Do Golfo de Tonkin ao Golfo Pérsico

17 de Janeiro de 2008

A escritora iraniana exilada Nazanin Amirian analisa neste artigo a estratégia de agressom ao seu país preparada polos EUA nos últimos tempos, bem como as perspectivas que se enxergam para o conflito preparado polo imperialismo ianque.

Do Golfo de Tonkin ao Golfo Pérsico

Nazanin Amirian

A 3 de Agosto de 1964, o presidente dos Estados Unidos, Lyndon Johnson, informou de um inexistente ataque das patrulheiras vietnamitas ao destrutor USSMadox no Golfo de Tonkin, e conseguiu a autorizaçom do Congresso para lançar em massa ataques contra o governo de Hanoi. Agora, 44 anos depois, a Casa Branca, através da publicaçom de um difuso vídeo, afirma que umha lancha iraniana tinha ameaçado com "fazê-los estourar", cerca de um navio de guerra estado-unidenses no Estreito de Ormuz –que na verdade pertence ao Irám e aos Emirados Árabes. Minutos depois, Bush advertia a Teerám por essa “provocaçom”, enquanto as autoridades iranianas afirmavam que se tratava de umha manipulaçom e nom existiu nengum incidente.

Bush tem pressa para agredir o Irám, nom se importa que seja polas suas inexistentes armas nucleares, ou polos imaginários fustigamentos no Golfo Pérsico, polos alegados envolvimentos dos agentes do governo islámico no assassinato dos soldados norte-americanos no Iraque (polo qual incluiu o exercito iraniano na lista das organizaçons terroristas, um facto sem precedente em toda a história moderna), por ser o responsável polas décadas do conflito entre israelitas e palestinianos, etc. A pedagogia do medo e demonizar ao inimigo continuam a ser instrumentos eficazes em maos de organizadores das empresas bélicas.

Com a profundidade de um Iraque desangrado polas suas perigosas armas inexistentes, ainda continuamos a acreditar em aqueles quem nos dim que o Irám “foi, é e será perigoso” e que incitará umha Terceira Guerra Mundial. Depois do Iraque, hoje destruído, toca debilitar o Irám para dominar as suas imensas reservas de hidrocarboneto, nesta cruenta batalha pola supremacia mundial entre as potências, via controlo da energia.

O suposto incidente no Golfo Pérsico coincide com a visita do presidente dos EUA à regiom. O seu objectivo, além de repetir promessas vazias aos palestinianos, é consolidar os acordos de Annápolis baseados na criaçom de umha insólita frente unida árabe-israeilita contra o Irám, sob os auspícios dos EUA. O principal contributo de aquele encontro foi romper a aliança entre Damasco e Teerám, para deixar este absolutamente isolado.

A passagem da Guerra Fria entre o Irám e EUA-Israel, para umha guerra total de conseqüências imprevisíveis depende de um incidente, real ou fictício. Já agora, muitos eleitores estado-unidenses costumam votar o candidato do Partido Republicano quando o seu país está em guerra.

Nazanin Amirian é escritora exilada iraniana, autora do “40 respuestas al conflicto do Oriente Próximo”, editorial Lengua de Trapo, 2007.

 

 

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