Movimentos sociais nom cedem ao controlo institucional

31 de Dezembro de 2006

Tal como era previsível, o Governo "alternativo" ao fraguismo nom abandonou os clássicos "tiques" institucionais, e os aparelhos partidários do PSOE e o BNG mantenhem a clara vontade de evitar a independência dos movimentos sociais. Assim se conclui do primeiro ano e meio de governo bipartido, em campos como o sindical, o ambiental, o juvenil ou o cultural, entre outros.

Tentativa de controlo do movimento ambientalista

Coincidindo com a chegada do BNG ao poder autonómico, umha crise interna sacudiu a organizaçom decana do ambientalismo galego, ADEGA, impondo-se finalmente a linha defendida pola UPG, contrária à autonomia do movimento em relaçom às instituiçons. Fruto dessa crise, surgiu Verdegaia, nova entidade ecologista que agrupa boa parte dos sectores opostos ao dirigismo exercido pola UPG.

No caso de Nunca Mais, tem havido nestes meses tentativas de desactivar a fiscalizaçom da actuaçom do Governo em matéria de cumprimento dos compromissos adquiridos quanto a segurança marítima. Se o PSOE optou por retirar, na prática, o seu apoio às iniciativas da plataforma, o BNG, melhor situado para tentar orientar as suas actuaçons, conseguiu parcialmente a sua reorientaçom no caso da crise dos incêndios, mas nom deu evitado as críticas ao executivo no aniversário do acidente do Prestige.

Resta verificarmos a orientaçom que terá doravante a Plataforma Nunca Mais, cujo passado está fortemente marcado pola dependência das directrizes da direcçom do BNG, incluindo vetos à incorporaçom de entidades da esquerda independentista.

De resto, ainda nestes dias, a associaçom Verdegaia denunciou práticas de "clientelismo" na Direcçom Geral de Juventude e Solidariedade da Vice-Presidencia da Junta, na promoçom do chamado Plano de Voluntariado em Defesa do Monte Galego. A entidade ambientalista denunciou o controleirismo institucional, contrário ao voluntariado florestal "crítico e transformador promovido polas organizaçons sociais". ADEGA preferiu manter um "prudente" silêncio...

Sindicalismo pugna por manter a autonomia

A tentativa de reduzir a CIG a correia de transmissom dos interesses partidistas do BNG como membro do bipartido está na base da "revolta" produzida no interior da central nacionalista, onde um importante sector dirigente e de quadros se opom ao controlo da UPG e defende a autonomia sindical face aos interesses institucionais.

Com todas as contradiçons e problemas possíveis, o certo é que a CIG conseguiu até hoje manter distáncias, denunciando casos de nepotismo e clientelismo na nova Junta da Galiza, nom só em departamentos do PSOE, mas também na Conselharia do Meio Rural, em maos do BNG.

A CIG denunciou o continuísmo do actual Executivo com termos de grande dureza: "tanto denunciou o PP pola utilizaçom de pessoal de Tragsa na crise do Prestige, e monta agora a sua própria empresa, sem outra justificaçom que poder contratar quem melhor lhe parecer, fora dos sistemas estabelecidos para o acesso à funçom pública".

Além disso, a CIG foi a única entidade que reivindicou a autodeterminaçom como ingrediente irrenunciável de qualquer reforma estatutária, frente à manobra de reforma do actual Estatuto de Autonomia em que os três partidos parlamentares se acham enleados para dar continuidade ao autonomismo actual.

Umha outra prova da vontade de manter a coerência e a autonomia por parte do principal sindicato nacional foi o recente abandono da chamada mesa de diálogo social, ao ficar clara a falta de vontade da Junta para cumprir os mínimos acordos atingidos após mais de um ano desde a constituiçom da mesa de diálogo. A Junta, através de Anxo Quintana, e os sindicatos espanhóis criticárom a decisom da CIG, que deu mostras das dificuldades da direcçom da UPG para a submeter às suas directrizes.

Língua e cultura: iniciativas de base contestam controlo institucional

No campo lingüístico e cultural, a Mesa continua a ser a ferramenta da UPG para tentar moldar o movimento normalizador aos seus interesses no bipartido. Porém, as mais dinámicas entidades e diversas iniciativas culturais mantenhem umha saudável distáncia das políticas institucionais, com destaque para o papel dos centros sociais.

O impulso do voluntariado lingüístico por parte da Gentalha do Pichel, em Compostela, é um exemplo da vitalidade e pulsom própria das dinámicas normalizadoras, enquanto a Junta anunciou um voluntariado com a exclusiva colaboraçom da Mesa, que ainda nom se verificou. Temos notícias sem confirmar sobre a possível extensom do Voluntariado a outras cidades galegas por parte de entidades culturais livres do controlo institucional, que podem vir a concretizar-se num futuro próximo.

Entretanto, a falta de ajudas institucionais é a norma, como sempre foi, em relaçom aos colectivos mais comprometidos na defesa da língua e a cultura nacionais, repartindo-se quase em exclusiva entre as entidades próximas a cada sócio do Governo.

Em definitivo, o movimento popular galego nom só é capaz de construir autonomamente projectos pola construçom nacional e em favor da maioria social. Além disso, parece claro que essa está a ser a sua aposta. Umha boa notícia para quem defendemos o valor da autonomia dos movimentos sociais e a defesa dos seus interesses perante qualquer que seja o governo de turno.

 

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