Ernesto Guevara, Che: um exemplo a seguir

8 de Outubro de 2007

Quando se cumprem 40 anos do fusilamento extra-judicial de um dos maiores revolucionários do século XX, Ernesto Guevara de la Serna, Che, o seu nome volta a ecoar em todos os foros oficiais e alternativos do mundo. Em nom poucos casos, por puro comercialismo, oportunismo ou vontade tergiversadora de aquilo que o comunista argentino-cubano verdeiramente representou para a América Latina e o mundo.

Porém, nom é fácil desactivar o seu conteúdo transformador, rebelde e anti-imperialista. Quanto a nós, as e os independentistas galegos de matriz comunista, este ano tem sido intensamente dedicado a divulgar o pensamento de Guevara. Além das 8 obras e artigos disponibilizados na nossa Biblioteca Marxista em Galego, ao longo deste ano publicamos diferentes artigos de fundo inéditos dedicados à sua figura e pensamento na nossa publicaçom partidária, Abrente, como fôrom:

"A ética comunista de Che Guevara. Os valores éticos na sua concepçom do comunismo e na sua crítica do modelo soviético", de Michael Löwy, no número 45;

"O Che vive", de Ana Barradas, no mesmo número;

"O Che, o degrau mais alto da espécie humana", de Justo de la Cueva, no número 43.

Além disso, a nossa chancela editorial, a Abrente Editora, deu a lume pola primeira vez na Galiza e em galego o Diário da Bolívia, documento vital do percurso guerrilheiro de Che na Bolívia até a sua morte.

No mês de Junho, o nosso partido reuniu em Compostela um grupo de especialistas e dirigentes polític@s que debatêrom sobre a importáncia e vigência do pensamento do Guerrilheiro Heróico. Foi por ocasiom das XI Jornadas Independentistas Galegas sob o título "Che Guevara: presente ou passado?" e nelas tomárom parte Ana Barradas, Justo de la Cueva, Domingos A. Garcia Fernandes, Alejandro Fuentes Hernández, Michael Löwy, Maurício Castro, Moncho leal, Camilo Nogueira, Lois P. Leira e Carlos Portomenhe.

Claro que este ano de estudo e divulgaçom do profundo significado revolucionário do exemplo do Che ainda nom concluiu. Novas obras sobre o Che ou da autoria do próprio Che vam ser públicadas brevemente polo nosso partido, dando conteúdo a esta homenagem para além do slôgan superficial ou o ícone esvaziado de significado a que alguns quereriam reduzi-lo.

Conhecer e estudar Che Guevara é aprender sobre as tarefas que competem a qualquer revolucionário no mundo todo, e também na Galiza. As e os comunistas organizados em Primeira Linha nom abriremos mao das nossas obrigaçons na necessária formaçom e aprendizagem a partir de um dos grande vultos do marxismo no último meio século.

Também NÓS-Unidade Popular e BRIGA comemoram quadragésimo aniversário

Mas nom foi apenas o nosso partido que comemorou neste ano o valor de Che Guevara como património dos povos do mundo. A nossa esquerda no seu conjunto, que sempre o reconheceu como referente de primeira magnitude, vem realizando actos e iniciativas políticas com Guevara como protagonista.

Assim, no caso de NÓS-Unidade Popular dedicou-lhe neste ano a sua agenda anual, editada no início deste 2007. No significativo 12 de Agosto, a data dedicada a Moncho Reboiras, juntou desta vez as figuras de Reboiras e o Che, sob a palavra de ordem "Dous exemplos a seguir". No passado sábado, também o Dia da Galiza Combatente situou Guevara na linha de frente de umha data referencial para a esquerda independentista.

A juventude revolucionária galega organizada em BRIGA tem realizado durante estes meses numerosos murais dedicados a Che Guevara em diferentes pontos do País, reivindicando o seu legado como parte do património d@s jovens independentistas galeg@s.

Fidel dedica um artigo ao Che no 40 aniversário da sua morte

O líder da Revoluçom Cubana, Fidel Castro, em convalescença por motivos de saúde, escreveu um breve mais eloqüente artigo dedicado ao seu camarada e amigo, Ernesto Guevara, com motivo do quadragésimo aniversário da sua morte em combate. Publicado no diário cubano Granma, achamos de interesse reproduzi-lo na íntegra para a sua leitura no nosso idioma:

Che

Fago umha pausa no combate diário para inclinar a minha cabeça, com respeito e gratitude, perante o combatente excepcional que caiu num 8 de Outubro, há 40 anos.

Polo exemplo que nos deu com a sua Coluna Invasora, que atravessou os terrenos pantanosos a Sul das antigas províncias do Oriente e Camagüey perseguido por forças inimigas, libertador da cidade de Santa Clara, criador do trabalho voluntário, cumpridor de honrosas missons políticas no exterior, mensageiro do internacionalismo militantes aqui e na Bolívia, semeador de consciências na nossa América e no mundo.

Dou-lhe graças polo que tratou de fazer e nom pudo no seu país natal, porque foi como umha flor arrancada prematuramente do seu caule.

Deixou-nos o seu estilo inconfundível de escrever, com elegáncia, concisom e veracidade, cada pormenor do que se passava pola sua mente. Era um predestinado, mas ele nom sabia disso. Combateu connosco e por nós.

Fidel Castro Ruz (Fonte: Granma)

 

 

 

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