Galiza foi mais do que um jogo

7 de Janeiro de 2006

Reproduzimos o artigo de opiniom assinado por Diego Bernal, membro do colectivo de Siareir@s Galeg@s na Corunha, e publicado em diversos meios electrónicos, dedicado a analisar a jornada do passado dia 28 de Dezembro, em que a reivindicaçom de selecçons nacionais oficiais tomou as ruas da Corunha.

Galiza foi mais do que um jogo

Diego Bernal

Decote di-se que três já som multidom. Esta afirmaçom pode ser mais ou menos discutível sobretodo se a confrontarmos com a popular expressom eram quatro gatos. Nesta ocasiom, embora quatro seja mais do que três, pretende-se transmitir cumha clara carga despectiva todo o contrário, é dizer, que o número era pequeno ou mesmo ridículo.

Porém, outra cousa é falar em milhares. Assim nom há polémica possível e mais quando a quantidade em questom está por volta das 2000. Para umha manifestaçom de jovens que tem o intuito de dar voz na rua a umha série de reivindicaçons ninguém duvida de que 2000 pessoas é um bom número. Acho que até aqui qualquer leitor ou leitora pode concordar plenamente com o escrito e por isto também considerar totalmente tendenciosas as informaçons dalguns jornais em relaçom à manifestaçom nacional promovida polo colectivo Siereir@s Galeg@s antes do jogo de futebol disputado entre Galiza e Ecuador. Efectivamente Siareir@s Galeg@s convocava por segundo ano consecutivo umha manifestaçom prévia ao jogo da nossa selecçom de futebol e tal e como se anunciara na conferência de imprensa, um punhado de dias antes, as espectativas eram superar a assistência do ano passado em Compostela. E assim foi. Das mil e quinhentas pessoas do Galiza-Uruguai passou-se às mais de duas mil que assistírom à da Corunha.

A imprensa, contodo, nom tinha nengum pudor e mentia descaradamente quando nos vindouros dias após os distúrbios acontecidos falava de Siareir@s como um grupúsculo radical. Nesta paranoia (des)informativa também se denunciava a utilizaçom de coctéis molotov lançados contra as carrinhas policiais quando esta carregava contra os manifestantes. O que ali se passou foi muito mais singelo que toda essa trapalhada que os jornalistas, autênticos vozeiros das forças repressivas, quigérom sem escrúpulos contar. Permitam-me que resuma em breves linhas o que lá se passou. Siareir@s Galeg@s convocava umha manifestaçom cujo percurso foi modificado a última hora pola polícia espanhola e local. O objectivo do colectivo era levar à rua à nossa reivindicaçom central, isto é, o avanço na plena oficializaçom das nossas selecçons desportivas. Assim a legenda sob à que nos ajuntamos os três milhares de jovens era Galiza, mais do que um jogo. Jovens que coreárom polas ruas herculinas cánticos polo direito do nosso povo a disputar jogos internacionais. Após a manifestaçom um representante do colectivo leria um manifesto neste sentido. Nom obstante a manifestaçom desfijo-se após a carga que a polícia de choque realizou contra os manifestantes, que ao serem levados ao pé da bandeira espanhola do Orçám tentárom retirá-la. E digo serem levados porque foi a própria polícia a que rechaçou o percurso proposto por Siareir@s e numha mostra da sua capacidade de raciocínio optou por levar as duas mil pessoas por diante deste símbolo. De improvisada chapuzada irracional é como pode ser definida a actuaçom da polícia. Da que se já sabíamos que nom contava com muitas simpatias entre a juventude galega agora também nos cercioramos que tem umha aduela de menos. O habitual proceder da polícia espanhola provocou os enfrentamentos na rua e prejudicou imenso Siareir@s Galeg@s cujo acto político foi suspenso a golpe de cacete.

Os silenciamentos de determinados meios de comunicaçom nom impedírom que o acto de Siareiros fora um êxito em assistência. As mentiras de La Voz de Galicia também nom evitárom que em Riazor houvera mais de 20.000 espectadores/as. Eles, cadeias de transmisom do espanholismo mais ressesso, gostariam de que na Galiza tivesse acontecido o que se passou noutras regions do Estado, pouco seguimento e nengum incidente. Mas Galiza, desde logo, é mais do que um jogo. Riazor estava lotado e o Campo da lenha, desde onde saía a manifestaçom, estava cheia. Por enquanto, Siareir@s Galeg@s que trabalha polo direito d@s noss@ desportistas a competir a nível internacional em pé de igualdade com @s doutros povos seguirá o caminho marcado pola bússola há dez anos,a fazer ouvidos surdos dos toques de buzina dos acólitos da España una, grande y libre.

Espancados e criminalizados agora o esperto autarca da Corunha pretende que também seja Siareir@s Galeg@s quem pague o que a incompetência da sua polícia provocou. Era-che boa a navalha!! Temo-me senhor Losada que terá de pagar do seu peto os pratos que os seus rompêrom. E se agora mostra algo de sentidinho também faria um bom negócio retirando essa bandeira que há agora 70 anos outros impugêrom também a golpe de espingarda. De seguro que assim sim que volveriamos ter na Corunha o símbolo de encontro, democracia e pluralidade que representa o nosso céu azul.

 

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