Companheiro Fidel, até a vitória sempre!

22 de Fevereiro de 2008

Achando que tem um grande interesse para a formaçom e compreensom dos acontecimentos em curso na irmá República de Cuba, publicamos um trabalho da autoria do marxista argentino Néstor Kohan, com motivo do anúncio da renúncia de Fidel a se candidatar novamente aos cargos de maior responsabilidade à frente do Estado e a Revoluçom Cubana.

Companheiro Fidel, até a vitória sempre!

Néstor Kohan

Sentimos um bocado de tristeza, por que nom admiti-lo? Porém, como tem dito Julio Antonio Mella, todo o tempo futuro tem de ser melhor. As luitas mais profundas, as mais radicais, as mais decididas, ainda nom começárom. Ou melhor dito, estám prontas. Fidel está doente e renuncia. Decisom lúcida e sábia, como sempre. Nom foge em helicóptero, como o patético presidente argentino De la Rua, derribado polo seu povo em rebeliom em Dezembro de 2001. Nom se tem de ir acusado de corruçom, enriquecido e milionário mas cuspido polo povo, como tantos outros. Nom termina escapando no obscuro da noite como ditadores latino-americanos, protegidos polo Pentágono e a CIA, com o traje lixado de sangue e os bolsos cheios de dólares.

Fidel nom se rende. Nem se ajoelha. Nem implora clemência. Nem se degrada nem se deteriora. Simplesmente toma a decisom de renunciar por limitaçons de saúde, mas conservando intacto o seu prestígio político, o carinho e o consenso do seu povo e a admiraçom de numerosos povos do mundo. Sem o gigante soviético nas costas, mas rodeado de muitos povos do terceiro mundo que o seguem tomando como guia. Nom é por acaso que cada novo revolucionário, cada novo rebelde ou cada novo presidente que aspira a enfrentar o gigante monstroso do Norte, o de Washington, Virginia e Wall Street, viaja a Havana para vê-lo e pedir-lhe conselho. Fidel, já canoso e entrando em anos, é o velho mestre das novas geraçons de rebeldes.

Desde esse lugar, ganhado na luita, aconselha, guia e provoca debates inclusive gerando opinions que discutem com o mestre ou problematizam algumhas decisons. Essa é, precisamente, a missom pedagógica dum bom revolucionário. Nom fabricar dócil e submissa apologética nem repetiçom burocrática de fórmulas senom discussom, reflexom e elaboraçom colectiva. Nunca decalque nem cópia. Essa é umha das melhores ensinanças de Fidel como pedagogo popular (que fôrom os seus longos discursos de todos estes anos senom pedagogia popular?). se tivéssemos de sintetizar o núcleo do seu pensamento político achamos nom equivocar-nos se o colocarmos na ética. O marxismo de Fidel –como o do seu entranhável irmao argentino, Ernesto che Guevara- tem sido e é um marxismo eticista e culturalista. A chave da história humana nom está no desenvolvimento das forças produtivas mas nos valores e a cultura. Em todo o caso, as principais forças produtivas da história tenhem sido as forças morais. A Revoluçom Cubana nom se derrumbou, sem comida, dinheiro, nem petróleo, devido aos valores, à ética e à cultura.

A “batalha das ideias” com a que Fidel insiste e outro nome polo que Antonio Gramsci tem denomidado a luita pola hegemonia. Todo o pensamento político de Fidel, a sua prática revolucionária à frente de cuba durante tanto tempo, os seus discursos e os seus escritos, tenhem sido umha prolongada e longa marcha pola hegemonia socialista. Nessa batalha das ideias e os valores, a ética jogou um papel fundamental. Já de raparigo, muitos anos antes de iniciar a guerra revolucionária em Cuba, o jovem Fidel tínha-o ressumido com umha sentença fenomenal: “o verdadeiro ser humano nom pregunta de que lado se vive melhor senom de que lado está o dever”.

