Conhece a classe dominante global: como eles se tornárom multimilionários

12 de Abril de 2007

Oferecemos um formativo trabalho do intelectual marxista norte-americano James Petras dedicado a divulgar a maneira como foi criada a actual oligarquia financeira mundial: o reduzido clube de multimilionários que mexe os fios do capitalismo global.

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Conhece a classe dominante global: Como eles se tornárom multimilionários

James Petras

"Por trás de umha grande fortuna está um grande crime".

Honoré de Balzac

Enquanto o número de multimilionários do mundo crescia de 793 em 2006 para 946 este ano, grandes levantamentos de massa tornavam-se acontecimentos comuns na China e na Índia. Na Índia, que tem o maior número de multimilionários da Ásia (36), com umha riqueza total de 191 mil milhons de dólares, o primeiro-ministro Singh declarava que a maior ameaça à "segurança indiana" eram as guerrilhas dirigidas por maoístas e os movimentos de massas nas partes mais pobres do país. Na China, com 20 multimilionários com umha riqueza líquida total de 29,4 mil milhons de dólares, os novos dominadores, confrontados com quase cem mil distúrbios e protestos confirmados, aumentárom cem vezes o número de polícias armados anti-disturbios e incrementárom os gastos com os pobres rurais em 10 mil milhons de dólares na esperança de diminuir as monstruosas desigualdades de classe e impedir umha sublevaçom de massas.

A riqueza total desta classe dominante global aumentou 35% ao ano, atingindo actualmente 3,5 milhons de milhons (trillions) de dólares, ao passo que o nível de rendimento dos 55% mais baixos dos 6 mil milhons de habitantes que constituem a populaçom mundial diminuiu ou estagnou. Dito de outro modo, umha centena de milionésimo da populaçom mundial (1/100.000.000) possui mais do que os três mil milhons de pessoas do escalom inferior. Mais da metade dos actuais multimilionários (523) procedem de apenas três países: os EUA (415), a Alemanha (55) e a Rússia (53). Este aumento de 35% da riqueza provém mais da especulaçom que se tem registado nos mercados de capitais, no imobiliário e no comércio de matérias-primas do que de inovaçons técnicas, de investimentos em indústrias criadoras de emprego ou de serviços sociais.

"Mais da metade dos actuais multimilionários (523) procedem de apenas três países: os EUA (415), a Alemanha (55) e a Rússia (53)"

Entre o grupo de multimilionários mais recentes, mais jovens e que crescêrom mais rapidamente, destaca-se a oligarquia russa polos seus começos mais predatórios. Mais de dous terços (67%) dos actuais oligarcas russos multimilionários iniciárom a sua concentraçom de riqueza quando ainda nom tinham trinta anos de idade. Durante a infame década dos anos noventa, sob o quase ditatorial governo de Boris Ieltsine e dos seus conselheiros económicos dirigidos polos EUA, Anatoly Chubais e Yegor Gaidar, toda a economia russa foi posta à venda por um "preço político" muito abaixo do seu valor real. As transferências de propriedade, sem excepçom, fôrom conseguidas através de tácticas mafiosas, de assassinatos, de roubos generalizados, de apropriaçom dos recursos do Estado e das actividades ilícitas de manipulaçom de acçons e aquisiçons de empresas. Os futuros multimilionários saqueárom ao Estado russo um valor de mais de um milhom de milhons (trillion) de dólares em fábricas, transportes, petróleo, gás, aço, carvom e outros recursos pertencentes ao Estado.

Contrariamente ao que afirmam publicistas europeus e norte-americanos, tanto de esquerda como de direita, poucos som os ex-dirigentes comunistas de topo que se encontram entre os actuais multimilionários da oligarquia russa. Em segundo lugar, e em oposiçom às afirmaçons dos mestres manipuladores sobre a "ineficiência comunista", as minas, as fábricas e as empresas de energia desenvolvidas pola antiga Uniom Soviética, eram rentáveis e competitivas. Isso está actualmente comprovado pola enorme riqueza privada que foi acumulada em menos de umha década por homens de negócio- gangsters.

