Os pontos de contacto entre os fascismos espanhol e chileno

12 de Dezembro de 2006

Os paralelos entre os processos históricos vividos no Chile e no Estado espanhol, com quase quatro décadas de diferença, dam nas vistas, se bem que haja diferenças também notáveis. Seguramente por isso o próprio tirano Pinochet manifestava a sua admiraçom polo ditador espanhol, considerando-se o seu émulo no Chile.

Nos dous casos, movimentos progressistas que ultrapassavam a cosmética social-democrata ameaçavam os privilégios das respectivas oligarquias após a derrota da reacçom nas urnas. Nos dous casos, sectores dos respectivos exércitos assumírom o protagonismo na derrocada dos governos legítimos.

No caso chileno com um golpe efectivo que se seguiu à campanha de boicote de sectores burgueses às medidas da Unidade Popular de Allende. No caso do Estado espanhol, a fortaleza do movimento popular em áreas estratégicas como Madrid ou a Catalunha, forçou umha guerra que finalmente ganhou o fascismo, graças aos apoios do eixo, ao boicote à república das democracias burguesas ocidentais e às divisons no seio do antifascismo.

Nos dous casos, seguiu-se o extermínio físico da oposiçom política, ainda que no caso espanhol o massacre fosse muito maior em termos quantitativos.

Mas as similitudes chegam ao continuísmo que, nos dous casos, supujo o novo regime que se seguiu às ditaduras, com democracias formais que se recusam a reabilitar os milhares de vítimas e rendem honras institucionais aos ditadores à sua morte.

O Bourbon e Fraga, expoentes vivos das simpatias mútuas entre os fascismos espanhol e chileno

Por se ficava algumha dúvida sobre a comunhom político-ideológica dos sectores mais reaccionários das classes dirigentes espanhola e chilena, Manuel Fraga nom deixou passar a ocasiom da morte de Pinochet para reafirmar o seu reconhecimento ao assassino chileno: "Podia ter cometido alguns excessos mas, em princípio, deixava um país melhor do que tinha encontrado", afirmou o ex-ministro franquista a quem o PSOE quer dedicar umha rua da capital da Galiza.

O rei espanhol e o general chileno quando ainda nom havia problema em arejar as boas relaçons entre as instituiçons "democráticas" espanholas e chilenas.

Fraga, amigo pessoal de Pinochet, reconheceu que, quando os militares entram em política, "já se supom que sempre tem aspectos violentos", mas o cômputo final é positivo para o velho fascista que presidiu, para vergonha dos galegos e galegas nacional e socialmente conscientes, a Junta da Galiza.

No caso do chefe do Estado espanhol, Juan Carlos de Bourbon, as boas relaçons com o ditador chileno partem já do início do seu reinado. Existem testemunhos gráficos que assim o certificam, e outros documentos oficiais mais recentes que o ratificam. É o caso da condecoraçom recebida de maos do presidente da Cámara de Santiago de Chile Joaquín Lavín, reconhecido pinochetista. Nengumha novidade, de resto, se tivermos em conta que as boas relaçons do Bourbon com genocidas se estendêrom a personagens como o general argentino Videla, tendo sido o espanhol o terceiro chefe de estado (depois do próprio Pinochet) a visitá-lo oficialmente em Buenos Aires em plena ditadura argentina.

Naturalmente, no caso do rei espanhol, as velhas relaçons com ditadores como Pinochet ou Videla som silenciadas ou maquilhadas polos aparelhos mediáticos pró-oficiais, mas o sorriso e o aperto de maos dos dous militares na imagem acima som um inequívoco testemunho dos pontos de contacto entre os fascismos espanhol e chileno.

 

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A de Juan Carlos de Bourbon e Augusto Pinochet é umha velha relaçom que mal consegue ser silenciada polos aparelhos de propaganda do regime espanhol. Na imagem vemos a capa da revista editada por "Fuerza Nueva" com motivo da visita oficial de Pinochet ao recém coroado rei de Espanha, na década de setenta.