Discurso de Primeira Linha no acto de encerramento da Assembleia Nacional de NÓS-UP

5 de Dezembro de 2007

Intervençom de Carlos Morais na IV Assembleia Nacional de NÓS-UP

Compostela, 1 de Dezembro de 2007

Boa tarde amigas e amigos, companheiras e companheiros, camaradas!

Um dia como hoje, de há exactamente cinco anos, dúzias de milhares de pessoas, chegadas de toda a Naçom, colapsavam as principais ruas de Compostela.

Chovia muito, mas a água era incapaz de parar aquela maré de rebeldia, indignaçom e raiva contra os governos espanhol e autonómico polo tratamento realizado perante a crise nacional provocada, tal como correctamente NÓS-UP definiu naquele momento, polo atentado terrorista que provocou o afundamento do Prestige a 250 quilómetros da Costa da Morte.

Nas semanas e meses seguintes assistimos à formaçom de um amplo movimento popular onde o espontaneísmo das massas e o dirigismo da corrupta e complexada direcçom autonomista conviviam em contínua contradiçom.

Fôrom jornadas luminosas, de grandes esperanças, em que se percebeu com essa nitidez que só se atinge em situaçons extaordinárias o verdadeiro rosto e natureza do capitalismo:

A manipulaçom dos meios de desinformaçom da burguesia, as mentiras dos políticos, o desprezo polo povo, onde a massividade e contundência de amplos sectores populares tinha assustados aos profissionais da política, do PP, do PSOE e do BNG.

O véu que vem cobrindo secularmente os olhos de centenas de milhares de galegas e galegos de repente caiu, e de um dia para o outro o nível de aspiraçons socialmente compartilhado experimentou um incremento espectacular. A história avançou décadas em poucos dias!

O fulgurante processo de autoorganizaçom popular, a capacidade criativa do povo trabalhador para fazer frente às conseqüências da catástrofe, o descrédito das instituiçons do regime, a politizaçom social, a permissividade com os métodos mais avançados de luita, foi acompanhada do incremento da auto-estima colectiva, do sentimento de orgulho nacional, de confiança na nossa capacidade como Naçom a fazer frente a um problema que outros provocaram e agora nom sabiam resolver.

Porém, a fraqueza das forças revolucionárias, o raquítico nível de organizaçom popular, e a habilidade do reformismo autonomista para reconduzir umha rebeliom social num protesto cívico baseado numha crítica responsável que procurasse consensos institucionais e rendimento eleitoral, provocárom que a dia de hoje, cinco anos depois, a Galiza do Nunca Mais seja um simples souvenir turístico.

Nom queriam provocar a demissom de Fraga, temiam mais o poder das massas na rua que a maioria absoluta do PP, por isso gorárom a convocatória da greve geral, por isso o BNG aderiu à táctica do PSOE de apresentar umha inofensiva moçom de censura condenada desde o início ao fracasso. Por isso todo o mundo acabou coincidindo na denúncia abstracta: desde as empresas à Legión, as universidades ao monarca espanhol e até o próprio Bush. Realmente patético, mas verídico!

A história da luita de libertaçom nacional, a história da luita de classes voltou a dar novamente umha leiçom sobre a importáncia da organizaçom popular, sobre a importáncia da existência de organizaçons revolucionárias experimentadas, com influência e apoio social, com raízes profundas no povo, preparadas para incidir e ser referenciais nas etapas de crise do capitalismo, essa vanguarda catalisadora que nos ensinárom Lenine e o Che.

Também nos voltou a lembrar que as luitas populares devem estar dirigidas polo povo trabalhador, pola classe trabalhadora, nom por artistas, poetas, escritores, músicos... se realmente pretender mudar o presente.

E logicamente a importáncia de manter viva a memória popular, para aprender dos erros e dos acertos nas novas ocasions em que as contradiçons do sistema capitalista gerem amplos movimentos de luita.

Hoje a existência de NÓS-UP, -cinco anos depois daquele movimento social sem precedentes na nossa história contemporánea-, é umha pequena esperança, umha modesta mas real garantia, para que mais cedo que tarde, a Galiza do NuncaMais, a Galiza das greves gerais contra o neoliberalismo, a Galiza da oposiçom estudantil à LOU, a Galiza do anti-imperialismo contra as agressons militares, volte a ocupar as ruas, para que o horizonte libertador e emancipador da Independência e o Socialismo determine as batalhas do futuro.

Amigas e amigos, companheiras e companheiros, camaradas,

Primeira Linha manifesta a sua mais sincera satisfaçom e orgulho polos resultados desta IV Assembleia Nacional de NÓS-UP que também sentimos como nossa.

Estamos assistindo ao início de um novo ciclo de imensos combates gerados pola agudizaçom da crise da civilizaçom capitalista. Aí coincidiremos com todas aqueles que nos consideramos parte desse amplo movimento a escala mundial que desde os inícios da humanidade combatemos por umha sociedade sem classes, sem injustiças, nem opressom.

Numha conjuntura caracterizada polo confusionismo e os jogos malabares tantas vezes repetidos no nosso País e no nosso movimento,os filhos da madrugada nom podemos desviar as nossas energias e preocupaçons em luitas grupais superestruturais, alimentando leituras fetichistas de unidades, temos um imenso povo que convencer e organizar, um mundo que ganhar.

Parafraseando o Che, - no quadragéssimo aniversário da sua morte na Bolívia- nunca podemos esquecer que

o caminho é longo e está cheio de dificuldades. Às vezes por extraviar a rota, há que retroceder; outras, por caminhar com excessiva pressa, separamo-nos das massas; nalgumhas ocasions, por fazé-lo lentamente, sentimos o alento próximo dos que nos pisam os calcanhares. Na nossa ambiçom de revolucionários, tratamos de caminhar tam depressa como seja possível, abrindo caminhos, mas sabemos que temos que nutrir-nos da massa e que esta só poderá avançar mais rápido se a alentamos com o nosso exemplo”.

A Revoluçom Galega que sonhamos, pola qual luitamos, em que nos comprometemos, em que estamos dispostas a dar a vida nom será possível sem vós!

VIVA NÓS-Unidade Popular!!

Antes mortas que escravos!

 

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