Anxo Quintana louva o papel de La Voz de Galicia porque "fai País sendo a voz da sua sociedade"

25 de Novembro de 2007

O porta-voz do BNG e vice-presidente da Junta, Anxo Quintana, participou ontem num desses actos vomitivos em que a elite económica, política e mediática se junta para trocar prémios e manipular a memória dos mais dignos representantes da História da Galiza.

Foi no Panteom de Galegos Ilustres, em Compostela, que no passado sábado se atribuía o Grelo de Ouro nada menos que ao presidente do grupo económico dono do La Voz de Galicia, buque insígnia do poder mediático mais espanhol e reaccionário existente na Galiza. Os banqueiros, políticos, empresários e demais tropa procurárom a legitimidade simbólica de Rosalia de Castro e de Afonso Daniel Rodrigues Castelao para, junto aos seus túmulos, realizarem um acto pornográfico em que se dérom graxa e exibírom grandes doses de hipocrisia e comunhom de interesses.

Junto ao premiado, Santiago Rey Fernández-Latorre, ocupárom lugar em frente dos flashes na Igreja de Sam Domingos de Bonaval o director-geral de Caixa Galicia, José Luís Mendes, o espanholíssimo presidente da Cámara da Corunha, Javier Losada, o seu homólogo compostelano, Sanches Bugalho, e o vice-presidente da Junta da Galiza, Anxo Quintana, além do ex-presidente da Junta polo PP, Gerardo Fernandes Alvor.

O banqueiro José Luís Mendes di que La Voz é "o verdadeiro rosto da nossa terra"

O já premiado numha ediçom anterior, José Luís Mendes, atribuiu a La Voz de Galicia nada menos que "independência ideológica", atingindo notas líricas ao definir como "amoroso" o labor "comunicativo" do empório corunhês. O banqueiro acrescentou que La Voz de Galicia é "o verdadeiro rosto da nossa terra".

Em termos semelhantes se exprimírom os dirigentes do PSOE Sanches Bugalho e Javier Losada. Este último definiu La Voz como "a expressom da nossa identidade". Umha identidade, e um rosto, certamente desfigurados os que estes personagens pintam da nossa naçom, em que nom cabe o nosso idioma milenar nem o pluralismo político e social realmente existente. O rosto e a identidade do pensamento único, espanhol, censor e reaccionário.

No acto nom podia faltar a voz do PP, representado polo ex-presidente da Junta Gerardo Fernandes Alvor. Acrescentando mais um aos disparates anteriores, definiu o premiado como "um homem livre", o que nom deixa de ser certo, graças à sua condiçom de multimilionário e dono de um poderoso império mediático com grande influência no poder político e institucional. Lástima que o resto dos galegos e galegas nom podamos ser, como Santiago Rey Fernandez-Latorre, "homens e mulheres livres", nem coleccionar tantos apelidos como os deste representante da grande burguesia galego-espanhola.

As pérolas de Anxo quintana: aqui todo quisque "fai país"

Até aqui, todo normal. PP, PSOE e poder financeiro a botar flores sobre o seu mais efectivo altifalante mediático, histórico e declarado inimigo do idioma e da causa nacional galega. Porém, no acto deste fim de semana pudemos ver já o porta-voz do BNG a exercer como mais um no coro de lambe-botas do chefe de La Voz, a louvar a sua "trajectória" e a gabar, com gesto sério e imperturbável, "a sua contribuiçom para a liberdade de expressom e a democracia".

Anxo Quintana, antes de colocar umhas flores no túmulo de Castelao, insultou a memória do grande patriota ao definir o espanholista La Voz de Galicia como um jornal que "fai país sendo a voz da sua sociedade, através da palavra livre e do compromisso permanente com os seus leitores". O pobre Castelao deveu estremecer no interior do Panteom ouvindo as traidoras palavras do vice-presidente e ex-nacionalista Anxo quintana.

Pois, de facto, estamos a falar, e o sem-vergonha de Quintana sabe-o bem, do meio escrito que durante décadas perseguiu, silenciou, manipulou e difamou o nacionalismo galego, incluído o que representava o BNG. Estamos a falar, nom se esqueça, do meio que mereceu mais campanhas, declaraçons e acçons de protesto organizadas polo próprio BNG durante anos. Mas Quintana e os seus devêrom pensar, quando decidírom assistir aos fastos do passado sábado, que aqueles eram "outros tempos".

 

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