FAO reconhece que a chegada dos biocombustíveis vai encarecer alimentos básicos

6 de Setembro de 2007

Um estudo publicado pola FAO (Organizaçom das Naçons Unidas para a Agricultura e a Alimentaçom), apresentado recentemente em Paris, reconhece de forma inequívoca que a crescente procura de biocombustíveis está a provocar já umha alteraçom no mercado agrícola internacional, com destaque para a subida de preços de alguns alimentos básicos e com efeitos mais graves nos países empobrecidos.

O estudo, intitulado “OECD-FAO Perspectiva Agrícola 2007-2016” prevê um aumento progressivo dos preços de produtos agrícolas nos próximos anos, o que encarecerá o acesso à carne, aos produtos lácteos e aos óleos vegetais, o que de facto já está a verificar-se.

Além do mais, os países importadores e as camadas mais pobres das populaçons urbanas irám ser os sectores mais afectados por essa nova tendência da economia global capitalista como conseqüência da introduçom dos chamados biocombustíveis.

Procura de cereais e encarecimento de alimentos básicos

O documento confirma a advertência lançada por Fidel Castro sobre as ameaças da dedicaçom de extensos terreios agrícolas à produçom de biocombustíveis. A procura de cereais, açúcar e óleos vegetais (milho nos EUA, trigo na UE e açúcar no Brasil, basicamente) utilizados em grande escala como matéria-prima para a produçom de biocombustível elevará os preços ao longo dos próximos dez anos.

Além do mais, a utilizaçom dos países empobrecidos para a monocultura e exportaçom de produtos como os referidos ou ainda a soja e a palmeira, levarám à destruiçom da biodiversidade e do sustento das populaçons rurais locais.

Como exemplo, a FAO lembra que entre 2007 e 2008, só para os EUA, vam ser precisos 86 milhons de toneladas de milhom para a produçom de etanol, quer dizer, 60% a mais (30 milhons de toneladas) do que o total utilizado no período imediatamente anterior, quantidade maior do que o total de exportaçons de milho em todo o mundo, que “só” atinge os 82 milhons de toneladas. Nos anos sucessivos, falando ainda só dos EUA, o etanol produzido a partir do milhom irá duplicar a produçom até 2016, o que dá ideia das dimensons da nova estratégia energética, que alguns grupos ambientalistas já denominam “ameça vestida de verde”.

No caso da Uniom Europeia, que produziu 3,9 milhons de biocombustíveis em 2005, mais 60% do que em 2004, a quantidade de cereais destinados a essa tarefa vai passar de 10 milhons de toneladas para 21 milhons de toneladas até 2016.

Há alternativas

Mais de 200 organizaçons ambientalistas europeias reunidas no passado mês de Abril criticárom a posiçom da Uniom Europeia na questom, e apontárom para alternativas como a utilizaçom de biomassa, energia solar ou eólica como alternativas aos chamados biocombustíveis, já que a nova estratégia energética vai representar, antes de mais, umha ameaça para a segurança e para a soberania alimentar dos povos.

O activista ambiental português Gualter Barbas Baptista explicou que os produtores que ganham menos de um dólar por dia no cultivo rumado à alimentaçom, passarám a ganhar mais de um dólar por litro de combustível. Além do mais, a produçom agrícola assente no monocultivo incluirá umha intensa mecanizaçom e utilizaçom de agroquímicos, como os pesticidas e os fertilizantes, que contribuem para ameçar a saúde.

 

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