Praticamente nengumha das fontes iniciais de riqueza dos multimilionários está relacionada com a construçom, a inovaçom ou o desenvolvimento de novas empresas eficientes. A riqueza nom foi transferida para altos comissários do partido comunista (transferências laterais), mas fôrom apropriadas polas máfias privadas armadas dirigidas por universitários recém graduados que rapidamente capitalizárom com a corrupçom, intimidaçom ou assassínio de funcionários responsáveis do Estado, e beneficiárom das insensatas contrataçons de Boris Ieltsine de consultores ocidentais do "mercado livre".

"em oposiçom às afirmaçons dos mestres manipuladores sobre a 'ineficiência comunista', as minas, as fábricas e as empresas de energia desenvolvidas pola antiga Uniom Soviética, eram rentáveis e competitivas"

A revista Forbes publica anualmente umha lista dos indivíduos e das famílias mais ricas do mundo. O mais interessante nas famosas notas bibliográficas da revista Forbes sobre os oligarcas russos é a constante referência à sua fonte de riqueza como tendo sido conseguida "graças ao seu esforço pessoal" (self-made), como se roubar a propriedade do Estado, criada e defendida por mais de setenta anos com o sangue e o suor do povo russo, fosse o conhecimento e a habilidade para o negócio de uns quantos bandidos de vinte e poucos anos de idade. Dos oito primeiros oligarcas multimilionários da Rússia, todos começárom por assaltar os seus rivais, criando "bancos de papel" e tomando o controlo da produçom de alumínio, petróleo, gás, níquel e aceiro, e a da exportaçom de bauxita, ferro e outros minérios. Todos os sectores da antiga economia comunista fôrom pilhados polos multimilionários: Construçom, telecomunicaçons, indústria química, imobiliário, agricultura, vodca, alimentaçom, terra, comunicaçom social, automóveis, linhas aéreas, etc.

Seguindo as privatizaçons de Ieltsine, todos os oligarcas, com raras excepçons, chegárom rapidamente ao topo ou perto dele, literalmente, assassinando ou intimidando qualquer oponente dentro do antigo aparelho soviético e os competidores dos gangues predadores rivais.

A medida "política" chave que facilitou o saque e as aquisiçons iniciais polos futuros multimilionários foi a vasta e imediata onda de privatizaçons de quase todas as empresas públicas pola equipa Gaidar/Chubais. Este "tratamento de choque" foi encorajado pola equipa de conselheiros económicos de Harvard e especialmente polo presidente dos EUA, Bill Clinton, de modo a tornar irreversível a transformaçom capitalista. A privatizaçom levou a guerras entre os bandos capitalistas e à desarticulaçom da economia russa. O resultado disso foi o declínio de 80% do nível de vida russo, umha desvalorizaçom generalizada do rublo, e a venda dos recursos petrolíferos o do gás e outros recursos estratégicos, a preços de saldo, para a classe ascendente de multimilionários e para as corporaçons multinacionais norte-americanas e europeias do petróleo e do gás. Mais de cem mil milhons de dólares por ano fôrom lavados pola máfia de oligarcas nos principais bancos de Nova York, Londres, Suíça, ou Israel, e noutros lugares, fundos que seriam mais tarde reciclados na compra de bens imobiliários dispendiosos nos EUA, na Inglaterra, em Espanha e em França, assim como em investimentos em equipas de futebol británicas, em bancos israelenses e empreendimentos conjuntos (joint ventures) mineiros.

Os vencedores das guerras de gangues durante o reinado de Ieltsine continuárom a expandir as operaçons a umha variedade de novos sectores económicos, investimentos na expansom de empresas sectoriais (facilities) –especialmente no imobiliário e nas indústrias extractivas e de consumo– e no estrangeiro. Com o presidente Putin, deu-se a consolidaçom dos oligarcas-gangsters evoluindo sucessivamente de multimilionários a multimilionários, a multi-multimilionários e por aí afora. De jovens rufiáns arrogantes e caloteiros locais, tornárom-se sócios "respeitáveis" das corporaçons multinacionais norte-americanas e europeias, segundo as agências de relaçons públicas europeias. Os novos oligarcas russos " chegárom à cena financeira mundial", de acordo com a imprensa económica.

