Fidel Castro: "Nom terám Cuba jamais"
19 de Junho de 2007
Reproduzimos o artigo publicado ontem polo líder revolucionário cubano, Fidel Castro, no diário Granma, em que reafirma o espírito de resistência do povo de Cuba perante as sistemáticas agressons e ameaças do imperialismo norte-americano.
Reflexom e Manifesto para o Povo de Cuba
Nom terám Cuba jamais
Espero bem que ninguém diga que ataco Bush sem motivo. Compreenderám sem dúvida as minhas razons para criticar duramente a política dele.
Robert Woodward é um jornalista norte-americano que se tornou famoso pola série de artigos publicados no Washington Post subscritos por ele e Carl Bernstein, e que afinal conduzírom à pesquisa e renúncia de Nixon. É autor e co-autor de dez best-sellers. Com a sua pena medonha consegue arrancar confissons do entrevistado. No seu livro Estado de Negaçom, afirma que a 18 de Junho de 2003, a três meses de começada a Guerra do Iraque, saindo do seu escritório na Casa Branca após umha importante reuniom Bush deu umhas pancadinhas no ombro de Jay Garner, dizendo-lhe:
—“Ó, Jay, queres fazer o do Irám?"
—“Senhor, eu e os meus colegas temos falado sobre o tema e queremos esperar por Cuba. Pensamos que o rum e os tabacos som melhores. As mulheres som mais belas”.
Bush respondeu: “Vás tê-la. Terás Cuba”.
Bush foi atraiçoado polo subconsciente. Era o que pensava desde que declarou o que deviam esperar dezenas de obscuros cantos onde Cuba ocupa um lugar especial.
Garner, um general de três estrelas recém reformado a quem tinha nomeado Chefe do Gabinete de Planeamento para a Pós-Guerra no Iraque, criado por umha Directiva Presidencial de Segurança Nacional secreta, era considerado por Bush um homem excepcional para levar a termo a sua estratégia bélica. Designado para o cargo a 20 de Janeiro de 2003, foi substituído a 11 de Maio desse mesmo ano, a pedido de Rumsfeld. Nom tivo o valor de explicar a Bush as suas fortes discrepáncias sobre a estratégia seguida no Iraque. Achava em outra com idêntico intuito. Nas últimas semanas, milhares de infantes de marinha e um grupo de porta-avions norte-americanos, com as suas forças navais de apoio, estivérom a manobrar no Golfo Pérsico, a poucas mlhas do território iraniano, à espera de ordens.
O nosso povo está a ponto de cumprir 50 anos do cruel bloqueio; milhares dos seus filhos morrêrom ou fôrom mutiliados em conseqüência da guerra suja contra Cuba, único país do mundo ao qual é aplicada umha Lei de Ajuste que premeia a emigraçom ilegal, outra causa de morte de cidadaos cubanos, incluídas mulheres e crianças; perdeu há mais de 15 anos os seus principais mercados e fontes de subministraçom de alimentos, energia, maquinarias, matérias-primas, financiamento a longo prazo e baixo tipo de juro.
Primeiro caiu o campo socialista e, quase de imediato, a URSS, esgalhada aos pedaços. O império ficou mais forte e internacionalizou o bloqueio; as proteínas e calorias, bastante bem distribuídas apesar das nossa deficiências, reduzírom-se aproximadamente em 40%; vinhérom doenças como a neurite óptica e outras; a escasseza de remédios, igualmente bloqueados, generalizou-se: só como obra caritativa é que podiam entrar, para nos desmoralizar; estes, por seu turno, convertiam-se em fonte de compra-venda e negócios ilícitos.
Chegou inevitavelmente o período especial, que foi a soma de todas as conseqüências da agressom e as medidas desesperadas que nos obrigou a tomar, potencializando o conjunto de acçons nocivas polo colossal aparelho publicitário do império. Todos esperavam, uns com tristeza, outros com contentamento oligárquico, a derrubada da Revoluçom Cubana.
Muito dano fijo à consciência social o acesso às divisas conversíveis, em maior ou menor volume, polas desigualdades e fraquezas ideológicas que criou.
Ao longo de toda a sua vida, a Revoluçom instruiu o povo, formou centenas de milhares de mestres, médicos, cientistas, intelectuais, artistas, informáticos e outros profissionais universitários e mestrados em dezenas de cursos superiores. Essa riqueza entesourada permitiu reduzir a mortalidade infantil a mínimos nom imagináveis num país do Terceiro Mundo, e elevar as perspectivas de vida e o promédio de conhecimento da populaçom a níveis de nono grau.
