Bravo por Chávez e Ortega!

10 de Novembro de 2007

Nom é habitual vermos líderes de países das regions do chamado Terceiro Mundo dizerem à cara dos representantes políticos imperialistas o que som e o que representam. Isso foi o que figérom hoje, com dignidade que deve ser reconhecida, os presidentes venezuelano, Hugo Chávez, e nicaraguano, Daniel Ortega. Algo especialmente relevante num foro em que os espanhóis estavam afeitos ao seu papel de imperialismo regional e que desta vez demonstrou que há governos dispostos a fazer frente aos reis do espólio.

Especialmente satisfatório é, para os galegos e as galegas conscientes da actual situaçom do planeta e do papel que o Estado espanhol joga no cenário internacional, vermos como a extrema-direita aznariana é chamada polo nome, como a cúpula empresarial da CEOE é assinalada como o que é, e como o monarca nomeado por Franco se revolve impotente na cadeira quando lhe lembram o papel do Estado espanhol na América Latina.

Chávez, frontal contra o imperialismo e o fascismo

Com efeito, o presidente venezuelano denunciou diante de todos os dirigentes políticos da chamada Cimeira Ibero-Americana, na sessom de Encerramento, o papel do ex-presidente espanhol José María Aznar em relaçom à Venezuela, lembrando o seu apoio ao golpe fracassado de 2002 e as suas actividades contra o governo legítimo venezuelano. A denúncia de ontem repetiu-se hoje, saindo o actual presidente espanhol, Rodriguez Zapatero, em defesa do seu colega Aznar. O chauvinismo espanhol e os interesses 'de Estado' ficárom a nu no enroque da delegaçom espanhola, deixando clara a pantomima da pseudo-democracia bourbónica.

Assim, o máximo dirigente do PSOE e do Governo de Espanha defendeu o empresariado desse país presente na América Latina, louvando o seu 'esforço investidor', apesar da evidente estratégia saqueadora seguida polas multinacionais espanholas nas últimas décadas em países como a Argentina, a Bolívia, e outros. Essa é a 'esquerda' governante espanhola: defensora incondicional do papel de Aznar e da cúpula empresarial no cenário internacional.

O Bourbon nom encaixa as críticas

Porém, foi o chefe do Estado do Reino de Espanha, o multimilionário Juan Carlos de Bourbon, quem pior encaixou as palavras de Chávez, ao ponto de perder a compostura e 'majestosidade' que se supom ao seu cargo. Com evidente desacougo, rebuliu na cadeira até increpar directamente o presidente venezuelano, mandando-o calar. O líder bolivariano, demonstrando que nom é nengum servo do rei espanhol, continuou a sua alocuçom a Zapatero para lhe sugerir que pida a Aznar que deixe de agredir a Venezuela.

Ortega também denuncia 'ingerências' espanholas

O debate e as justas denúncias contra o neo-imperialismo espanhol por parte dos dirigentes latino-americanos de esquerda atingiu o clímax quando Daniel Ortega acusou directamente, olhando aos olhos de Zapatero e Moratinos (ministro dos Negócios Estrangeiros espanhol), as ingerências espanholas na recente campanha eleitoral nicaraguana. Em concreto, Ortega lembrou o papel do embaixador espanhol em Manágua, que junto a outros diplomáticos estrangeiros tomárom partido em contra da Frente Sandinista de Libertaçom Nacional (FSLN).

Sublinhou também o papel espoliador da empresa multinacional Unión Fenosa no seu país, e protestou polos privilégios da delegaçom espanhola no desenvolvimento dos debates da Cimeira. Acrescentou que Espanha tem umha "aliança política, económica e militar" com os Estados Unidos e fijo memória para recordar que os avions ianques costumam utilizar solo espanhol nos seus ataques contra povos do Terceiro Mundo, como aconteceu já no bombardeamento da Líbia em 1986.

Durante vinte minutos, Daniel Ortega apoiou as apreciaçons de Chávez sobre Aznar, criticando a “aliança político-militar” que aquele teceu com os EUA. Sempre olhos nos olhos com Zapatero e Juan Carlos, o líder da Nicarágua defendeu o “direito à liberdade de expressom” de Chávez, que apenas criticou “o cidadao” Aznar, que “fijo e continua a fazer campanha contra a Venezuela”. “Se nós temos que vos respeitar, vocês tenhem de se dar ao respeito”, reclamou.

Os ouvidos 'reais' do monarca espanhol nom aturárom tantas verdades juntas. O Bourbon levantou-se irado e abandonou a sala, enquanto o interessante debate continuava com os máximos dirigentes institucionais espanhóis contra as cordas, para utilizarmos umha metáfora pugilística.

'Eu também sou chefe de Estado, e eleito democraticamente'

Umha vez concluída a Cimeira, Chávez manifestou que Juan Carlos de Bourbon "será rei, mas nom pode fazer-me calar", e esclareceu que "eu também sou chefe de Estado, com a diferença de que fum eleito democraticamente por três vezes", em clara referência à nomeaçom do actual monarca espanhol polo ditador e assassino Francisco Franco, com carácter vitalício.

"Som tam chefes de Estado o índio Evo Morales como o rei Juan Carlos de Bourbon", concluiu Hugo Chávez. Os media espanhóis, que atacam unanimente o presidente bolivariano da Venezuela, informam de um telefonema de agradecimento de Aznar a Zapatero, depois da vergonhosa defesa do criminal de guerra por parte do actual presidente espanhol.

Como internacionalistas, revolucionári@s e anti-imperialistas da Galiza, nom podemos deixar de dar os nossos parabéns aos líderes nicaraguano e venezuelano. Nom só pola justeza das suas críticas e denúncias, mas também por deixar em evidência diante do mundo a farsa do chamado 'pluralismo democrático' espanhol: quando alguém ousa tocar o núcleo duro do poder (grande empresariado, multinacionais e principais figuras institucionais) o sistema protege-se como o que é: a ditadura da burguesia contra os povos.

 

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