Com as FARC: e quê?

3 de Abril de 2008

O histórico militante e teórico marxista dominicano Narciso Isa Conde, que estará na próxima semana na Galiza, convidado polo nosso partido, para participar nas XII Jornadas Independentistas Galegas, assina um artigo em que fai frente abertamente à campanha mediática que pretende converter em 'terroristas' as pessoas e organizaçons que apoiam os movimentos revolucionários, no caso concreto latino-americano, as FARC-EP.

Com as FARC: e quê?

Narciso Isa Conde

Desde a minha adolescência na vida e na luita revolucionária, assumim umha atitude de solidariedade, aliança e colaboraçom política com as FARC-EP.

E nom apenas com as FARC, mas também com outros grupos insurgentes da Colômbia e outras organizaçons político-militares do continente e do mundo.

Jamais me inibim face às intensas e persistentes campanhas de descrédito que, contra as FARC, a Frente Sandinista de Libertaçom Nacional, a URNG da Guatemala, a Frente de Libertaçom do Viet Nam, o ELN da Bolívia, o MRTA do Peru, a Frente Patriótica Manuel Rodríguez do Chile, o PRT da Argentina, as guerrilhas filipinas, a insurgência palestiniana, as resistências na Irlanda, no País Basco, na Turquia e muitas outras... tenhem despregado as oligarquias capitalisats, os estados terroristas opressores e muito especialmente a potência mundial líder em terror de Estado, genocídios, massacres e guerras destruidoras de escala planetária.

Nunca aceitei a chantagem das acusaçons de 'terroristas', 'subversivos' e 'narco-terroristas' empregadas em contra deles. Nom esqueçam que sempre fum guevarista.

Como me burlei também da acusaçom de 'saqueadores' contra a populaçom negra empobrecida de Nova orleáns por ocasiom do impacto do furacám Katrina e da negligência criminosa da Administraçom Bush; e também de aquela campanha que qualificou de 'foragidos' os sectores médios e populares do Equador que se insubordinárom face à traiçom de Lucio Gutiérrez.

Ninguém, no entanto, me tem visto a apoiar aqueles movimentos armados e estados cultores do terror indiscriminado, do fanatismo aberrante e do despotismo desenfreado em nome da revoluçom (tipo Pol Pot, Sendero Luminosos ou Staline).

Tampouco, num outro aspecto, ninguém me tem visto em atitude seguidista, subordinada, dependente ou incondicional dos nossos aliados políticos, por forte ou prestigiosa que for a organizaçom e/ou o Estado que os representa. Nem sequer face à respeitável e admirável liderança histórica da Revoluçom cubana!

A nossa atitude de solidariedade nom só tem sido despregada para com as mais heróicas e honestas organizaçons político-militares, como também para com toda a diversidade revolucionária, anti-imperialista, socialista, comunista... independentemente dos métodos de luita que empregarem, das suas fontes de inspiraçom teórico-política e das suas trajectórias históricas, desde que estejam ajustadas a princípios éticos irrenunciáveis.

Inúmeras organizaçons revolucionárias e movimentos sociais, que nom recorrêrom às armas, tenhem contado com a nossa solidariedade em cenários eleitorais e em diversas luitas, protestos sociais e rebeldias culturais.

Ora bem, se alguém andar à procura de aliados ou colaboradores das FARC-EP na República Dominicana, devo dizer-lhes que aqui tenhem um com domicílio conhecido e que no projecto de Nueva Izquierda-Círculos Caamañistas somos todos e todas amigos das FARC-EP, tal como acontece noutros sectores da esquerda social, cultural e política do país, e em nom poucos componentes dos grandes contingentes dos dominicanos e dominicanas da rua.

Deixem de inventar a pólvora.

Deixem de fazer o ridículo e de se prestar a ocultos jogos sujos, seguindo o conto inventado pola CIA e pola inteligência do governo narco-paramilitar de Álvaro Uribe, difundido recentemente polo diario 'El Tiempo' de Bogotá, sobre as supostas sete 'fundaçons' dominicanas ao serviço do 'terrorismo' e sobre os misteriosos sete colaboradores das FARC-EP.

Deixem de dar crédito à perversa lerdeza dos agentes que a Estaçom da CIA semeia com esses fins na DNI e noutras organizaçons de segurança do Estado, instruídos polos 'inventores' das armas de destruiçom em massa no Iraque.

Vaiam ao assunto, ao concreto.

Dirijam-se directamente aos que nos proclamamos amigos das FARC-EP e do lendário comandante Manuel Marulanda Vélez, comunista e bolivariano de gema. Somos muitíssimos e muitíssimas mais do que sete!

O que está à vista nom precisa de óculos, muito menos do microscópio de Orlando Martínez, que foi assassinado há 33 anos por pessoeiros da mesma ralé dos promotores desta perversa campanha.

Tenham valor: se tanto detestam a nossa atitude, apresem-nos, acusem-nos, processem-nos. E fiquem certos que nom vamos amolecer nem ficar intimidados nem intimidadas.

E isto é válido para 'calieses' e repressores locais, agentes da CIA, generais de forca e faca, INTERPOL e todos os más ervas que esvoaçam por cá e nom mundo.

Vaiam p'ro caralho com a chantagem.

Sim, reitero, visitei acampamentos das FARC-EP, sou amigo e aliado dos seus comandantes e da sua tropa guerrilheira, estivem há já vários anos com os comandantes Marulanda, Raúl Reyes, Jorge Briceño, Joaquín Gómez... tenho-me entrevistado mais recentemente várias vezes com os comandantes Iván Márquez, Jesús Santrich, Lucía e Rodrigo Granda.

E quê?

Fagam vocês o que quigerem!

E aos jornalistas amigos da SIP e da CIA que estiverem tentados apra fazerem com isto terrorismo mediático, sugiro-lhes cinceramente que tenham em conta que neste país nom há caldo de cultura para esssa preversidade e menos contra nós. Poupem essa ridiculez!

 

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