Organizaçons sociais argentinas reclamam comparência de Manuel Fraga pola guerra suja da Triplo A

 

 

18 de Março de 2007

Duas entidades sociais de defesa dos direitos humanos em relaçom às actividades de terrorismo de estado na Argentina da década de 70 pedírom que o ex-presidente da Junta da Galiza e ex-ministro franquista Manuel Fraga seja levado a tribunal para depor sobre as actividades terroristas da organizaçom de extrema-direita argentina Triplo A.

À esquerda, Rodolfo Almirán, o ex-polícia, ex-membro da Triplo A e ex-guarda-costas de Fraga. À direita, Manuel Fraga acompanha o assassino Franciscos Franco, de quem sempre se confessou admirador

Triplo A é o nome com que se conhece popularmente a Aliança Anticomunista Argentina, organizaçom criada ilegalmente por instáncias governamentais para eliminar fisicamente militantes da esquerda revolucionária no país sul-americano. A organizaçom, dirigida polo ministro José López Rega, do Governo de Juan Domingo Perón, matou umhas 1.500 pessoas entre 1973 e 1975, o que dá ideia da dimensom das actividades de guerra suja na Argentina naqueles anos, onde o governo peronista financiava as actuaçons da Triplo A.

Rodolfo Almirón: Da Triplo A a Montejurra e guarda-costas de Fraga

As entidades sociais argentinas reclamam que a justiça do seu pais aproveite a presença do franquista e presidente-fundador do PP Manuel Fraga para que dê explicaçons sobre a "pública e notória" ligaçom de Fraga e o ex-polícia argentino Rodolfo Almirón, detido no passado mês de Dezembro polo seu envolvimento nas actividades da Triplo A. Rodolfo Almirón, além de polícia e membro da organizaçom de sicários de extrema-direita, foi durante anos guarda-costas pessoal de Manuel Fraga, a inícios da década de 80 e, estando demonstrada a sua presença em 1976 na matança de bascos no monte de Montejurra.

Previamente, a chegada da ditadura militar de Videla na Argentina tornou desnecessária a continuidade da Triplo A no país, pois fôrom directamente as forças armadas que se encarregárom nos anos seguintes do assassinato e desapariçom de militantes da esquerda argentina.

Elementos da Triplo A abandonárom o país em direcçom à Europa e Rodolfo Almirón integrou-se nas actividades terroristas da extrema-direita espanhola, especialmente activa logo a seguir à morte de Franco. Existem registos gráficos da presença de Almiróm em Montejurra, onde dous bascos morrêrom a tiro quando participavam na tradicional marcha carlista a esse monte, em 1976, com Fraga a cargo do Ministério da Governaçom. A sentença judicial por aqueles factos constatou a participaçom de ex-membros da Triplo A argentina, junto à Fuerza Nueva, Guerrilleros de Cristo Rey, Batallón Vasco-Español e Internacional Fascista Italiana.

Nos anos seguintes, Rodolfo Almiróm receberia a cidadania espanhola como prémio aos seus serviços à extrema-direita pró-franquista e exerceria de guarda-costas pessoal do principal líder desse segmento ideológico-político: Manuel Fraga.

CIG também aderiu ao pedido

Parece, pois, razoável o pedido das organizaçons sociais argentinas para que, aproveitando a presença de Fraga na Argentina para fazer campanha do PP entre a emigraçom galega, dê explicaçons sobre o seu envolvimento na história do terrorismo fascista argentino.

Já no passado mês de Janeiro, a CIG pediu Fraga fosse levado a tribunal, revelando que Rodolfo Almirón, a soldo do líder da direita espanhola, continuou a receber folhas de pagamento algum tempo depois de já ter deixado de trabalhar oficialmente para Fraga. A CIG lembrou que Fraga nom é o único dirigente do PP bem relacionado com Almirón, e que o actual presidente da Cámara Municipal de Madrid, Alberto Ruiz Gallardón, foi advogado dele, o que recomendaria que também ele fosse obrigado a depor em relaçom ao processo que se segue contra o terrorista argentino.

Porém, o estado de saúde da suposta "democracia" bourbónica espanhola indicia que, nem um, nem outro, serám obrigados a dar explicaçons sobre as suas boas relaçons com carrascos do fascismo argentino.

 

Voltar à página principal