O fim da ETA

16 de Janeiro de 2006

A seguir apresentamos a traduçom galega de um artigo de opiniom publicado polo diário basco Gara, como contraponto das visons oficiais hegemónicas nos media do sistema, no que toca ao estado actual do conflito basco-espanhol.

O fim da ETA

Iñaki Lekuona

«ETA apenas tem um destino, o fim». Como pitoniso, o chefe do Governo espanhol nom tem desperdício. Evidentemente, a ETA só tem um destino, o fim. E eu um dia esticarei a canela. E José Luís Rodríguez Zapatero também. E ao Papa também lhe vai chegar a hora, por muito que se arme em privilegiado representante de Deus imortal na Terra. A vida e todos os seus derivados apenas tenhem um destino, o fim, a questom é saber como é que ele chegará.

Até agora, sabíamos era que o como para o fim do derivado conflito basco era o diálogo. Tinha-no-lo dito Zapatero até a saciedade. Doravante, o como é a unidade dos democratas, esses seres que estám por cima do bem e do mal, e que nom se enganam nunca, e que nos dam liçons de ética, e que podem jantar com Ehud Olmert, cear com Teodoro Obiang, conversar com George W. Bush, abraçar Mohamed VI, rir as gracinhas de Vladímir Putin, esses seres que ficam abalados por dous mortos e fumam um charuto por douscentos, segundo convinher em funçom dos votos.

Nom será a unidade desse tipo democratas que nos aproximará mais dos horizontes de soluçom. Nom serám espectáculos como os da passada semana que nos ajudarám a solucionar a equaçom cuja única incógnita é sabermos quando é que, de umha vez, as diferentes partes se comprometerám dos pés à cabeça por umha soluçom dialogada.

Até os chineses sabem que a ETA tem um só destino. Como o conflito basco. Mas o primeiro nom implica o fim do segundo, por muito que a ETA, conflito político e resoluçom se confundam numha só e sacrossanta trindade.

Há umha semana, após ter lido o slogan da mobilizaçom convocada polo lehendakári, julguei, em minha ingenuidade, que iria haver lugar para serem reeditados compromissos apesar de termos ficado de boca aberta com o atentado de Barajas, sempre, isso sim, que todos abaixássemos as nossas condiçons. Enganei-me. Ninguém quer compromissos, nem sequer abaixados. Porque comprometer-se significa assumir a própria palavra e respeitá-la. E quando isto tem um custo político, quer dizer, eleitoral, dá-se o dito por nom dito. E, em lugar de responder à ETA com a firmeza das convicçons, responde-se-lhe com a marcha atrás.

Este processo já nom está nem em promoçons. Que este processo nom o compra ninguém, porque vale tanto como a palavra de um político. Nadinha mesmo. Que longe parece estar o fim!

 

 

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