Junta da Galiza dá carta branca ao PP para construir um edifício de 21 metros de altura numha praça pública de Ferrol

13 de Abril de 2007

Um amplo movimento vicinal vinha exigindo nos últimos meses a retirada do projecto apresentado polo PP e IF (cisom do PP coligado com este no governo de Ferrol). Umha aberraçom urbanística que permite a construçom de um edifício de 21 metros de altura e até seis andares na histórica Porta Nova, cujo nome foi barbarizado durante o franquismo em "Plaza de España". Significativamente, hoje o nome franquista continua a ser oficial, e assumido polas cinco forças representadas no pleno municipal ferrolano.

Até três manifestaçons, com participaçom de centenas de pessoas, exigírom a paralisaçom definitiva das obras, que previam a mutilaçom de um espaço público em pleno centro de Ferrol. Um projecto que foi possível a partir das obras efectuadas no seu dia polo governo do BNG e o PSOE, que instalárom os alicerces para um prédio como o que, finalmente, o Partido Popular apresentou na sua reforma da praça.

A pressom popular, com entidades vicinais e sociais, junto às formaçons políticas NÓS-Unidade Popular e Izquierda Unida, obrigou o BNG e o PSOE a fazerem de conta que se opunham aos planos. Umha oposiçom morna condicionada pola proximidade das eleiçons municipais, que nom impediu que agora a Direcçom Geral do Urbanismo da Junta da Galiza, cuja reponsabilidade corresponde ao PSOE, aprove as batotas legais com que o PP quer esquivar a legislaçom.

"A lei nom nos deixa especular? mudamos a lei!"

De facto, o PGOM actual impede a construçom de um prédio como o projectado polo PP, daí que a própria Junta paralisasse as obras, se bem a paralisaçom nunca chegou a produzir-se. De maneira imediata, Juan Juncal, presidente da Cámara polo PP, respondeu que iria modificar o PGOM para mudar a qualificaçom do espaço em causa (18.056 m2). Sendo a sua catalogaçom legal de "sistema geral viário", o que impedia construir sobre ele, Juncal resolveu passar a defini-lo como "sistema geral de equipamentos comunitários públicos".

Um burdo recurso legal ad hoc para poder privatizar 3.025 m2 mediante concessom a umha empresa privada que construa um edifício de seis alturas e 21 metros de elevaçom. É o que a fórmula proposta polo PP e aprovada pola Junta da Galiza denomina de maneira eufemística "dous volumes de 4,5 metros de altura em que se localizam as saídas do parque de estacionamento subterráneo e um edifício com rés-do-chao e seis alturas, que nom poderá sobrepassar os 21 metros".

Riem-se do povo

As três principais forças políticas voltam a demonstrar o desprezo que lhes merecem as aspiraçons populares em relaçom a umhas cidades mais humanizadas, com verdadeira qualidade de vida e orientadas polo bem da maioria social, e nom polos negócios imobiliários.

O PP, com o apoio do PSOE e a cumplicidade do BNG (sócio dos segundos à frente da Junta) fam ouvidos moucos às mobilizaçons e imponhem o seu modelo urbanístico gansteril, liderado polas construtoras (no caso que comentamos, Abeconsa).

Posicionamento de NÓS-Unidade Popular

A formaçom política da esquerda independentista já fijo pública a sua posiçom em relaçom à entrega da praça ferrolana aos especuladores, mediante um comunicado em que afirma que "A decisom tem a gravidade acrescentada de deixar o povo de Ferrol, que se tem manifestado repetidamente contra semelhante aberraçom urbanística, desprotegido perante os seus governantes locais".

NÓS-UP, que fai parte do movimento que nos últimos meses se tem manifestado contra o edifício na Porta Nova ferrolana, reafirmou-se na linha da mobilizaçom popular como melhor resposta às agressons institucionais contra os espaços públicos.

 

:: Mais informaçons sobre o mesmo tema

Vizinhança ferrolana volta a exigir respeito polos espaços públicos. (+...)

Máfias e corrupçom enchoupam urbanismo galego. (+...)

Mais de 600 vizinhas e vizinhos de Ferrol manifestam-se contra a especulaçom urbanística. (+...)

300 vizinhas e vizinhos de Ferrol marcham sob a chuva reivindicando a defesa dos espaços públicos. (+...)

Ferrol: 17 entidades convocam manifestaçom contra a privatizaçom dos espaços públicos. (+...)

 

Voltar à página principal