Estudantes detidos e maltratados pola polícia espanhola apresentam testemunho escrito e provas gráficas

23 de Novembro de 2006

A gravidade do acontecido na tardinha da passada terça-feira no centro da capital da Galiza e, mais tarde, na esquadra policial, nom corresponde com o nulo eco dado polos meios de comunicaçom do sistema. Por acaso, o silenciamento coincide com o envolvimento de um dirigente do Estado terrorista de Israel na raiz dos protestos que originárom um novo caso de torturas policiais contra estudantes em Compostela.

Face ao silenciamento mediático, os dous jovens detidos e maltratados pola polícia espanhola figérom pública umha carta que reproduzimos a seguir na íntegra, junto às imagens que demonstram o tratamento recebido em dependências policiais.

De maneira incrível, o caso nom provocou nem sequer umha explicaçom das autoridades políticas, nem umha reclamaçom no Parlamento autonómico por parte de nengum dos grupos políticos ali representados.

A democracia de baixa intensidade que padecemos na Galiza manifesta-se, assim, em toda a sua verdadeira dimensom na falta de garantias dos galegos e galegas para exercermos direitos fundamentais sem a ameaça permanente das forças repressivas espanholas.

A carta de Aurélio Lopes e Iago Barros, os jovens detidos e maltratados, é extensa, mas vale a pena lê-la de princípio a fim. Ei-la:

"CARTA DOS DOUS JOVENS ESTUDANTES DA USC DETIDOS E TORTURADOS EM 21 E 22 DE NOVEMBRO

 Ante a gravidade dos factos acontecidos na capital de Galiza entre os dias 21 e 22 de Novembro, Aurélio Lopes e Iago Barros, detidos e torturado, queremos relatar o seguinte:

1) Efectivos antidistúrbios coordenados para defender da ira popular internacionalista a charla do ex-ministro dos Asuntos Estrangeiros do Estado terrorista de Israel detivêrom-nos irregularmente a propósito de presuntos actos de desobediência e injúrias à autoridade.

Minutos antes de começar a convocatória dumha concentraçom de protesto diante do prédio da Aula socio-cultural da CaixaGalicia onde Shalom Ben-Ami haveria dar umha conferência, dous agentes solicitárom o deslocamento dum carro para a nossa detençom alegando:

a-Ter sido chamados “terroristas” por um de nós. Várias testemunhas presentes defendérom-nos conhecendo que tal feito nunca tivo lugar.

b-Desobediência à autoridade por requerirmos umha justificaçom no momento em que, sem razom algumha, se dirigírom a nós para solicitar-nos identificaçom. Esta petiçom, realizada dum jeito intimidatório e prepotente antes inclusive de ter começado a concentraçom, seria a seguir satisfeita, motivo que nom saciou a sede repressora dos membros da Polícia espanhola.

2) Aproximadamente 20 minutos depois, fomos introduzidos numha carrinha policial compelidos por umha violência desproporcionada em que participárom umha dúzia de efectivos. Estes, arrastando-nos e agredindo-nos com patadas, forçárom-nos sem mediar palavra a penetrar no veículo. Antes de consegui-lo, Iago Barro foi brutalmente violentado nos seus genitais ao sofrer umha enorme pressom por umha mao policial, enquanto Aurélio Lopes era espancado e agredido com um cacete com que tentárom forçar-lhe o ano.

3) Umha vez trasladados à escuadra policial, três policias fechárom o garagem no qual se detivera o veículo, deixando-nos ao “cuidado” de três agentes, entre eles os dous que levavam o carro. Após saírmos do veículo, Iago Barros foi deliberadamente espancando com dous fortes golpes de cacete no lombo e as nádegas, enquanto transcorria o primeiro “cacheio” a que fomos submetidos. O maior dos polícias presentes tivo de intervir exigindo o seu companheiro que se tranquilizasse.

4) Levados à ante-sala dos calabouços, na qual aguardamos quase 5 horas sem ser informados sobre a nossa situaçom, fomos postos baixo vigiláncia, alternativamente desenvolvida por um ou dous agentes.

Passadas duas das 5 horas referidas, o polícia antidisturbios que provocou a nossa detençom no centro de Compostela baixou a “visitar-nos”. Ante esta inesperada e agressiva apariçom e, em previssom do que puder ocorrer, os agentes encarregados de custodiar-nos abandonárom cobarde e cumplicemente a sala.

