Máfias e corrupçom enchoupam urbanismo galego

1 de Março de 2007

Nos últimos tempos, sucedem-se as notícias referentes ao alto grau de corrupçom política e económica que enchoupa o urbanismo nos centros urbanos da Galiza, com promotores a marcarem os planeamentos, partidos a entregarem terrenos públicos para a construçom incontrolada e até grupos anónimos a acertarem contas pola falta de "colaboraçom" nalguns concelhos. A máfia da construçom é um facto.

Vista das obras na Porta Nova de Ferrol, onde o PP e IF querem levantar um edifício de 21 metros que mutile um dos poucos espaços públicos no centro da cidade. Neste domingo decorre a terceira manifestaçom contra o projecto da direita espanhola

Lembremos o ataque sofrido por um vereador do BNG em Nigrám, David Giráldez, após ter denunciado irregularidades na área de urbanismo desse concelho. Em 2005, o vereador da oposiçom sofreu a queima anónima do seu carro particular. Agora soubemos do ataque sofrido pola sede local do PSOE na mesma localidade do sul da Galiza, que governa o Partido Popular.

Do Partido Popular som também os vereadores envolvidos numha trama de corrupçom urbanística em Gondomar, com cobrança de comissons de construtoras incluídas. Houvo duas detençons, umha correspondente ao vereador do Urbanismo, mas o PP continua à frente do Governo municipal.

Ferrol: campo de operaçons da barbárie e a corrupçom urbanística da direita espanhola

Em Ferrol, onde também governa o Partido Popular, em coligaçom com umha cisom liderada por Juan Fernández, ex-conselheiro da Indústria com Fraga também acusado no seu dia de delitos fiscais, descobriu-se nesta mesma semana o negócio que esse elemento da direita local está a fazer com os terrenos da carvalheira de Menáncaro.

Considerado o derradeiro reduto de massa florestal autóctone no concelho, Menáncaro é objecto de desejo de Juan Fernández, proprietário de 60 hectares e responsável político pola operaçom, que já vendeu o direito de compra a umha empresa por 192.324 euros, comprometendo umha urbanizaçom acorde com os interesses da imobiliária, que quer converter a fraga num conjunto de casas e chalets de elite.

Também na Porta Nova, praça emblemática de Ferrol, o PP e IF querem levantar um edifício de 21 metros de altura, aproveitando as obras de reforma em curso, contra o critério do movimento vicinal, que já protagonizou duas importantes manifestaçons contra o projecto. A Junta da Galiza acaba de ordenar a paralisaçom, mas dando um prazo de três meses, o que permite que Juan Juncal, do PP, continue avante com a agressom urbanística.

Neste domingo, ao meio dia, haverá umha terceira manifestaçom, em cuja convocatória participa NÓS-Unidade Popular, para reclamar a definitiva retirada do projecto, mas as operaçons urbanísticas nom ficam por aí. Piscinas privadas em praças públicas, demoliçom de bairros inteiros para levantar blocos de edifícios... a direita espanhola "arrasa" em Ferrol.

Todos envolvidos?

É difícil fazer umha contagem exaustiva de todos casos, mas podemos referir alguns dos mais conhecidos. Nengum dos principais partidos fica livre de responsabilidades:

- a aprovaçom do PGOM do PP em Vigo com os votos do BNG, acusado de favorecer os interesses dos grandes promotores urbanísticos e ir contra um modelo ordenado e racional de cidade;

- o porto desportivo de Cangas, que também enfrenta forte oposiçom popular por representar umha grave agressom ambiental para favorecer interesses privados;

- o julgamento do presidente da Cámara de Tui polo PP, Feliciano Fernández Rocha, acusado de prevaricaçom pola requalificaçom de solos e a requalificaçom urbanística;

- as manobras de compra-venda e requalificaçom de terrenos do vereador do PSOE no Porto Doçom, Manuel Vázquez, acusado de delitos urbanísticos;

- suspensom das competências urbanísticas à Cámara Municipal de Verim, polas continuadas irregularidades, e contra o critério do presidente da Cámara polo PSOE, Emilio González Afonso, que queria continuar a dar ou negar licenças sem controlo;

- as mais do que prováveis relaçons entre fogos florestais e as requalificaçons de terrenos;

- as agressons empresariais em zonas de grande valor ambiental e paisagístico da costa, com a cumplicidade de nom poucas instituiçons;...

A marbelhizaçom é um processo já verificável no nosso país, dentro do modelo neoliberal capitalista, ao qual as instituiçons só fam frente quando o projecto em causa está em maos do partido contrário, como arma de arremesso diante do processo eleitoral de turno, e desde que exista umha forte pressom popular, que nem sempre é fácil organizar.

Porém, nom há dúvida que esse é o único caminho para determos o desastre urbanístico que a Galiza padece cada vez mais intensamente.

 

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