NÓS-Unidade Popular rejeita Lei da Memória Histórica por limitada, insuficiente e legitimadora do pós-franquismo

12 de Outubro de 2007

A organizaçom galega que mais tem trabalhado nos últimos anos pola retirada de símbolos franquistas das ruas e espaços públicos da Galiza, NÓS-Unidade Popular, pronunciou-se sobre a iminente aprovaçom de umha Lei da Memória Histórica consensualizada em Madrid pola esquerda reformista -BNG incluído- e parte da direita. A formaçom socialista e independentista galega considera-a "limitada e insuficiente", além de "reforçar a lógica institucional do pós-franquismo".

Num extenso comunicado, feito público no Dia da Galiza Combatente (11 de Outubro), NÓS-UP, que durante os últimos anos retirou por meio da acçom directa centenas de placas, estátuas, escudos e outros símbolos franquistas, critica o "eleitoralismo" que possibilitou o desbloqueio em que se achava o texto. De repente, os autonomismos periféricos, entre eles o do BNG, concordárom num texto que nom dá resposta às principais reivindicaçons das associaçons de vítimas do franquismo.

Numha extensa análise, NÓS-Unidade Popular critica como o preámbulo da lei consagra o falso espírito de reconciliaçom e consenso da chamada Transiçom, que mantivo inalteráveis os principais esteios do fascismo e impunes os seus crimes. A identificaçom entre o sistema republicano e o fascismo que o derrocou ilegalmente é outra das características da nova lei, evitando a anulaçom de sentenças e evitando recuperar a legalidade anterior ao golpe fascista.

Torturas, crimes extra-judiciais, incautaçons e outros vexames e julgamentos arbitrários ficarám na maior das impunidades graças a um acordo a que aderirám IU e BNG, integrantes do coro oficial pseudo-progressista empenhado em legitimar a Monarquia herdeira do franquismo. Só será possível anular umha sentença política franquista por via individual após um caro processo judicial sob o olhar de um aparelho de justiça altamente identificado ainda na actualidade com o franquismo.

Inclusive na possível retirada de símbolos, a formulaçom legal contém suficiente ambigüidade para deixar margem aos incumprimentos por motivos "artísticos" ou quando se julgar que nom há "exaltaçom" do franquismo.

Recomendamos a leitura integral do comunicado de NÓS-UP aqui.

Felizmente, e à falta de umha legislaçom garantista para os direitos democráticos, um sector do nosso povo, representado pola esquerda independentista, tem adiantado parte do trabalho de limpeza democrática nas nossas ruas e prédios. Por sua vez, os partidos institucionais, os mesmos que denunciárom militantes de NÓS-UP pola retirada de símbolos de clara exaltaçom fascista, continuarám a conviver com essa simbologia nas sedes institucionais da Galiza autonómica.

 

 

Voltar à página principal