Esse é, ao nosso modo de ver, o núcleo de lume que percorreu como um fio vermelho todo o pensamento de Fidel ao longo de décadas, de conjuntura em conjuntura, desde os tempos da clandestinidade e a guerrilha até os tempos de estatista, desde a época acesa da OLAS até a aliança conjuntural com a Uniom soviética, desde as guerras de libertaçom na África e o Vietname até a escassez material do período especial.

O dever. Nom o cálculo mesquino do dinheiro e o bem-estar individual senom o dever. Mas nom o dever em abstracto –aquele imperativo categórico de origem protestante, estrito, vazio, ahistórico e genérico, que pode ser enchido com qualquer cousa –senom o dever com um conteúdo sumamente preciso: a justiça, a rebeliom contra o capitalismo, os poderosos e os exploradores, o patriotismo, o internacionalismo, o antiimperialismo, a auto-estima popular. Qual é logo o nosso dever? Logo…”o dever de todo revolucionário é fazer a revoluçom”, aconselha-nos Fidel.

Foi distinto o marxismo do Che? Guevara nom colocou a questom de que a maior satisfaçom possível para umha pessoa revolucionária nom reside nunca na procura do dinheiro senom em sentir-se pleno e feliz por ter cumprido com o dever social? Quem influiu quem? O Che a fidel ou fidel o Che? Provavelmente tenha havido umha influência mútua e recíproca. E no meio de ambos, a ética de José Martí, o rechaço ao “homem medíocre” de José Ingenieros, o humanismo socialista, todos entretecidos na perspectiva revolucionária do velho barbudo de Carlinhos Marx e o seu jovem continuador com calva, o nosso amigo Lenine. Isso tem sido Fidel. Esse é Fidel.

Os que nos temos considerado e nos continuamos considerando fidelistas (“castristas”chamam-nos despectivamente os nossos inimigos), guevaristas e mariateguianos, quer dizer, marxistas latino-americanos, vemos Fidel como um mestre. Aprendimos da sua história e do seu exemplo. Chegou a lograr o que logrou nom por ter-se submetido à geoestratégia diplomática dum estado senom por ter confiado nas forças do seu povo e nas suas próprias forças. Para triunfar na Revoluçom cubana Fidel nom segue as “directivas” de nengum estado. Privilegia sempre as necessidades do seu próprio movimento popular, com umha olhada profundamente latiano-americana e internacionalista. Esse é o caminho. Essa é a ensinança de Fidel que nos guia. Esse é o nosso futuro.

A melhor maneira de ajudar hoje a Revoluçom cubana é luitar pola revoluçom anti-imperialista e anticapitalista nos nossos próprios países. Quantos rendêrom aplausos umha vez que Fidel triunfou mas o tinham insultado quando apenas era um insurgente e um guerrilheiro! Quantos assistem a cócteles e ceias em nome de Cuba mas no seu momento chamárom Fidel “aventureiro”, “putchista”, “foquista”, “militarista” e muitos outros adjectivos destinados a desprestigiar e combater as heregias revolucionárias! Nom fai sentido cantar loas apologéticas às glóriasd do pasado quando se visita Havana e aos banqueiros. Resulta insustentável e esquizofrénico emocionar-se frente a um retrato de Fidel ou com cançons de Silvio Rodríguez quando se demoniza, insulta e desprezam os jovens rebeldes que actualmente se enfrentam a polícia e militares.

Continuar, hoje e no futuro, as ensinanças do Fidel e do Che. Esse é o grande desafio para as novas geraçons. Dentro de Cuba, pondo toda a força en aprofundar a perspectiva socialista e em combater o regresso ao capitalismo. Mas também fora de Cuba, nas novas batalhas que virám polo mundo mais justo e solidário, o mundo socialista! Fidel tinha razom. O nosso campo de batalha abrange todo o mundo e o nosso dever é fazer a revoluçom. Saberemos estar à altura desse dever?

Caro comandante, companheiro, mestre e irmao Fidel
Até a vitória sempre!

Néstor Kohan
(Coordenador da «Cátedra Che Guevara – Colectivo Amauta» de Argentina e autor do libro Fidel para principiantes)

Buenos Aires, Argentina
Terça-feira 19 de Fevereiro de 2008

 

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