Territorialidade e construçom nacional: entrevista com Maurício Castro

28 de Novembro de 2006

Diversos meios reproduzem a entrevista concedida por Maurício Castro ao diário El Mundo-Crónica de León no dia de ontem, para responder questons relacionadas com a proposta territorial da esquerda independentista galega. Aproveitamos o ensejo para publicar o conteúdo integral da entrevista, de interesse para conhecer um bocado melhor esse aspecto da proposta de construçom nacional da Galiza defendida por NÓS-Unidade Popular:

Ponferrada.— NÓS-UP é umha organizaçom nacionalista e independentista galega que defende a integraçom via consulta democrática de municípios asturianos, leoneses e samoranos na Galiza. Criada em 2001 a partir da confluência de diferentes sectores da tradiçom independentista, entende que parte do Berzo é terra galega e pede umha consulta para os seus habitantes opinarem.

P.— Um mapa deu a conhecer NÓS-UP noutras comunidades onde era desconhecida. Qual a origem da cartografia?

R.— Nom é novidade nengumha. Isto parte da existência do movimento em defesa dos direitos nacionais da Galiza no século XIX. Desde o primeiro momento, tem existido umha fórmula de que a Galiza nom se podia restringia às províncias traçadas artificialmente por Javier de Burgos. Um exemplo é o mapa do geógrafo Domingos Fontám, que em 1834 estabeleceu um precedente cartográfico do que é o mapa de hoje e publicado por NÓS-UP. Temos toda umha tradiçom que nos avaliza, da mesma forma que o nosso movimento nacional tem figuras de primeira magnitude, quer literária, quer política, originárias, desde o século XVIII, dessas comarcas. Podemos referir Cotarelo Valedor ou o Padre Sarmento, entre outros.

P.— O mapa transborda os limites actuais da Galiza e interna-se nas Astúrias e Castela e Leom. Pode-se interpretar que NÓS-UP considera os concelhos limítrofes com a Galiza parte dela?

R.— A resposta é que NÓS-UP considera esses concelhos parte da Galiza. O qual nom significa que queiramos impor-lhes um estátus. Ao contrário, pretendemos é que deixe de ser-lhes imposto o estátus jurídico actual. E que, pola primeira vez na história, sejam consultados sobre qual querem que seja esse estátus jurídico-político. Nós temos a nossa proposta particular, mas o fundamental é que sejam os habitantes das comarcas que pola primeira vez podam falar, porque até hoje ninguém lhes perguntou.

P.— Outra das polémicas surgidas com o mapa é que NÓS-UP tencionava reparti-lo nos colégios, nom apenas da Galiza, mas também nas Astúrias e Castela e Leom. Qual é a verdade sobre isto?

R.— O reparto, durant estes anos, foi bastante importante. Um verdadeiro êxito. Efectivamente, tem sido distribuído em centros de ensino de todo o tipo, e nom só na Galiza e nas comarcas de que estamos a falar, mas também um pouco por toda a Europa. Houvo pedidos ali onde havia galegos. Inclusive de umha universidade alemá. E precisamente por um galego originário de umha destas comarcas do exterior. É a primeira proposta que se apresenta de umha Galiza inteira, completa. Porque a expressom maioritária do nosso nacionalismo, o Bloque, numha posiçom possibilista, está a assumir a configuraçom de quatro províncias que nos impom o sistema autonómico actual, que nós rejeitamos.

P.— Há um ano, umha proposta do BNG convidava os concelhos limítrofes com a Galiza à sua integraçom nesta Comunidade. Propom o mesmo NÓS-UP?

R.— Temos a impressom de que o BNG assume a configuraçom actual da Galiza provincial. Quereríamos pensar que nom. Em todo o caso, desconhecemos o modelos programático do Bloque. O modelo que tem para as comarcas exteriores. Sabemos que rechaça a constituiçom de assembleias comarcais nalgumhas dessas comarcas, como é o caso do Berzo, e nós si a temos.

P.— Costumes, cultura, língua… mas perguntárom a vocês próprios o que é que pensam os habitantes dos concelhos limítrofes das Astúrias e Castela e Leom que o nacionalismo galego quer anexar?

R.— Com efeito. Nom só perguntamos isso a nós próprios, como tendo em conta o seu direito a pensar e opinar e inclusive decidir sobre o seu futuro, o que aspiramos é a que o Estado espanhol também faga essa mesma pergunta a si próprio. Em nengum momento se perguntou aos habitantes destas comarcas a que comunidade é que queriam pertencer. Em todo o caso, nós nom queremos anexar. A anexaçom existe na actualidade, porque estas comarcas estám anexadas sem consulta prévia a umhas comunidades com as quais nom partilham elementos de identidade tam fundamentais como a língua. E nom há que esquecer que nom tenhem o galego reconhecido como oficial, sendo maioritário em muitos casos.

P.— Os grupos minoritários e sem representaçom institucional escudam-se no Estado de direito para fazerem “marketing político” sobre as suas intençons finais?

R.— Nom procuramos campanha nengumha, se for a isso que quer referir-se. Editamos o mapa em 2003 e é em 2006 quando alguns media e o PP, fundamentalmente, som os agentes que ponhem na rua a campanha. Nós nom inventamos esta polémica. O PP chegou a pedir umha condena do Parlamento espanhol, e nós o que fazemos é contestar esses ataques em chave democrática. Defendemos que se pergunte a essas comarcas. A nossa proposta é que sejam parte do mesmo projecto nacional com a Galiza, porque nos parece que som galegas.

P.— Do ponto de vista nacionalista, há algumha formaçom com planos expansionistas?

R.— Nom há umha anexaçom desde o momento que seria umha mudança de estatuto jurídico-político voluntário, decidido democraticamente. Por anexaçom entende-se umha ocupaçom violenta ou forçar umha comarca a se integrar. Nós defendemos é que se dê a voz e que se permita decidir democraticamente os seus habitantes. De todas as formas, a única formaçom com planes expansionistas é o PP. Representa o nacionalismo espanhol, que pretende integrar nas suas fronteiras territórios nacionais com língua e identidade distintas ao resto.

 

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