Como destacava recentemente o presidente Putin, os novos multimilionários fracassárom no investimento, na inovaçom e na criaçom de empresas competitivas apesar de usufruírem de óptimas condiçons. Excluindo a exportaçom de matérias-primas, que beneficiam actualmente de elevados preços internacionais, poucas unidades fabris na posse dos oligarcas estám a ganhar divisas estrangeiras, dado que poucas delas som competitivas nos mercados internacionais. A razom reside no facto de os oligarcas terem "diversificado" a sua actividade para a especulaçom no mercado de acçons (Suleiman Kerimov 14,4 mil milhons de dólares), (Mikhail Prokhorov 13,5 mil milhons de dólares), na banca (Fridman 12,6 mil milhons de dólares) e na aquisiçom de minas e unidades de processamento de minérios.

Os órgaos de informaçom ocidentais centrárom a sua atençom na luita entre umha mao-cheia de oligarcas da era de Ieltsine e o presidente Vladimir Putin, e no aumento da riqueza de vários multimilionários da era de Putin. No entanto, as evidências biográficas demonstram que nom existe ruptura entre o aumento de multimilionários durante a era Ieltsine e a sua consolidaçom e expansom agora com Putin. O declínio dos assassinatos mútuos e a mudança para umha competiçom regulada polo Estado é tanto um produto da consolidaçom das grandes fortunas como das "novas regras do jogo" impostas polo presidente Putin. Em meados do século XIX, Honoré de Balzac, ao analisar a ascensom da respeitável burguesia de França, assinalou as suas duvidosas origens: "Por detrás de umha grande fortuna está um grande crime". As fraudes que deram origem à ascensom por décadas da burguesia francesa do século XIX empalidecem se as compararmos com a pilhagem e a sangria de largas dimensons que estão na origem dos multimilionários da Rússia do século XXI.

"o consenso de Washington orquestrado polos EUA, polo FMI e polo Banco Mundial, foi a força motriz por detrás da ascensom dos multimilionários da América Latina"

Se o sangue e as armas fôrom os instrumentos para a ascensom dos oligarcas multimilionários russos, noutras regions do mundo, ou melhor ainda, o consenso de Washington orquestrado polos EUA, polo FMI e polo Banco Mundial, foi a força motriz por detrás da ascensom dos multimilionários da América Latina. Os dois países com maior concentraçom de riqueza e o maior número de multimilionários na América Latina, som o México e o Brasil (77%), que por sua vez, som também os dois países que privatizárom os monopólios públicos mais lucrativos, os maiores e os mais eficientes. Do total de 157,2 mil milhons de dólares nas maos de 38 multimilionários latino-americanos, 30 som brasileiros ou mexicanos, e detenhem no seu conjunto 120,3 mil milhons de dólares. A riqueza dessas 38 famílias ou indivíduos excede a de 250 milhons de latino-americanos, isto é, 0,000001% da populaçom possui mais riqueza do que 50% da populaçom mais humilde. No caso do México, a riqueza de 0,000001% da populaçom excede o conjunto dos salários de 40 milhons de mexicanos. A ascensom dos multimilionários da América Latina coincide com a queda real dos salários mínimos, dos gastos públicos nos serviços sociais, da legislaçom laboral, e com o aumento da repressom estatal, enfraquecendo as organizaçons dos trabalhadores e dos camponeses, e as negociaçons colectivas. A implementaçom de impostos regressivos que sobrecarregam os trabalhadores e os camponeses, e as isençons fiscais e subsídios para os exportadores de produtos agrícolas e de matérias-primas, contribuíram para a criaçom de multimilionários. O resultado disso foi a diminuiçom da mobilidade dos funcionários públicos e dos trabalhadores, o deslocamento do trabalho urbano para o sector informal, a bancarrota generalizada dos pequenos agricultores, camponeses e do trabalho rural, e conseqüentemente, a imigraçom do campo para os subúrbios urbanos, e a emigraçom para o estrangeiro.

