E agora Galiza...

20 de Junho de 2008

Publicamos a seguir o artigo de opiniom escrito polo militante do movimento juvenil independentista Diego Bernal, em que reflecte sobre a evoluçom do movimento nacionalista e popular galego nas últimas décadas e sobre a sua realidade actual.

E agora Galiza…

Diego Bernal, militante da organizaçom juvenil independentista BRIGA.

Existe na literatura ocidental umha crença que afirma que a infáncia é a época mais feliz da vida.

Com certeza, a meninice do nacionalismo galego, plasmada na criaçom do BNG, foi-no para os trabalhadores e trabalhadoras da Galiza. Nada pode gerar mais satisfacçom na classe operária consciente que a existência de umha força de esquerdas e de massas como era o BNG na década de 80. Nom há dinheiro que pague o orgulho que sentiam milhares de antifascistas, milhares de resistentes ao franquismo ao se negar um líder político, em representaçom da dignidade ceifada durante anos e anos por falangistas, militares e guarda civis, a dar a mao ao presidente da Junta, representante do franquismo sociológico. Nem alegria mais grande que ver respaldados nos meios de comunicaçom o activismo diário feminista ou a denúncia à cruel e diária discriminaçom aturada em solidom por heroicas mulheres anónimas. Nom havia maior desfrute para ecologistas e pessoas preocupadas pola poluiçom devastadora do meio ambiente que ter no parlamento galego deputados e deputadas dispostos a dizerem nom às barragens, nom à vergonha do Jalhas, nom à celulose, nom à conversom da viçosa natureza galega na lixeira da oligarquia espanhola. Ninguém que pudesse imprimir mais fôlegos n@s activistas do idioma, nos defensores e defensoras da cultura galega.

Hoje, um oceano de acontecimentos afastam-nos dessa infáncia de que falou Sartre nas suas Palavras.

Em moço, o nacionalismo foi recuando posicionamentos, calando verdades –isso que a corrupta democracia burguesa denomina eufemisticamente “moderar o discurso”, e renunciando a princípios. Finalmente acordou um dia já velho sem saber muito bem como. Aquele aperto de maos entre Fraga e Beiras afinal era muito mais que a simples formalidade com a que argumentavam os dirigentes da frente a mudança de rumo. E é que em política nada é por acaso. Aquela fatídica ceia deu cabo do esforço de várias geraçons que dedicárom boa parte das suas vidas ou mesmo a vida inteira a erguerem um movimento político cujos objectivos eram claros: Galiza ceive, poder popular.

Poucas cousas ficam daquele nacionalismo que inçava de manifestaçons o País com fouces e martelos e bandeiras da pátria. A palavra autodeterminaçom foi apagada dos discursos e trocada por autonomia, a estrela vermelha do logótipo,há tempo esvaziada de conteúdo, agora torna-se azul nos seus cartazes por razons de “marketing” e aginha há ser o próprio nome do País que seica vai deixar de ser Galiza para ser Galicia. Desta volta também há escusa: as leis, a Real Academia Galega, somos minoria no governo, os votantes, Tourinho...

As causas som bem mais preocupantes, hoje no Bloque já nom há ideias. Os princípios do BNG, que eram os da classe trabalhadora, fôrom trocados por um prato de lentilhas. Quintana já nom tem vergonha em ir detrás de umha faixa em defesa da Constituiçom espanhola à beira doutros dirigentes da U, tal e como pudemos comprovar há uns anos. Que sarilho lhe há causar agora deitar no lixo o único que resta daquele BNG combativo e de esquerda, o nome dessa naçom milenária e oprimida que di defender?

E é que enquanto Quintana mergulha o povo trabalhador galego num rio de trevas sem sorriso outr@s continuaremos a pronunciar Galiza a sorrir.

 

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