Euskal Herria: Falarám as pedras

2 de Dezembro de 2007

No mesmo dia em que dezenas de milhares de bascos e bascas saírom à rua, mais umha vez, para protestarem polas arbitrárias detençons em massa da dirigência social e política independentista, reproduzimos as linhas enviadas polo escritor Alfonso Sastre aos meios de comunicaçom.

Euskal Herria: Falarám as pedras

Alfonso Sastre

Desde há meio ano tenhem-se multiplicado –até chegar talvez a supor um salto qualitativo– a actividade repressiva do Estado espanhol contra o movimento independentista basco.

Os poderes executivo e judicial, confundidos numha mixórdia antidemocrática e apresentando-se numha conivência totalmente indesejável, procedem –contra todas as nossas esperanças de paz– a umha enxurrada de detençons (e conseguintes encarceramentos) que podem ser justamente qualificadas de:

-Jurídicamente inapresentáveis.

-Socialmente vergonhosas.

-Politicamente erróneas.

-Historicamente anacrónicas.

-Eticamente infames.

-Ideológicamente estúpidas.

É por isso que eu, completamente inerme perante tais factos, dou com rogo de publicaçom estas linhas, com grande dor no meu coraçom, em que opino que estas detençons e os conseguintes encarceramentos atingem multitude de pessoas das quais tenho a convicçom de nom pertencerem a organizaçom armada nengumha e de que, na sua vida social, nom estavam a fazer uso de violência de qualquer género, nem de outras artes que as mais pacíficas do pensamento e da actividade cultural e/o política.

Nesta inquietante situaçom, impom-se-nos mais umha vez a ilustre exclamaçom evangélica de que, se se figer calar os inocentes, “falarám as pedras”. O qual nom é, com certeza, desejável, mas a verdade é que acontecem situaçons indesejáveis quando o desejável é impossível.

 

 

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