A Revoluçom Bolivariana da Venezuela, ao oferecer a Cuba petróleo com facilidades de pagamento quando o preço deste subia vertiginosamente, significou um alívio importante e abriu novas possibilidades, já que o nosso país começava a produzir a sua própria energia em quantidades crescentes.
Desde anos antes, o império, preocupado com os seus interesses nesse país, já tinha planificado liquidar aquela revoluçom, o que tentou em Abril de 2002 e tentará novamente quantas vezes lhe for possível, para o qual prepararm a sua resistência os revolucionários bolivarianos.
Entrementes, Bush endureceu os seus planos de ocupar Cuba, ao ponto de proclamar leis e um governo interventor para instalar umha administraçom imperial directa.
A partir dos privilégios concedidos aos Estados Unidos em Bretton Woods e o calote de Nixon, ao eliminar o padrom ouro que punha limite à emissom de notas, o império comprou e pagou com papéis dezenas de milhons de milhons de dólares, números de mais de doze algarismos. Com isso, mantivo a sua insustentável economia. Grande parte das reservas mundiais em divisas som constituídas por bonos da Tesouraria e notas norte-americanas. Para tal, muitos nom desejam umha crise do dólar como a de 1929, que converteria em água esses papéis. O valor em ouro de um dólar é hoje, polo menos, dezoito vezes menor do que nos anos de Nixon. O mesmo acontece com o valro das reservas nessa moeda.
Esses papéis sustentárom o escasso valor actual sobre a base de que, com eles, podem ser adquiridas fabulosas quantidades de armas modernas, cada vez mais caras, que nada produzem. Os Estados Unidos exportam mais armas do que o resto do mundo. Com esses mesmos papéis, o império desenvolveu os mais sofisticados e mortíferos sistemas de armas de destruiçom em massa, com que sustenta a sua tirania mundial.
Tal poder permite-lhe impor a ideia de converter os alimentos em combustíveis e esnaquizar qualquer iniciativa e compromisso para evitar o aquecimento global, que se acelera a olhos vistos.
Fame e sede, ciclons mais violentos e invasons do mar é o que sofrerám “tírios e troianos”, como frutos da política imperial. A folga para a humanidade, que oferecesse umha esperança à sobrevivência da espécie, está numha drástica poupança de energia, com a qual nom se preocupa em absoluto a sociedade consumista dos países ricos.
Cuba continuará a desenvolver e aperfeiçoar a capacidade combativa do seu povo, incluída a nossa modesta, mas activa e eficiente, indústria de armas defensivas, que multiplica a capacidade de enfrentar o invasor onde quer que ele se achar, possua as armas que possuir. Continuaremos a adquirir o material necessário e as bocas de fogo pertinentes, embora nom cresça o famos Produto Interno Bruto do capitalismo, que tantas cousas inclui, como o valor das privatizaçons, as drogas, os serviços sexuais, a publicidade, e tantas exclui, como os serviços de educaçom e saúde gratuitos para todos os cidadaos.
De um ano para outro, o nível de vida pode elevar-se se forem incrementados os conhecimentos, a auto-estima e a dignidade de um povo. Basta com que o esbanjamento seja reduzido e a economia cresça. Apesar de todo, iremos crescendo o necessário e o possível.
“A liberdade custa mui cara, e é necessário, ou resignar-se a viver sem ela, ou decidir-se a comprá-la polo seu preço”, dixo Martí.
Quem tentar tomar posse de Cuba, recolherá o pó do seu chao alagado em sangue, se nom perecer na luita”, proclamou Maceo.
Nom somos os primeiros revolucionários a pensarmos assim! E nom havemos de ser os derradeiros!
Um homem pode ser comprado, nunca um povo.
Durante muitos anos, pudem sobreviver, por acaso, à máquina de matar do império. Logo vai cumprir-se um ano desde que fiquei doente e, quando estava entre a vida e amorte, exprimim na Proclama de 31 de Julho de 2006: “Nom tenho a menor dúvida de que o nosso povo e a nossa Revoluçom luitarám até o derradeiro pingo de sangue”.
Nom duvide você tampouco, senhor Bush!
Asseguro-lhe que nom terám Cuba jamais!
Fidel Castro Ruz
17 de Junho de 2007