e de Montenegro.

Essa é umha das grandes liçons teóricas, cívicas e pessoais que eu já aprendim. Por outras palavras, acho que um dos grandes erros da antiga esquerda, em que historicamente me incluo de certa forma, foi umha falta de apreciaçom, de ignoráncia em relaçom à chamada questom nacional.

Eu próprio e vários dos meus colegas da antiga Jugoslávia, em todas as repúblicas, formamos mais ou menos umha mesma geraçom e continuamos a luitar contra os monstros que se tomárom posse do sistema nos nossos diferentes países. Tenho amigos e colegas em Zagreb, Belgrado, Ljubljana, que partilham este ponto de vista. Estamos a luitar contra a perspectiva que foi imposta na regiom e acho que toda pessoa decente deve fazer o mesmo.

"acho que um dos grandes erros da antiga esquerda, em que historicamente me incluo de certa forma, foi umha falta de apreciaçom, de ignoráncia em relaçom à chamada questom nacional"

Ora bem, reconheço que as pessoas da minha geraçom temos umha responsabildaide pola nossa ignoráncia e o nosso rejeitamento a perceber a questom nacional. Esta ignoráncia foi indirectamente responsável, nalgumha medida, das guerras desatadas depois. Eu fum em parte vítima do dogma do progresso, acreditando que o homem é bom, estamos a luitar polo progresso e a gente vai dar por isso e nom apoiará fascistas como Seselj, ou Milosevic ou outros. Eu tenho arriscado a minha vida durante os últimos 17 anos contra eles, mas indirectamente, intelectualmente, sou responsaváel do que tem acontecido nesta regiom.

Acho que, também na actualidade, a maior parte da esquerda continua a sofrer dessa fraqueza, desse género de dogmatismo. Eu, com o passar do tempo, tenho chegado à conclusom clara de que a questom nacional nom pode ser ignorada, de que as questons sociais e nacionais estám ligadas. É importante luitar, intelectual e politicamente, para estabelecermos a melhor das ligaçons entre essas duas questons, a nacional e a social, num contexto concreto.

Penso que essa perspectiva é mais madura, mais real e mais séria do que a que tivem quando era novo. Estou a luitar por mais democracia, por liberdades cívicas, por umha vida melhor em igualdade de condiçons, mas ao mesmo tempo nunca aceitei a retórica de Solana sobre a questom nacional. Essa é umha das mais importantes liçons que tenho aprendido.

P: Por voltar ao tema do facto nacional nos Balcáns, dentro da esquerda internacional, e estou a pensar no nosso próprio país, onde a combinaçom entre esquerda e nacionalismo é mais comum do que noutros lugares, considero sinceramente que a gente confunde a reivindicaçom histórica da República Federal Socialista da Jugoslávia com a posiçom de alguns dos partidos mais nefastos da regiom. Basicamente, em minha opiniom, estám a confundir partisanos com chetniks. Nom raro, vem-se pessoas de esquerda e conscientizadas com o facto nacional a escrever contra a independência de Montenegro. O que lhes diria?

Que é um erro total e umha falta de compreensom do que realmente tem acontecido e acontece cá. Por exemplo, em Montenegro, desde 1992 até os dias de hoje,k tem havido umha convergência total entre aqueles que nos opúnhamos a Milosevic e aqueles que defendíamos a independência de Montenegro de um ponto de vista de esquerda.

Acho que ser de esquerda, ser gente de esquerda de maneira séria, é ser crítico e nom partilhar estereótipos. Comprovar de maneira crítica as nossas opinions e pontos de vista.

Dito isto, tenho que dizer que concordo com aqueles pensadores, de esquerda ou nom, que recomendam ter cuidado, estar alerta sbore as reivindicaçons nacionais ou independentistas. Há que levar em conta que a ideia do nacionalismo tem gerado violência ilegítima e sofrimento. Por isso eu considerava importante nom apenas sabermos o que é que estamos dispostos a fazer polas nossas vidas, mas também o que nom estamos dispostos a fazer, que cousas ilegítimas nom estamos dispostos a fazer, quer aos sérvios, quer aos montenegrinos, para atingirmos os nossos objectivos políticos, por exemplo, a independência. Acho que é importante ter essa precauçom sempre.

"A inércia dogmática da esquerda é pensar que integracionismo é sempre bom e independentismo é, por definiçom, sempre mau"

Mas há um grande dogma no seio da esquerda, de que eu também fum vítima, que considera que esses riscos apenas existem no campo da independência, o que implica o risco de justificar luitas e violências ilegítimas. Nom existe diferença teórica entre ambos em relaçom a esse risco.

A inércia dogmática da esquerda é pensar que integracionismo é sempre bom e independentismo é, por definiçom, sempre mau. Nom é tal, depende dos actores e das suas razons. Há que lembrar que as maiores violaçons de direitos nom tenhem sido perpetrados sob a bandeira de pequenos secessionismos, que existem, mas sob a bandeira de grandes integracionismos: imperialismo, colonialismo, civilizaçom.. Sobre isto é que a esquerda deve reflectir urgentemente.

P: Qual a situaçom actual em Montenegro? Mantém-se a polarizaçom entre as duas comunidades maioritárias?