A “intervençom” desta auténtica besta supujo que Aurélio Lopes fosse agitado e insultado, trás o qual o agresor se dirigiu a Iago Barros, a quem propinou três punhadas na cabeça com a mao direita, a qual enfundara previamente numha luva de lá, mantendo ao descoberto a mao esquerda, o que pode dar ideia da intençom com que acudiu onda nós. Acompanhando a gesta de horror com insultos e ameaças consistentes em frasses como “enséñame ahora la lengua que te la troceo” ou “esta noche la vais a pasar en los calabozos. Iré a visitaros para meteros un cuerno por el culo. Preparaos”. Ao abandonar o soto, e acreditando a natureza política das agressons, chamou-nos “desgraciados, bobos, terroristas”.

5) Sobre as 22,30 horas, após o sofrimento padecido, e ante os flagrantes danos causados em genitais, costas, nádegas e cabeça, decidimos solicitar atençom médica para Iago Barros Aliás, solicitamos o Habeas Corpus devido ao intolerável procedimento da detençom seguido pola Polícia espanhola em todo o momento, interpretado ao ritmo de falsidades, insultos, ameaças e agressons.

Se a primeira petiçom foi demorada até as 2 da madrugada, a segunda foi denegada polo juíz, que nom achou irregularidades no procedimento.

6) Um de nós, a tratamento médico crónico de dous órgaos vitais, dirigiu-se à polícia com a finalidade de lhe ser facilitada a medicaçom precisa. A reacçom, semelhante às anteriores, foi afirmar que “isso fai-se num momento”. Duas horas depois ninguém perguntara sequer qual era a medicaçom necessária, malia a nossa permanente insistência sobre este aspecto.

A medicaçom, solicitada às 22.30 para ser tomada às 23 horas, foi facilitada de jeito incompleto por serviços hospitalários às 03.30 da madrugada.

7) Finalmente informados, por volta das 01.00 horas da madrugada da nossa situaçom de detidos em qualidade de 4 delitos atribuídos (danos, desordens públicas, resitência à autoridade e atentado), fomos internados em calabouços, onde permanecemos a noite toda até às 09.00 da manhá sermos despertados para falar com o advogado e passar a instruçom.

Dito o qual, Aurélio Lopes e Iago Barros desejamos pôr em conhecimento de todo democrata galego a detençom irregular de que fomos vítimas e, particularmente, a tortura impingida durante o tempo que estivemos custodiados pola polícia.

Achamos doloroso termos sido sujeitos passivos de violaçons tam brutais mas, ante todo, achamos intolerável que na Galiza do século XXI, uniformados espanhóis se dignem a torturar em dependências da Polícia espanhola jovens galegos pola sua condiçom política.

Queremos rematar reconhecendo o trabalho mais importante do processo. É esse trabalho que fixo a gente desde o primeiro momento em que fomos levados polo ár. Ainda agora, escrevendo estas linhas, lembramos com emoçom o momento no qual os concetrados e concentradas rechaçárom a violência empregada e berrárom desde a injustiça contra os armados.

Muito obrigado a todas as pessoas que saírom o mesmo dia dos feitos à rua a denunciar o acontecido, a quem se concentrou até a nossa posta em liberdade, a todas as organizaçons e colectivos que tirárom comunicados, e a todas as pessoas que se interessárom por nós.

Agora mais do que nunca decatamo-nos do importante de construirmos um movimento social que ante estes feitos nom tem mais regras das que a democracia.

Por todo isto, apelamos a massa galega comprometida com os direitos fundamentais a tomar nota do relatado e agir em conseqüência.

CONTRA A REPRESSOM, MOBILIZAÇOM!

NENGUMHA AGRESSOM SEM RESPOSTA!

TORTURAS NA GALIZA NUNCA MAIS!

FORA AS FORÇAS DE OCUPAÇOM!!

P.S.: Devido a que os remetentes empregamos um correio particular para difundir a notícia, solicitamos de tod@s @s particulares e colectivos receitores, que encaminhem o texto para mais contactos e assim lograrmos a maior propagaçom. Além disto, sugerimos a possibilidade de ser pendurado o texto em todo o tipo de redes, sem modificaçom algumha (a menos que se quiger traduzir), nom sendo a ocultaçom do rosto das fotos.

Acompanhamos e anexamos fotografias dos hematomas sofridos por Iago Barros.

Muito obrigados."

 

 

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Iago Barros (membro do Conselho Nacional de AGIR) mostra um dos hematomas provocados polas continuadas agressons de agentes policiais espanhóis. Clica na imagem para a veres aumentada