UEEH: Encontros LesBiGayTransQueer de Marselha 2007

30 de Julho de 2007

Reflexons úteis para o movimento LGBT galego

Ângelo Meraio, activista LGBT galego e militante de Primeira Linha.

A UEEH, Université d'Eté Euroméditeranée des Homosexualités, som uns encontros celebrados na cidade ocitana de Marselha que desde o ano 1979 reúnem lésbicas, gays, bissexuais, trans, queers e intersexo da Europa e os países do espaço mediterráneo.

O que em origem era um espaço de interacçom dos colectivos LGBT franceses, abriu os seus objectivos e fronteiras para criar um evento em que, por umha semana, o preconceito e a homofobia som diluídos num ambiente de total diversidade e liberdade sexual.

Nos últimos anos é destacável a crescente participaçom na Universidade, mesmo no conselho organizador, de companheiras e companheiros portugueses, é por meio delas e deles que este ano chegárom as informaçons à Galiza sobre este importante evento para activistas e elgebetês em geral. Desta maneira umha delegaçom da ATURUXO (Federaçom de Associaçons LGBT da Galiza) estivo presente e participou da convocatória da UEEH deste ano.

Formaçom, convívio, reivindicaçom, divertimento, som as palavras que resumem umha semana cheia de actividades de todo o tipo para reivindicar a diversidade, para reflectirmos sobre os nossos próprios corpos. Um espaço integramente vocacionado à construçom de um mundo melhor.

Com umha participaçom de por volta de 500 pessoas, a Faculdade de Belas Artes da Université de la Méditerranée, em Luminy, no centro de um espectacular espaço natural protegido entre o mar e a montanha, é o espaço central onde se desenvolve toda a actividade. Um evento completamente autogerido e com facilidades de acesso para pessoas com dificuldades económicas.

Nesta Faculdade é onde tenhem lugar a quase totalidade de conferências, obradoiros, exposiçons, etc da UEEH. É só no Sábado quando o projecto desenvolve umha apresentaçom pública na capital provençal com um colóquio, com grande concorrência de público, no hemiciclo do Conseil Régional Provence-Alpes-Côte d'Azur, este ano com o tema "LGBTQI: Evoluçom das Representaçons Sociais e Revoluçons Culturais". A seguir a tradicional manifesta om no porto de Marselha, que no ano passado juntava colectivos LGBT com sindicatos sob o tema da discrimina om no trabalho. Neste ano mostrou a repulsa ˆs horr'veis execu ons de gays que est‡m a acontecer no Ir‡m e a denuncia da total cumplicidade do sil ncio por parte da Uniom Europeia.

Nos debates dados entre as e os participante foi de especial interesse a reivindicaçom por parte do colectivo Intersexual da sua visibilidade e da sua letra no acrónimo LGBTQI. @s intersexo, erroneamente chamad@s hermafroditas, grandes desconhecid@s e negad@s desta sociedade patriarcal. Pessoas que nascem com genitais que nom respondem aos padrons socialmente estabelecidos para os sexos feminino ou masculino. Falamos de 1'76% da populaçom humana, submetidas a umha mutilaçom médica que os aproxime a um dos dous extremos da bipolaridade homem/mulher. Estas pessoas que tenhem características dos dous géneros sentem-se muitas vezes identificad@s com o género oposto ao que lhe foi "atribuído cirurgicamente" ou entom com partes de um ou de outro sem se sentirem simplesmente mulher ou homem.

Outro tema de importáncia, especialmente debatido com membros de colectivos do Estado espanhol, foi a nova Lei de Identidade de Género. Esta lei que num início pareceu tam avançada e que visava oferecer vantagens para as e os transexuais, condena-os a um ineludível seguimento psiquiátrico. Parte portanto, da base de que a transexualidade ("disforia de género") é umha doença mental. Isto provoca umha grave contradiçom num momento em que a OMS está a ponto de eliminá-la da sua lista de doenças. Aparece um repto imediato para os trans do Estado espanhol que é a imediata eliminaçom da obrigatoriedade desse seguimento psiquiátrico.

O edifício do conselho regional da Provença foi também o escolhido para realizar umha emocionante homenagem e reflexom sobre as companheiras e companheiros que nos deixaram. A delegaçom portuguesa nom deixou de aproveitar para justamente lembrar Gisberta, a mulher transexual que há um ano era brutalmente torturada e assassinada no Porto, à qual também lhe foi dedicada umha sala no espaço da UEEH.

É de destacar o esforço feito pola organizaçom no acesso de pessoas com necessidades especiais, o que tornou ainda mais abertas, plurais, diversas, participativas e enriquecedoras as actividades. Também neste sentido, ressaltou a presença e participaçom mais activa de colectivos LGBT que promulgam um combate directo contra a homofobia e o patriarcado, de umha óptica nitidamente de esquerda.

Outra situaçom emotiva das jornadas foi o convívio das companheiras e companheiros dos colectivos da Palestina e o Líbano, as/os quais tivérom em Marselha o espaço de encontro que, apesar da proximidade geográfica, nom podem ter por causa das proibiçons do estado sionista em relaçom à circulaçom de pessoas entre os dous países.

Ainda houvo contodo, um espaço importante para o divertimento, numhas festas nocturnas envolvidas nesse ambiente de liberdade que é espinha dorsal da UEEH. Iniciativas como a Playparty, espaço para a livre expressom de afectos e prazeres com umhas regras básicas de respeito mútuo, ou o espaço em que por meio da roupa as e os participantes desconstruíam e transgrediam de forma lúdica a estética imposta a cada género.

Um espaço anual extremamente "nutritivo" e interessante para o estabelecimento de contactos entre os colectivos e pessoas do movimento LGBTQI, nomeadamente as da esquerda, as que temos umha visom da luita pola libertaçom sexual como parte de um todo.

 

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