América Latina

A principal causa da pobreza na América Latina som as próprias condiçons que facilitárom o crescimento dos multimilionários. No México, a privatizaçom do sector das telecomunicaçons a preços baixíssimos, resultou em quadruplicar a riqueza de Carlos Slim Helu, o terceiro homem mais rico do mundo (só atrás de Bill Gates e de Warren Buffet) com um património líquido de 49 mil milhons de dólares. Dous multimilionários mexicanos da mesma categoria, Alfredo Harp Helu e Roberto Hernandez Ramirez, beneficiárom da privatizaçom dos bancos e da sua subseqüente desnacionalizaçom ao vender o Banamex ao Citicorp.

A privatizaçom, a desregulaçom financeira e a desnacionalizaçom fôrom os princípios operativos chave da política económica externa norte-americana implementada na América Latina polos FMI e Banco Mundial. Estes princípios determinárom as condiçons fundamentais de negociaçom dos créditos e das renegociaçons de dívidas para os países da América Latina.

Os multimilionários-em-construçom velho e do novo dinheiro velho. Alguns começárom a acumular as suas fortunas obtendo contratos governamentais durante o modelo de desenvolvimento dirigido polo estado (dos anos 30 aos 70), e outros através de riqueza herdada. Metade dos multimilionários mexicanos herdou as suas fortunas multi-milionárias originais no seu trajecto para o topo. A outra metade beneficiou de relaçons políticas e do conseqüente grande suborno na compra de empresas públicas baratas para a seguir revendê-las a multinacionais norte-americanas com grande lucro. A imensa maioria dos 12 milhons dos emigrantes mexicanos que cruzárom a fronteira para os EUA fugírom de condiçons de vida onerosas, as quais permitírom aos multimilionários tradicionais e novos do México entrar no clube dos multimilionários globais.

"A privatizaçom, a desregulaçom financeira e a desnacionalizaçom fôrom os princípios operativos chave da política económica externa norte-americana implementada na América Latina polos FMI e Banco Mundial"

O Brasil tem o maior número de multimilionários (20) dos países da América Latina com umha riqueza líquida 46,2 mil milhons de dólares, que é superior à actual riqueza dos 80 milhons dos empobrecidos brasileiros urbanos e camponeses. Cerca de 40% dos brasileiros multimilionários começárom com grandes fortunas às quais foram acrescentando mais valor por meio de aquisiçons e fusons. Os chamados multimilionários "feitos por si próprios" beneficiárom das lucrativas privatizaçons do sector financeiro (a família Safra com 8,9 mil milhons de dólares) e de complexos do ferro e do aceiro.

Como se tornar um supermilionário

Se bem que algum conhecimento técnico, "qualificaçons empresariais" e tacto para o mercado tenham tido um certo peso na criaçom dos multimilionários na Rússia e na América Latina, muito mais importante foi a interface política e económica em todas as etapas da acumulaçom de riqueza.

De umha forma geral verificam-se três etapas:

1. Durante o primitivo modelo 'estatista' de desenvolvimento os actuais multimilionários "pressionavam" e subornavam com êxito os funcionários governamentais para a obtençom de contratos, isençons tributárias, subsídios e protecçom da concorrência estrangeira. Estas dádivas do Estado foram o ponto de partida para a obtençom do estatuto de multimilionários durante a subseqüente fase neoliberal.

2. O período neoliberal proporcionou as maiores oportunidades para a obtençom de lucrativos activos públicos muito abaixo do valor de mercado e da sua capacidade de rendimento. As privatizaçons, embora descritas como "transacçons de mercado", na realidade fôrom vendas políticas em quatro sentidos: polo preço; pola selecçom dos compradores; polo suborno dos vendedores; e pola promoçom de umha agenda ideológica. A acumulaçom de riqueza resultou da venda ao desbarato de bancos, empresas mineiras, recursos energéticos, telecomunicaçons, centrais eléctricas e transportes, bem como pola assunçom por parte do Estado de dívidas privadas. Isto foi o ponto de partida dos multimilionários para o estatuto de multimilionários. Na América Latina isto foi conseguido pola via da corrupçom e na Rússia pola via dos assassinatos e das guerras de gangues.

