Ex-presidente italiano lembra ao Estado espanhol que, após Kosova, é a vez da Galiza, Catalunya e Euskal Herria

19 de Fevereiro de 2008

O Estado espanhol recusou-se a reconhecer o novo Estado surgido no continente europeu, apesar de contar com as bençons dos imperialismos norte-americano e europeu. A independência de Kosova é mais um aviso à Espanha imperial, que vê como a teoria da autodeterminaçom restrita aos processos descolonizadores 'clássicos' perde mais e mais consistência.

O jornalista M. A. Murado lembrava num artigo publicado ontem que nos últimos 25 anos 17 novos estados surgírom de estados plurinacionais anteriores, só no continente europeu, e a maior parte por vias pacíficas.

'Excepcionalidade'?

A 'excepcionalidade' a que os espanhóis recorrem como argumento cada vez que umha nova naçom europeia exerce o direito de livre determinaçom é cada vez mais inverossímil, e diante do avanço dos movimentos independentistas em países como a Escócia, a Flandres e a Córsega, bem perto da Pensínsula Ibérica, Espanha entra em pánico. Daí a sua negativa a reconhecer a soberania unilateral de Kosova: sabe que no futuro pode viver, ao menos, três episódios semelhantes.

A última autoridade a lembrar ao Estado o espanhol a natureza franquista do seu projecto nacional foi o ex-presidente italiano Francesco Cossiga. Em concreto, pediu aos Estados Unidos e à Uniom Europeia que fagam pressom para obrigar os espanhóis a respeitar o exercício do direito de autodeterminaçom para "o País Basco, Galiza e Catalunha" (sic).

Em concreto, e de maneira literal, Cossiga afirmou que "após o amplo reconhecimento do novo Estado de Kosova, nascido de umha declaraçom unilateral de independência, espero que os países europeus e os Estados Unidos fagam pressom sobre o governo de Madrid (nesta matéria som o mesmo Aznar e Zapatero, e o Partido Socialista e o Partido Popular!) para que desista da repressom policial e judicial de tipo franquista contra os militantes das tres minorías do Estado espanhol e para que se reconheça a estes povos o seu direito de autodeterminaçom".

Mass Media europeus salientam pánico espanhol

Agências e meios de comunicaçom europeus sublinham nestes dais o pánico espanhol à acçom em cadeia que está a verificar-se com as independências sucessivas da última década, "que poda dar fôlego aos movimentos separatistas nas regions (sic) setentrionais de Euskádi, Catalunha e Galiza, que tenhem línguas de seu além do espanhol", dizia umha conhecida agência alemá de notícias, segundo referiu Vieiros.

Também Euronews, canal europeu de notícias, falou de eventuais reclamaçons soberanistas bascas, catalás e galegas, e as ameaças de Rajoi a qualquer tentativa semelhante à kosovar.

Agências francesas avaliárom em termos semelhantes a negativa espanhola a reconhecer o novo Estado balcánico, tal como a russa Interfax: "A situaçom na Europa Ocidental pode chegar a ficar difícil; por exemplo, em Espanha, onde os sentimentos separatistas som óbvios na Catalunha, na Galiza e em Euskádi, bem como na Córsega em França", (...) "no norte de Itália e levar ao colapso a Bélgica".

Que opina o BNG?

A satisfaçom que como independentistas galegos e galegas nos produz comprovar que a nossa luita tem eco internacional apesar das múltiplas dificuldades que enfrentamos, nom nos oculta a vergonhosa posiçom do regionalista BNG, outrora soberanista e hoje entregado de armas e bagagens à defesa da Constituiçom unitária e monárquica outorgada polo franquismo em 1978.

É, sim, umha vergonha comprovar como as vozes pola nossa liberdade nacional venhem de fora enquanto toda a dirigência política do movimento nacionalista liderado durante anos pola UPG se vendeu por uns postinhos à frente da autonomia outorgada que no passado detestavam.

Nom podemos negar que isso dificulta enormemente a consecuçom dos objectivos históricos do nosso movimento de libertaçom nacional, mas nom vai impedir que também o povo galego atinja a sua definitiva independência nacional.

Este tem que ser o século da liberdade para a Galiza.

 

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