Creio que essa divisom está, basicamente, superada para as próximas geraçons. Os factos políticos internacionais e na regiom, nomeadametne Kosova, e a posiçom dos norte-americanos e russos pode mudar isso nalgum momento, mas acho e espero que nom venha a ser assim. Nesta altura, as questons sociais e económicas centram as preocupaçons do país. Isso é positivo, na medida que as pessoas estám esgotadas polos problemas antes referidos e na medida que, agora que já somos independentes, podemos começar a falar dos nossos verdadeiros problemas, ocultos por essa realidade até há pouco.

Recentemente, o UNDP, organismo da ONU dedicado ao desenvolvimento, publicou uns dados segundo os quais 12% da populaçom vive abaixo do limiar da absoluta pobreza e 30% por volta desse mesmo limite. Estamos a falar de 42% da populaçom a viver ou andar perto da pobreza!

Djukanovic é um especialista em reflectir nos media os grandes dados macroeconomicos que falam de um boom económico, de expansom e desenvolvimento, de investimentos internacionais, de dados da construçom... isso é apenas umha parte da história.

"temos um alto grau de polarizaçom social interna e um alto grau de polarizaçom económica que tem características, eu diria que patológicas de umha modernizaçom nova"

Além disso, nestes dias aparecia nos media como um dos concelhos da costa, Budva, tem um orçamento maior do que o orçamento de 11 comunidades do norte juntas, as mais pobres.

Esta é a complexidade da nossa realidade. Aí é que temos a relaçom que comentava sobre as questons nacionais e sociais. É importante ligar as duas e procurar as interligaçons entre umhas e outras, à procura de soluçons.

No fim de contas, temos um alto grau de polarizaçom social interna e um alto grau de polarizaçom económica que tem características, eu diria que patológicas de umha modernizaçom nova. Alguns pretendem ocultá-las, fazendo referência só à inegável abastança económica que mostram os dados macroeconómicos. Mas, ao mesmo tempo, temos essa polarizaçom patológica.

Andrej Nikolaidis chamava há pouco o sistema imposto por Djukanovic os Emirados Unidos de Montenegro, em referência aos Emirados Árabes Unidos. Infelizmente, a comparaçom, que fazia em termos cómicos, é mais real do que poderíamos pensar. Tal como ali umhas poucas famílias ou castas dirigem o país de maneira autoritária, tomam decisons e recolhem os lucros do petróleo, aqui acontece umha cousa similar. Há dous elementos centrais nessa comparaçom. De umha parte, a natureza feudal e monopolista que os dirigentes de ambos países partilham; monopólio que nom fica na economia ou a produçom, abrangendo ainda outras esferas sociais. De outro lado, o forte legado de umha cultura e sociedade pré-moderna e neo-patriarcal em ambos os casos. Existe um risco muito grande para Montenegro nisto todo.

"Nikolaidis chamava há pouco o sistema imposto por Djukanovic os Emirados Unidos de Montenegro, em referência aos Emirados Árabes Unidos. Infelizmente, a comparaçom, que fazia em termos cómicos, é mais real do que poderíamos pensar"

Por conseqüência, existe um elemento comum que se resume num mui baixo nível de vida económica e cultural. A diferença entre o crescimento do PIB e o reparto da riqueza gerada por esse crescimento é brutal. Em termos macroeconómicos, pode ser comparada, para darmos um exemplo, à Dinamarca e aos Emirados Árabes. Mas o método económico é limitado, unicamente quantitativo. Sob esses dados, convivem diferentes planetas. Temos a Dinamarca, com um bom nível de vida social e de democracia, e temos estes outros modelos.

A minha grande crítica para Djukanovic e o pessoal dele é que nom se preocupa com a minha comunidade, umha comunidade que nom quero que perdure como sociedade neofeudal.

Umha última conclusom: se no caso dos Emirados todo é baseado no petróleo e podemos imaginar o que aconteceria se esse petróleo se acabasse, no nosso caso, o nosso tesouro é a beleza natural, o tesouro natural que é o nosso país. O modelo que está a desenvolver Djukanovic e o DPS é um modelo predador dessa natureza, do nosso único tesouro. A sua perda, se acontecer, conduz-nos para o colapso. Mas, ao mesmo tempo, se em Montenegro formos capazes de construir umha sociedade normal, moderna, decente e democrática, sobreviveremos e avançaremos. É a diferença entre o modelo dele e o nosso. 

P: Existe umha oposiçom política real nesses parámetros ou reduz-se àqueles que, historicamente, desde 92, tenhem criticado a postura de Djukanovic, como o senhor ou o Nikolaidis?

Infelizmente, a situaçom nom é boa. Existe umha força política que é candidata para a alternativa, o Movimento pola Mudança. Som umha força com um conteúdo mais moderno, mas pró-europeus –no bom senso—, mais anti-monopolistas do que o resto, sem dúvida.

A minha maior queixa em relaçom a esse movimento, de que fum fundador, é que som, nom sei se dizer dogmaticamente ou pragmaticamente, totalmente acríticos em relaçom à UE. Por isso tenho as minhas reservas sobre o que poderiam fazer caso cheguem ao poder.

As restantes forças nom som alternativa. Os partidos pró-sérvios, a coligaçom pró-sérvia é um pouco mais forte no campo parlamentar, mas nom propom alternativa nengumha ao sistema.

Mas isso diria que, à margem de organismos e entidades sociais independentes que estám nessa perspectiva –como o semanário Monitor—, em termos políticos estritos, o Movimento pola Mudança é a única força que aspira a ser alternativa.

 

 

 

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