25 de Julho: Haverá manifestaçom autodeterminista unitária

15 de Julho de 2007

A cada vez mais evidente renúncia do BNG a representar politicamente o soberanismo de esquerda no nosso país verá neste Dia da Pátria como surge umha nova tentativa de articulaçom dos sectores sociais e políticos que continuamos a apostar no irrenunciável direito de autodeterminaçom.

Causa Galiza é o fruto de meses de debates e posta em comum de uns mínimos à volta da necessidade de socializar a reivindicaçom da autodeterminaçom nacional para fazer frente ao autonomismo a que as principais forças políticas querem reduzir o horizonte de liberdade do nosso povo.

Umha nova oportunidade para a imprescindível unidade

Com toda a cautela que um processo complexo como este supom, a convocatória de um Dia da Pátria unitário constitui um ensaio que poderá dar passagem a umha via de futuro para a construçom de umha esquerda soberanista unida, se desta vez existir suficiente compromisso e madurez das forças envolvidas no processo.

A militáncia do nosso partido vem participando desde o início, junto a todo o espectro de forças e individualidades soberanistas, na constituiçom de Causa Galiza. Consciente da dificuldade de superar divisons e particularismos históricos, a corrente política em que Primeira Linha se inscreve, junto aos companheiros e companheiras de NÓS-Unidade Popular, BRIGA e AGIR, tem toda a determinaçom para fazer possível que, sem pressa e sem pausa, seja construído um novo espaço autodeterminista e de esquerda que apresente umha alternativa imprescindível para o futuro da Galiza e do seu povo trabalhador.

O respeito pola pluralidade, o reconhecimento mútuo e a natureza inequivocamente soberanista e de esquerda som os únicos condicionantes que a militáncia comunista tem posto e continuará a pôr sobre a mesa para que haja um avanço, a um ritmo realista, em direcçom àquilo que um crescente sector do povo trabalhador galego exige: a recomposiçom do espaço sociopolítico da esquerda independentista, alargado a outros sectores que situam a soberania nacional construída a partir da esquerda como eixo do processo em curso.

Reproduzimos a seguir o manifesto lançado pola nova plataforma autodeterminista, que se apresentou ontem mesmo ao pé da compostelana igreja de Sam Martinho Pinário, símbolo da resistência nacional galega em 1846.

Manifesto Causa Galiza

No debate social e político, quando se fala dos direitos a que podemos e devemos aspirar, som centrais ideias e conceitos como soberania, livre poder de decisom, direito de autodeterminaçom, independência, etc. Palavras que adquirem mais sentido no actual contexto de reforma institucional do Estado espanhol e no cenário europeu, onde a reivindicaçom da liberdade dos povos tem plena actualidade, como se comprova na Escócia, Montenegro, Catalunha, Irlanda, País Basco, Córsega, etc. É preciso, portanto, falar da Galiza como dumha naçom com todos os seus atributos, do Ortegal ao Minho e de Fisterra ao Berzo, confrontando-nos com a maré uniformizadora espanhola e da globalizaçom capitalista.

Mas hoje, assistimos a um processo pactuado de reforma estatutária ensaiada polos principais partidos políticos, que tem como finalidade blindar para o futuro a estabilidade institucional e territorial espanhola em torno de um consenso entre as forças políticas constitucionalistas. Isto contrasta com os 27 anos de história como ‘comunidade autónoma’ em que as problemáticas que afectavam o nosso povo nom fôrom resolvidas. Muito polo contrário, na maioria dos casos tenhem-se agravado. Durante essa etapa foi liquidada grande parte da estrutura produtiva nacional, aumentando o desemprego, a precariedade laboral, a emigraçom, a pobreza e a exclusom social; atingimos as taxas mais elevadas de sinistralidade laboral, recebendo os mais baixos salários e prestaçons sociais; suportamos um permanente desastre demográfico; padecemos alarmantes quotas de poluiçom, especulaçom urbanística e desfeita ambiental, e a língua e a cultura nacional esmorecem pola pressom espanholizadora. A Autonomia demonstrou ser umha ferramenta jurídico-política incapaz de solucionar as principais consequências derivadas da nossa condiçom de naçom subalterna privada de soberania. A listagem de problemas que som irresolúveis no quadro constitucional é bem longa. Umha administraçom autonómica de minguada capacidade nom pode enfrentar essa realidade e resolver os problemas de trabalho, ordenaçom territorial e administrativa, sistema educativo e sócio-sanitário, políticas industriais, agrárias e pesqueiras, energia, língua, cultura e desporto, ambiente, transporte e comunicaçons, relaçons internacionais, etc.

Porém, o poder institucional e as forças autonomistas tentarám abordar umha reforma estatutária que mantenha a Galiza amarrada e sem direitos. Sem direito a decidir sobre o seu modelo socioeconómico, sobre o quadro jurídico-político que melhor responda aos interesses da maioria, ou sobre as medidas necessárias para garantir a plena normalizaçom social do idioma; sem direito a gerir os recursos naturais atendendo às suas próprias necessidades e nom às do exterior... Em definitivo, sem dispormos de poder de decisom para contornar a condenaçom ao deterioro social e ambiental prolongado e à desapariçom final como naçom. Neste sentido, o reconhecimento do direito de autodeterminaçom é umha garantia fundamental dum futuro de liberdade e justiça social, porque sem autodeterminaçom nom pode haver democracia.

É com base nesta realidade que umha série ainda aberta de pessoas, colectivos e entidades sociais e organizaçons e forças políticas galegas decidimos nos últimos meses iniciar umha nova caminhada conjunta que sirva para dar coerência e unidade às reivindicaçons existentes no seio do nosso povo, e que nom estám representadas nos consensos da oficialidade, nem na só aparente diversidade de ofertas políticas da precária democracia em que vivemos.

A necessidade de que as ánsias desse amplo sector do povo galego que nom renuncia ao exercício dos direitos nacionais da Galiza, tenham voz e se podam difundir as ideias e propostas soberanistas, deu lugar a um debate cujo fruto concreto é Causa Galiza: umha entidade social ampla e de esquerda, aglutinada em torno da necessidade de defendermos o exercício do direito de autodeterminaçom pola parte do nosso povo.

Por isso, enfrentaremos a tentativa de dar continuidade à fracassada via autonómica, exigindo que qualquer mudança do actual Estatuto passe pola abertura de um processo de autodeterminaçom em que o povo poda decidir sobre esses e outros aspectos fundamentais para o desenvolvimento da Galiza.

Conscientes da nossa responsabilidade neste momento histórico, defenderemos a nossa firme aposta nestes princípios e a máxima flexibilidade na acçom, para ganharmos mais galegos e galegas para a causa da libertaçom nacional e social. A causa da Galiza.

Galiza, Julho de 2007

 

 

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