O galego na UVI, a Junta satisfeita

14 de Abril de 2008

Novos dados sobre os escassos espaços de uso que consegue ocupar socialmente o galego-português na Galiza som divulgados, confirmando a grave situaçom que atravessa, pouco depois de que o presidente Tourinho manifestasse satisfaçom pola situaçom social do idioma. Desta vez, soubemos que a própria oficialidade reconhece que o 'bilingüísmo harmónico' se traduz, no que aos meios de comunicaçom di respeito, em 10% de galego face a 90% de espanhol. Assim de contundente.

A Secretaria Geral da Política Lingüística, em maos do PSOE pola renúncia do BNG a assumi-la, di que a sua receita para a impossível igualdade lingüística consiste em 'respeitar a vontade e decisom empresarial', segundo difundiu a agência espanhola de notícias EFE.

A responsável da área, Marisol Lopes, di que se trata de umha 'inércia' que só mudará se as empresas quigerem, pois a Administraçom autonómica nom vai mexer um dedo para que essas empresas utilizem o que ainda hoje é o idioma maioritário do País mas, daqui a pouco, será já minoritário em termos absolutos.

Nem falar de marcar uns mínimos às empresas para respeitem os direitos lingüísticos do nosso povo, que continua a ser insultado polas grandes empresas mediáticas, com um uso pitoresco e intrascendente do galego. Nem falar de cumprir com o que estabelece a raquítica Lei de Normalizaçom Lingüística de 1983, que marcava o galego como "língua usual" nos meios de comunicaçom "submetidos à gestom das instituiçons da Comunidade Autónoma"

Há que lembrar que o Governo autónomo basco marca, por exemplo, 20% de uso do euskara nas ondas de rádio na atribuiçom de licenças, percentagem pequena mas muito ambiciosa para o governo regionalista do PSOE e o BNG, que preferem confiar a política lingüística à "vontade empresarial".

Discriminaçom aberta e impune, responsabilidade compartilhada

Se alguém julgar que a posiçom da Junta é de puro desleixo, engana-se. A Junta financia, através de todas as Conselharias, tanto as do PSOE como as do BNG, iniciativas de todo o tipo em espanhol. No caso dos meios de comunicaçom, La Voz de Galicia e outros jornais escritos quase integralmente em espanhol levam milionárias ajudas da área da 'Normalizaçom', enquanto jornais, webs e outros meios que utilizam exclusivamente o galego som discriminados com ajudas ridículas ou directamente inexistentes.

O BNG aproveita a sua posiçom após ter renunciado a gerir a Política Lingüística para fazer críticas carentes de credibilidade aos seus sócios. Há que lembrar que Quintana, satisfeito por ter filhos diglóssicos, confirmou desde o primeiro dia da legislatura que "o galego nom seria um problema" e, com efeito, nom está a sê-lo.

Tv's portuguesas na Galiza?

Em contraste com a dura realidade da rígida minorizaçom que abafa o galego, na passada semana soubemos que o Parlamento autónomo aprovou unanimente um pedido ao Governo espanhol para que possibilite a recepçom das ondas de televisom portuguesas na Galiza, aproveitando a tecnologia digital terrestre.

Sendo umha boa notícia, tememos que tal declaraçom entre a fazer parte da lista de leis, decretos, normas, proposiçons e outras propostas aprovadas da mesma maneira nas últimas quase três décadas, que ficárom esquecidas numha gaveta. Neste caso, todo indica tam importante iniciativa nom será efectiva antes de acabar a primeira década do século. E depois... há-se de ver.

 

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