Monarquia intocável: Justiça espanhola seqüestra publicaçom satírica

21 de Junho de 2007

O Estado espanhol continua a dar mostras das limitaçons da sua "Monarquia parlamentar". Umha ordem judicial deu passagem ontem ao seqüestro de umha publicaçom legal, a revista satírica El Jueves, por "ousar" publicar na capa umha caricatura do herdeiro da coroa espanhola. Além da retirada da revista das bancas, a fiscalia reclamou a clausura da página web de El Jueves, como parte da puniçom por supostos delitos de "calúnias e injúrias contra o rei".

Nom pode dizer-se que nom houvesse precedentes, pois de facto já fôrom fechados jornais, revistas e rádios, e ilegalizados partidos políticos. O "separatismo" e o "terrorismo" eram a escusa mais recorrida em casos como Egin, Ardi Beltza ou Batasuna, mas agora também caricaturar membros da família real espanhola pode custar o seqüestro de umha publicaçom, num novo exemplo da perseguiçom à liberdade de expressom.

Na verdade, El Jueves tinha sofrido já intervençons judiciais no ano 1977, em pleno período de Transiçom da ditadura para a II Restauraçom bourbónica, que os políticos do sistema costumam dar por "superada".

Organismos internacionais como Reporteiros sem Fronteiras já denunciárom a actuaçom, realizada sem sentença nem processo judicial prévio, o que a afasta do aceitável num Estado que di ser de direito.

Nom concorda o porta-voz de "Jueces por la Democracia", a entidade judicial espanhola, alegadamente "progressista", Jaime Tapia, que definiu o seqüestro como "dentro dos parámetros da razoabilidade". O director da revista, Albert Monteys, considerou o acontecido como "um pouco patético", acrescentando que a polícia irá ter bastante trabalho, "porque a revista tem 5.000 pontos de venda total".

Pola nossa parte, nom queremos deixar de reproduzir a capa da revista, manifestando a nossa plena coincidência com a mensagem, no que tem de evidência sobre a funçom social da monarquia espanhola.

Os mesmos que brincavam com as reacçons islamitas perante as caricaturas de Maomé perdem o humor quando o objecto das brincadeiras é o filho do chefe do Estado espanhol, ocupante ilegítimo de umha chefia que nom lhe outorgou nengum processo democrático, e sim a herança directa do Caudilho golpista.

 

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