Sobre exageros e manipulaçons nas contagens de manifestantes

Supefície aproximada ocupada pol@s manifestantes na mobilizaçom do dia 17 de Fevereiro (Galiza nom se vende)

19 de Fevereiro de 2008

Com motivo da impressionante manifestaçom do passado domingo, dia 17 de Fevereiro, na capital da Galiza, em contra da destruiçom do território, voltou a acontecer o que sempre acontece, na hora de contabilizar as pessoas assistentes: enormes diferenças na contagem de manifestantes, entre as 5.000 atribuídas pola polícia municipal e por alguns meios de comunicaçom reaccionários, e as 12.000 por parte de eufóricos companheiros e companheiras.

'A verdade é sempre revolucionária'

A clássica palavra de ordem tem plena vigência quando falamos de contar e divulgar as pessoas que participam nas mobilizaçons sociais no nosso país. Contra ela, a prática hegemónica no sistema e em nom poucas organizaçons da esquerda social e política é distorcer a realidade. Ao ponto de chegar-se ao absurdo de existir variaçons de até 100% em relaçom aos números reais.

Haverá quem pense que é parte da propaganda necessária para um movimento político o exagero no nosso favor, ou a diminuiçom dos números das mobilizaçons contrárias. Nom é essa, em nossa opiniom, umha posiçom honesta mas, sobretodo, nom é essa umha posiçom útil para a causa revolucionária, no mínimo por dous motivos:

1º, porque o auto-engano e a sobrevalorizaçom das próprias forças só serve para manter umha ficçom e, no máximo, para transmitir umha sensaçom de falsa fortaleza que em nengum caso converte em verdade tal força e tal realidade virtual.

2º, porque subestimar a força do inimigo -ou do adversário, segundo o caso- tampouco significa derrotá-lo: significa nom querer ver a realidade adversa para justificar as próprias dificuldades ou carências.

É por isso que a esquerda independentista costuma oferecer dados reais e nom ficcionais sobre as mobilizaçons próprias e alheias, o que nom raro provoca contrariedade e irritaçom em sectores do movimento popular que, consciente ou inconscientemente, preferem acreditar em ficçons construídas polos meios de comunicaçom ou polos mesmos movimentos sociais.

Alguns exemplos da constante manipulaçom

Os casos mais escandalosos som os protagonizados polos meios de comunicaçom do sistema, nomeadamente em mobilizaçons relacionadas com o que chamam 'terrorismo'. Aí se tenhem atingido os mais ridículos cúmulos do despropósito, falando de manifestaçons de vários milhons de pessoas em superfícies urbanas onde nom caberiam mais de 150.000 (que já é umha mobilizaçom enorme).

Ao contrário, as importantes manifestaçons independentistas no País Basco som ocultadas ou reduzidas a "milhares de pessoas" para evitar precisar que se tratou de 15 ou 20 mil pessoas (grande manifestaçom, sem dúvida).

A chave do assunto é, para nós, evitar que os movimentos sociais e as forças revolucionárias reproduzamos as práticas de manipulaçom informativa dos meios do sistema. Nom vamos entrar a nomear muitos casos concretos em que, sem nengum rigor, se publicam números afastados da realidade para assim 'maquilhar' o insucesso de determinadas iniciativas, mas há numerosos exemplos.

Duas provas -mui claras- de manipulaçom

É verdade que nem sempre é fácil precisar o número, e também é compreensível tentar compensar as minusvalorizaçons habituais nos mass media do sistema. No entanto, hoje há já alguns meios para garantir umha contagem razoavelmente precisa de pessoas, evitando exageros e combatendo as poderosas mentiras das televisons e jornais.

No caso da manifestaçom do passado domingo, convocada pola plataforma Galiza nom se vende, o nosso portal ofereceu na mesma tarde do domingo um número de participantes que ficou quase no meio termo entre os oferecidos pola polícia municipal e os meios e, no extremo oposto, polas entidades "mais optimistas". Falamos de "mais de 8.000 pessoas". O número nom foi arbitrário nem calculado em funçom do nosso óptimo estado de ánimo após umha demonstraçom de força tam importante por parte do movimento popular galego.

Em lugar disso, utilizamos dados objectivos retirados do serviço de imagens por satélite Sixpac, junto às imagens em que se vê aonde chegava a ocupaçom da praça da Quintá. Na imagem de cima vê-se o resultado: 2.099 metros quadrados. Considerando que num metro quadrado podam caber 4 pessoas, chegamos a estabelecer em 8.396 pessoas as que podia haver na praça da Quintá no momento de maior afluência de manifestantes.

É evidente que o cálculo tem umha margem de erro, mas achamos que em nengum caso poderá falar-se com algumha seriedade em 5.000 pessoas, nem tampouco em 12.000.

Haverá quem julgue pequena essa quantidade, lembrando os números que cada 25 de Julho se publicam em relaçom às manifestaçons do BNG, que concluem na mesma praça. Os media burgueses e o próprio BNG costumam falar em 13.000, 15.000 e até 20.000 pessoas: umha verdadeira barbaridade que nom resiste a prova do Sixpac.

Tendo em conta que nos Dias da Pátria sempre há um enorme palco que ocupa umha significativa área da praça da Quintá, podemos afirmar que a ocupaçom em metros quadrados se situa em torno dos 1.858 (aproximadamente), o que dá um resultado de umhas 7.432 pessoas, na mais generosa das estimativas.

Combater a manipulaçom (arma contra-revolucionária)

A realidade é que todo o mundo está tam afeito aos exageros, que estes som cada vez maiores. A esquerda independentista, cuja capacidade de convocatória é pequena se comparada com os exemplos referidos, leva anos a combater o auto-engano, publicando avaliaçons realistas da participaçom em convocatórias próprias e alheias.

Podemos pôr como exemplo recente o boicote à conferência da dirigente do PP Maria San Gil por parte de um grupo de estudantes na Faculdade de Económicas. Alguns meios oferecêrom números sem rigor, de até mais de meia centena de estudantes, enquanto outros a rebaixavam até os 20. Foi AGIR que deu o número de 30, o mais preciso e contrastável nos vídeos existentes, obrigando a corrigir os dados a muitos meios.

Achamos que é esse um bom costume para quem, como nós, aspira a construir um verdadeiro movimento revolucionário ao serviço da emancipaçom nacional, de classe e de género.

 

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