"O período neoliberal proporcionou as maiores oportunidades para a obtençom de lucrativos activos públicos muito abaixo do valor de mercado e da sua capacidade de rendimento"

3. Durante a terceira fase (a actualidade) os multimilionários consolidárom e ampliárom os seus impérios por meio de fusons, aquisiçons, mais privatizaçons, e expandindo as suas acçons no estrangeiro. Os monopólios privados dos telefones móveis, telecomunicaçons e outras empresas de serviços públicos (utilities), juntamente com os altos preços das commodities, acrescentárom milhares de milhons de dólares às suas concentraçons iniciais de riqueza. Alguns milionários tornaram-se multimilionários vendendo as suas recentes aquisiçons, empresas privadas lucrativas, ao capital estrangeiro.

Tanto na América Latina como na Rússia a apropriaçom dos activos estatais lucrativos deu-se sob a égide de regimes neoliberais ortodoxos (os regimes de Salinas-Zedillo no México, de Collor-Cardoso no Brasil e de Ieltsine na Rússia) e a consolidaçom e expansom verificou-se com governos de regimes supostamente "reformistas" (Putin na Rússia, Lula no Brasil e Fox no México). No resto da América Latina (no Chile, na Colômbia e na Argentina) a criaçom de multimilionários foi o resultado de sangrentos golpes de estado e de regimes militares que destruírom movimentos sócio-políticos, e iniciárom os processos de privatizaçom. Os subseqüentes regimes eleitorais de direita e de "centro-esquerda" promovêrom de forma ainda mais enérgica este processo.

Ficou repetidamente demonstrado, tanto na Rússia como na América Latina, que o factor chave que levou ao enorme salto de riqueza –de milionários para multimilionários– foi a vasta privatizaçom e a subsequente desnacionalizaçom de empresas públicas lucrativas.

Se acrescentarmos à concentraçom dos US$ 157 mil milhons nas maos de umha infinitésima fracçom da elite, os 990 mil milhons de dólares obtidos polos bancos estrangeiros com os pagamentos de divida, e ainda o milhom de milhons de dólares (10 12 ) conseguidos por via de lucros, de direitos de exploraçom e rendas, da lavagem de dinheiro, todo durante a ultima década e meia, ficamos entom com umha base que permite perceber o motivo que leva a América Latina a continuar a ter mais de dous terços da sua populaçom com condiçons de vida inadequadas e economias em estagnaçom.

A responsabilidade dos EUA no aumento de multimilionários na América Latina e da pobreza generalizada nesse continente tem vários aspectos e implica umha ampla gama de instituiçons políticas, elites empresariais, académicos e magnatas do meios de comunicaçom. Em primeiro lugar, é o aspecto mais importante, os EUA apoiárom os ditadores militares e os políticos neoliberais que implementárom os modelos económicos orientados para os interesses dos multimilionários. O ex-presidente Clinton, a CIA e os seus conselheiros, aliados aos oligarcas russos, fôrom quem forneceu o serviço de informaçom político e o apoio material para colocar Ieltsine no poder, e apoiar a destruiçom do parlamento russo (Duma) em 1993, e posteriormente levar às eleiçons manipuladas de 1996. Foi Washington que permitiu o branqueamento de centenas de milhares de milhons de dólares em bancos norte-americanos durante os anos noventa, tal como foi revelado em 1998 pola subcomissom para os assuntos bancários do Senado dos EUA.

Fôrom Nixon, Kissinger e, mais tarde, Carter e Brzezinski, Reagan e Bush, Clinton e Albright que apoiárom as privatizaçons impulsionadas polos ditadores militares latino-americanos e reaccionários civis nos anos setenta, oitenta e noventa. As instruçons que dérom aos representantes do FMI e do Banco Mundial foram claras: privatizar, desregular e desnacionalizar (PDD) antes de negociar qualquer empréstimo.

"Fôrom Nixon, Kissinger e, mais tarde, Carter e Brzezinski, Reagan e Bush, Clinton e Albright que apoiárom as privatizaçons impulsionadas polos ditadores militares latino-americanos e reaccionários civis nos anos setenta, oitenta e noventa"

Fôrom os académicos e os ideólogos norte-americanos que trabalhárom lado a lado com as chamadas agencias multilaterais, como consultores económicos contratados, e que projectárom e impulsionárom a agenda PDD, e instruíram os seus ex-alunos da Ivy League, entretanto convertidos em ministros da economia e das finanças, e em banqueiros dos bancos centrais da América Latina e da Rússia.

