Proclama Bolivariana: Do centro do mundo

5 de Março de 2008

No passado dia 28 de Fevereiro concluiu, com umha manifestaçom, o II Congresso da Coordenadora Continental Bolivariana, decorrido em Quito entre os dias 24 e 28. Ali estivérom delegaçons revolucionárias de todo o continente americano, além de outras convidadas europeias, nomeadamente alemás, italianas e bascas.

Achamos de interesse, pola trascendência dessa importante aliança anti-imperialista e revolucionária continental, divulgar a traduçom galega do manifesto ou 'proclama' final aprovado. Ei-lo:

Proclama bolivariana

Do centro do mundo

De Quito, capital do Equador, as organizaçons políticas, movimentos sociais, pessoas, espaços de coordenaçom e expressons das mais diversas formas de luita contra o sistema de dominaçom do grande capital, do imperialismo estado-unidense e mundial, e as oligarquias latino-americanas e caraíbas, integrantes todas(os) da Coordenadora Continental Bolivariana (CCB)…

A partir da inquebrantável determinaçom de levar a feliz termo os processos libertadores iniciados polos nossos povos originários e continuados polo libertador Simón Bolívar e demais próceres da nossa primeira independência na sua condiçom de condutores de povos em rebeldia contra a dominaçom colonial...

A partir das nossas luitas actuais em favor das novas revoluçons, as democracias populares e participativas, a nova independência e as transformaçons destinadas à progressiva socializaçom das riquezas criadas com o trabalho colectivo e dotadas pola natureza…

A partir da nossa persistente decisom de integrarmos as diversas nacionalidades, raças, etnias, géneros e geraçons, numha grande pátria latino-caraíbas, multinacional e pluricultural, baseada na justiça, a igualdade de direitos e a equidade social…

A partir do compromisso colectivo de fazer confluir todas as experiências e fontes de inspiraçom teóricas e práticas que possibilitem derrotar o neoliberalismo, abrir caminho às sociedades pós-neoliberales, superar a dependência e o capitalismo actual, e transitar face um socialismo pleno de libertaçons e liberdades, defensor dos seres humanos e o ambiente em que habitam, gerador de umha harmónica relaçom entre o desenvolvimento da ciência e a técnica e de todas as formas de vida no planeta…

A partir da determinaçom comum de luitar pola unidade dos povos oprimidos e explorados no cenário da Pátria Grande libertada e por um socialismo em sintonia com as liçons, experiências, conhecimentos e realidades acumuladas nos alvores deste novo século…

Proclamamos: 

Com a Revoluçom Cubana, pioneira do tránsito ao socialismo em via de aperfeiçoamento e profundizaçom.

Com o processo face a nova revoluçom que representa o poder bolivariano da Venezuela.

Com as avançadas reformas políticas e sociais que tenhem lugar na Bolívia e no Equador

Com o retorno da Frente Sandinista de Libertaçom Nacional (FSLN) ao governo nicaraguano.

Com esse eixo transformador situado na ponta da onda de mudanças continentais, impulsionados sobretodo pola luita dos(as) de abaixo, da pobreza explorada e excluída, decidida a nom continuar a viver nas agoniantes condiçons actuais.

E nem só, mas que também seremos solidários con todo o positivo, embora que limitado ou muito limitado, que noutros países tenhem gerado as deslocaçons da direita tradicional e sobretodo com as luitas dos povos pendentespor aprofundá-los e alargá-los emsentido anti-neoliberal.

Neste plano, o processo colombiano assume umha importáncia singular, tanto pola sua localizaçom geo-estratégica como pola confluência de altos e novos níveis de desenvolvimento político e militar nas forças de mudança; tanto pola aprofundizaçom da crise das forças governante-dominantes (cada vez mais dependente da intervençom militar dos USA), como pola incapacidade essencial do poder estabelecido, do regime de Uribe e do próprio imperialismo para conter o crescimiento da insurgência armada e para abrir caminhos de paz. Converte-se no elo mais próximo de umha ruptura revolucionária de enorme trascendência para a superaçom de um certo estagnamento da onda revolucionária continental.

Daí a importáncia de assumir como tarefa de primeira ordem a solidariedade com as forças que se proponhem deslocar quanto antes o governo uribista, relevo em crise dadireita colombiana, desbravando assim a mudança da nova Colômbia.

Daí a coragem extraordinária dos posicionamentos assumidos polo comandante Chávez e o seu governo bolivariano, e pola digna senadora colombiana Piedad Córdoba, frente a esse conflito e especificamente a respeito da política guerreirista de Uribe na sua condiçom de instrumento da Administraçom Bush e do poder imperialista estadounidense.

Proclamamos também:

Que nessa ordem exigiremos com especial ênfase a retirada das tropas interventoras no Haiti e defenderemos o direito do heróico povo de Petión, Louverture e Dessalines a se autodeterminar e a construir a sua própria democracia.

E que os(as) imigrantes latino-caraíbos e terceiromundistas nos EUA e na Europa poderám contar com o nosso apoio incondicional às suas justas demandas contra a discriminaçom, a exclusom, o abuso e a negaçom de direitos; enquanto os(as) indocumentados(as) sempre haverám de ter-nos ao seu lado contra as perseguiçons e vexames de que som vítimas.

Aspiramos a ver a América Latina e os Caraíbas livre das funestas intervençons do FMI, do Banco Mundial e dos TLC que reforçam a recolonizaçom económica, assim como de qualquer tentativa de reviver el ALCA.

O projecto do Alba, extensivo a um processo de integraçom mais além dos estados, alargado em termos de unidade de povos libertados e em via de se libertarem, impregnado além do mais de um espírito de cooperaçom e solidariedade que ponha no centro dos seus propósitos a emancipaçom social e o bem-estar dos seres humanos, será defendido com tesom.

A reivindicaçom de liberdade para os presos políticos do Peru, Chile, Brasil, Argentina, Colômbia, Base de Guantánamo… será persistente. Os povos indígenas reprimidos, perseguidos e apresados, contarám com a nossa firme defesa e acompanhamento; e no imediato exigimos o cessamento da repressom desatada polosestados e as classes dominantes do Chile e o Brasil contra o povo mapuche e as populaçons indígenas brasileiras da Amazonia.

E todo isto como parte de umha grande torrente de luita, caminho à conversom da CCB num Movimento Continental Bolivariano de carácter político-social, que articule diversidades revolucionárias de umha estratégia comum capaz de enfrentar e derrotar a estratégia imperialista e emancipar definitivamente a nossa América. Como o sonhárom nos seus respectivos tempos Bolívar e o Che!

Capaz de dar sentido político libertador a todo o reivindicativo. De fazer revoluçons concatenadas, cheias de criatividade em direcçom a criar Pátria Grande ao Bolívar e socialismo ao Mariategui.

Daqui, de Quito, ao pé do Pichincha, de onde o Marechal Sucre livrou aquela histórica batalha pola independência, dizemos, além do mais, a este povo equatoriano hospitaleiro que o nom deixaremos só, que vamos ser instrumento eficaz para expandir a toda a nossa América e ao mundo a solidariedade para com este original projecto de mudanças face umha nova revoluçom assediado pola oligarquia feroz, a direitas perversa e a Administraçom Bushe as forças imperialistas.

Alfaro Vive!Bolívar Vive! O Che vive!

Em Bolívar e os próceres da nossa América nos achamos todos(as)!Até a vitória sempre!

II Congresso da Coordenadora Continental Bolivariana CCB

27 de Fevereiro de 2008.- Quito, Ecuador.

 

 

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