NÓS-UP volta a reclamar o fim da Cidade da Cultura

21 de Setembro de 2007

Tal como vem fazendo desde o ano 2000, a esquerda independentista representada por NÓS-Unidade Popular voltou a reclamar a suspensom definitiva do projecto "faraónico", "inútil" e "desnecessário" imposto primeiro polo PP e agora polo bipartido formado polo PSOE e o BNG no monte Gaiás, em Compostela.

Quando os três grupos municipais compostelanos coincidem, juntamente com o jornal da extrema-direita localista, El Correo Gallego, na promoçom da Cidade da Cultura custe o que custar, NÓS-UP rompeu com o localismo "politicamente correcto" e a sua Assembleia Comarcal compostelana voltou a apresentar umha iniciativa pedindo a "paralisaçom definitiva do projecto" e a utilizaçom das obras já feitas a "fins sociais".

Reproduzimos a seguir a iniciativa na íntegra, retirada do web de NÓS-UP.

 

STOP À CIDADE DA CULTURA

PP-PSOE-BNG esbanjam fundos públicos

Quando, no ano 2000, a esquerda independentista representada hoje por NÓS-UP se manifestou radicalmente contrária à Cidade da Cultura, o projecto estrela da direita espanhola, éramos poucas as vozes que questionavamos esta obra faraónica. Posteriormente, após diversas campanhas e iniciativas silenciadas polos meios de comunicaçom, em plena crise do Prestige voltamos a solicitar a imediata paralisaçom das obras, assim como que se destinasse o orçamento a ajudar as vítimas do desastre ambiental e económico provocado polo afundamento do petroleiro.

Daquela, tal como hoje, umha maioria do povo compostelano e galego éramos e somos contrários a que se continue a esbanjar o património público numha obra inútil, desnecessária, que aposta na banalizaçom e na cultura espectáculo, na sua privatizaçom, para a converter num simples reclamo turístico elitista.

Os 22.000 milhons das antigas pesetas previstos em 2001 convertêrom-se na actualidade em mais de 374 milhons de euros. Um autêntico disparate num país com grandes carências no ámbito cultural. No Gaiás continuam a ser injectados milhons e milhons de euros, enquanto nos bairros do Viso e do Sar continuam sem ser resolvidas carências históricas como a falta de transporte público ou o saneamento integral do rio.

A chegada, em 2005, do PSOE-BNG à Junta nom alterou os planos de construçom desse enorme e caríssimo sarcófago “cultural”. A Conselharia da Cultura da Junta mantém o desenvolvimento das obras executadas e continua a esbanjar irresponsavelmente o dinheiro do povo galego, sem umha estratégia definida do quê fazer no monte Gaiás. Mas, por se isto nom fosse suficiente, a Junta entregou a gestom do mega-projecto a umha Fundaçom formada polo grande capital financieiro, multinacionais, grandes empresas e as universidades galegas, seguindo os ditames do neoliberalismo. O povo trabalhador galego financia o que vai ser um grande negócio para os capitalistas e os seus políticos.

Perante a recente articulaçom de umha plataforma social contra a obra, as forças políticas institucionais com representaçom no Concelho de Compostela acabam de aprovar umha resoluçom municipal de pleno apoio à Cidade da Cultura. A delirante campanha do jornal reaccionário El Correo Gallego começa a dar os seus frutos.

As forças políticas do regime, com o apoio da burguesia (Cámara de Comércio, associaçons empresariais, colégios profissionais) e as mais diversas instituiçons como a USC, optam por fechar fileiras envolvidas do mais rançoso vitimismo compostelanista. É previsível que nas vindouras semanas continuem a somar apoios da “sociedade civil” subsidiada.

Bugalho, Néstor e Conde Roa novamente coincidem em defender os interesses das elites contra os da maioria do povo trabalhador.

É possível parar as obras, é possível evitar que a Galiza continue a esbanjar tantos recursos para favorecer as elites políticas (as que acabárom de aprovar um plus salarial de 15.000€ anuais com carácter vitalício) e as grandes empresas e bancos. A organizaçom e mobilizaçom social será determinante para evitarmos umha desfeita ainda maior.

NÓS-UP solicita:

1º- A imediata paralisaçom das obras da Cidade da Cultura.

2º- Destinar os actuais prédios construídos a serviços sociais.

3º- Abertura de umha auditoria das contas, desde o início do projecto até a actualidade.

4º- Destinar os actuais orçamentos a obras sociais em matéria de educaçom, cultura e saúde.

5º- Dissoluçom da Fundaçom da Cidade da Cultura.

6º- Depuraçom das responsabilidades penais contra os responsáveis polo esbanjamento de fundos públicos.

 

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