O teu parlamento nom é móvel? Pois troca-o!

20 de Março de 2007

Publicamos um artigo de actualidade escrito por Igor Lugris, membro da Direcçom Nacional de NÓS-UP, que partindo de umha informaçom quase inadvertida na imprensa diária, conclui acertadamente a corrupçom intrínseca ao sistema pseudodemocrático imposto à Galiza.

O teu parlamento nom é móvel? Pois troca-o!

"O BNG pede à Junta que exija a implantaçom do galego nos telemóveis ". Pudestes ler o titular em praticamente toda a imprensa nestes dias. Umha iniciativa do parlamentar do BNG Bieito Lobeira, para que a Junta inste às empresas de telefonia móvel a que incluam a nossa língua tanto nas opçons dos terminais como no serviço de atendimento ao cliente.

Nom serei eu que fale contra a presença da nossa língua nos telemóveis. O meu, já agora, está integramente na nossa língua porque, no menu "escolher idioma", optei por escolher a possibilidade "português", que é como internacionalmente se conhece a nossa língua, a língua galega. Mas, ainda que o Bieito Lobeira nom seja reintegracionista, poderia reconhecer (e com ele outras muitas pessoas), que escolhendo a opçom português, umha parte do problema está solucionado. Porque, contrariamente ao que se poder pensar, a nossa língua está presente nas novas tecnologias.

Mas nom pretendia falar disso. Nem queria falar da ideia de elaborar (por Lei da Junta?), um dicionário de termos SMS em galego, ideia extremamente peregrina.

O que mais me chama atençom deste tema é umha questom que aparece nas notícias que dérom os meios. Polos vistos, o Bieito Lobeira criticou que (e cito segundo a notícia aparecida em Vieiros) "nos aparelhos que se empregam no Parlamento nom há opçom do idioma do país nem do português".

O El Pais explicava melhor a questom: "en los aparatos que se emplean en el Parlamento [los teléfonos móviles que se les entregan a los diputados para su actividad política] no hay ni la opción en nuestro idioma ni en portugués".

Isto é incrível! Agora resulta que o Parlamento (quer dizer, todas e todos os galegos residentes na CAG, que som os que com os seus impostos pagam, entre outras cousas, os gastos do parlamentinho de cartom), também fornece de telemóveis aos parlamentares. Telemóveis de graça! Para a sua actividade política, claro. Claro, claro. Com certeza.

E como é isso? No final do mês, a presidenta do Parlamento revisa as facturas e controla os números de telefone para ver se alguém o empregou para actividades que nada tinham a ver com a sua condiçom de parlamentar?

Nestes momentos, o salário de um/ha parlamentar galego/a situa-se nos 53.000 euros. E daí para cima, tendo em conta que há que acrescentar a essa quantidade a cobrança de ajudas de custo, assistência a comissons, portavozias, e um longo etc. E ainda assim, com 53.000 euros anuais, precisam de que entre todos/as lhes paguemos o telemóvel? Parece de risa, mas é um assunto sério.

É um exemplo, um claro exemplo, da classe política que temos, e do sistema político que sofremos. Nestes momentos, o Salário Mínimo Interprofesional situa-se nos 7.572,60 euros anuais (540,90 mensais). Quantas vezes tés que multiplicar essa quantidade para chegar aos 53.000 euros de Bieito Lobeira e cia.? Como é possível que nom lhes caia a cara de vergonha?

 

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