[TV] Entrevista com Aleida Guevara: "O Che nom é um ícone colado à parede"

9 de Junho de 2007

O jornal espanhol e anti-cubano El País publicou ontem umha entrevista com a filha do Che, Aleida Guevara. Apesar da clara orientaçom contra-revolucionária das perguntas, achamos de interesse reproduzir o conteúdo da conversa, pois mostra a firmeza de Aleida na defesa dos ideais polos quais o pai morreu.

"O Che morreu a 9 de Outubro de 1967, há quase 40 anos, e Aleida viajou a Barcelona para participar nos actos organizados pola Casa América da Catalunha, para comemorar a efeméride. Médica pediatra de profissom, é umha eficaz embaixadora do regime castrista (sic), que defende com verdadeira paixom.

Pergunta. Num relato intitulado A pedra, o seu pai escreveu: "Os filhos som umha maneira de sobrevivermos à morte". O Che sobreviveu em você?

Resposta. Qualquer homem sobrevive à história se tiver filhos. O difícil é levar à prática aquilo que nos ensinou.

P. Pergunto porque você é umha apaixonada defensora da revoluçom e do regime socialista cubano.

R. Do Governo cubano. Nom temos regime, porque isso em espanhol significa outra cousa. Temos um Governo constitucional e eleito polo seu povo.

"Ao verem a sua imagem em todo o lado, muitos jovens perguntam a eles próprios: Quem era esse homem? nesse caso, vale a pena."

P. Desculpe, dixo um governo eleito polo seu povo?

R. Em Espanha isso nom o entendem porque tenhem muito má informaçom. Desde 1976 que há eleiçons em Cuba, nos municípios e províncias, como em todos os países normais.

P. A foto Guerrilheiro Heróico é umha das imagens mais reproduzidas da história. Hoje o rosto do Che pode ser encontrado em quase qualquer lugar do mundo. O mito converteu-se em negócio?

R. Vocês vivem numha sociedade capitalista. Tentamos controlar essa desordem sobre a exploraçom indiscriminada da imagem do Che. Mas é difícil porque cada país tem as suas leis. De qualquer maneira, tentamos encontrar o lado positivo. Ao verem a imagem em todo o lado, muitos jovens perguntam a eles próprios: Quem era este homem? nesse caso, vale a pena.

P. E essa imagem representa fielmente o que o Che foi?

R. Nom, porque essa é apenas umha fotografia comercial. O Che era um homem muito completo. Quando saio de Cuba, muitos jovens falam-me do meu pai como sendo umha bandeira que representa a resistência, um homem que chegou a muita gente polos seus ideais. Nom é umha imagem vácua, um ícone colado à parede. É um ser humano muito completo que oxalá poda ser imitado por muitos seres humanos no planeta.

P. E qual é a imagem que você guarda do seu pai como criança?

R. Eu tinha só quatro anos quando ele foi para a Bolívia para nom voltar. A minha mae amou o meu pai e esse amor transmitiu-no aos filhos. Por isso, embora eu o tenha conecido mui pouco em pessoa, fui empapando-me nessa imagem a vida toda. Também os amigos do meu pai me contavam cousas dele e por isso esse homem estivo sempre presente em mim.

P. Como teria sido Cuba se o seu pai nom tivesse morrido tam aginha?

R. Nada teria mudado. Quando ele se foi de Cuba, em 1966, tinha a certeza de que o processo revolucionário era irreversível. Ele fazia parte do nosso povo e da nossa cultura. Essa presença ficou continuamente.

"Quando ele se foi de Cuba, em 1966, tinha a certeza de que o processo revolucionário era irreversível."

P. E como é que se vive em Cuba agora?

R. É um país bloqueado pola potência militar e económica mais forte do mundo. Por isso temos muitas dificuldades para sobreviver. Mas na América Latina estám a produzir-se mudanças e, graças a algumhas alianças, podemos sobreviver sem dependermos dos Estados Unidos e da velha Europa. O continente latino-americano é auto-suficiente. Neste momento, alimenta um terço da humanidade. Nom tencionamos viver como em Espanha ou Alemanha. O objectivo é vivermos com dignidade e com as cousas básicas. Agora vivemos muito mais bem do que há cinco anos. Os cubanos já dam pola diferença. E vivemos com umha alegria que já quereriam os europeus.

P. Em Cuba som respeitados os direitos humanos?

R. Muito mais do que em qualquer outro lugar.

P. Mas há gente que está em prisom por opor-se ao Governo.

R. Nom tal. Estám em prisom é por serem assassinos, por serem deliqüentes ou por estarem ao serviço dos Estados Unidos para danificar os cubanos. Som pessoas que incumprírom a Constituiçom do nosso país. Todos eles fôrom condenados por incumprirem as leis cubanas.

P. Justifica que seja condenado alguém por discrepar ideologicamente do Govenro do seu país?

R. Se discrepar na sua casa, sem pôr bombas ou danificar propriedades do Estado, nunca estará preso em Cuba. Mas, se tentar danificar o Estado cubano, é lógico que acabe na cadeia.

"Em Cuba, os direitos humanos som muito mais respeitados do que em qualquer outro lugar."

P. O poeta Raul Rivero foi para a cadeia polos seus escritos, nom por pôr bombas.

R. Rivero fazia parte de umha rede de jornalistas pagos polos Estados Unidos, e isso ficou demonstrado. Comportárom-se como mercenários contra o seu próprio povo.

P. Em 1997, o Governo cubano assegurou que tinha descoberto os restos do Che numha vala, na Bolívia. Mas um livro publicado recentemente por um jornalista de Le Monde e umha jornalista de El País questiona que esses sejam os restos autênticos.

R. Esse livro responde aos interesses dos Estados Unidos. É umha absoluta falsidade. Nós temos umha fé cega no nosso Governo.

P. O Governo cubano sobreviveu à Uniom Soviética. Sobreviverá à morte de Fidel Castro?

R. E você julga que a revoluçom é feita por um só homem? Há mais de 50 anos que resistimos o terrorismo dos Estados Unidos, e isso nom se dá feito graças a um só homem."

 

Acrescentamos umha entrevista em vídeo realizada por umha jornalista italiana a Aleida Guevara, nos finais do passado ano. Som oito minutos em que Aleida trata de aspectos da luita revolucionária em Cuba e das figuras do Che e Fidel:

 

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