Fôrom as corporaçons multinacionais e os bancos dos EUA e da Uniom Europeia que comprárom empresas ou entrárom em empreendimentos conjuntos (joint ventures) com os emergentes multimilionários latino-americanos, e que arrecadárom o triliom dólares (10 12) de pagamentos da dívida contraída polos corruptos regimes militares e civis. Os multimilionários som tanto o produto e/ou subproduto de políticas norte-americanas anti-nacionalistas e anti-comunistas, como um produto do seu próprio roubo descomunal de empresas públicas.

Conclusom

Dadas as enormes disparidades de classe e de rendimento que se verificam na Rússia, na América Latina e na China (20 multimilionários chineses tivérom um património líquido de 29,4 mil milhons de dólares em menos de dez anos), é mais exacto descrever estes países como os "multimilionários emergentes" ao invés de "mercados emergentes" pois o determinante nom é o "livre mercado" e sim o poder político dos multimilionários.

Os países de "multimilionários emergentes" produzem umha pobreza crescente, reduzindo os níveis de vida das populaçons. Criar multimilionários significa desmontar a sociedade civil, isto é, enfraquecer progressivamente a solidariedade social, a protecçom social, a legislaçom social protectora, as reformas, as férias, os programas de saúde pública e educacionais. Considerando que a política é central, verifica-se no entanto que as etiquetas políticas do passado já nom significam cousa nengumha. No Brasil, o ex-marxista e ex-presidente Cardoso, e o ex-dirigente sindical e actual presidente Lula da Silva, privatizárom empresas públicas e promovêrom políticas que gerárom multimilionários. Putin, ex-comunista, cultiva o relacionamento com certos oligarcas multimilionários e oferece incentivos a outros para se ajustarem e investirem.

"A fúria e a hostilidade dos multimilionários e da Casa Branca para com o presidente Hugo Chavez da Venezuela devem-se precisamente ao facto de ele estar a inverter as políticas que criam multimilionários e pobreza generalizada"

O período de maior declínio do nível de vida na América Latina e na Rússia coincide com o desmantelamento das economias nacional-populistas e comunistas. Entre 1980 e 2004, na América Latina, mais precisamente, no Brasil, na Argentina e no México, o crescimento per-capita estagnou entre zero e um por cento. A Rússia sofreu umha diminuiçom de 50% do seu PIB entre 1990 e 1996, e o nível de vida caiu cerca de 80% para todos, com a excepçom dos predadores e do seu séquito de gangsters.

A riqueza que se verifica recentemente (entre 2003 e 2007), quando ocorre, está mais relacionada com o extraordinário aumento dos preços internacionais (de recursos energéticos, metais e agro-exportaçons) do que com qualquer desenvolvimento positivo decorrente das economias dominadas polos multimilionários. O aumento de multimilionários dificilmente representará umha "prosperidade geral" como afirmam os editores da revista Forbes. De facto é o produto da apropriaçom ilegal de lucrativos recursos públicos, construídos com o trabalho e a luta de milhons de trabalhadores, na Rússia e na China, sob o comunismo, e na América Latina durante governos populista-nacionalistas e democrático-socialistas. Muitos multimilionários tenhem herdado a riqueza e utilizado a suas relaçons políticas para expandir e estender os seus impérios, o que na realidade terá pouco a ver com "habilidades empresariais".

A fúria e a hostilidade dos multimilionários e da Casa Branca para com o presidente Hugo Chavez da Venezuela devem-se precisamente ao facto de ele estar a inverter as políticas que criam multimilionários e pobreza generalizada: Está a renacionalizar os recursos energéticos e as empresas públicas sectoriais, e a expropriar algumhas das imensas propriedades dos latifundiários. Chavez está nom só a desafiar a hegemonia dos EUA na América Latina como também a comprometer todo o edifício PDD que constrói os impérios económicos dos multimilionários na América Latina, na Rússia, na China e por toda a parte.

 

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